A combinação de poucas chuvas e temperaturas acima da média é sinal de alerta para que a população redobre a atenção com a saúde. Até amanhã, a previsão é de que a umidade relativa do ar chegue a apenas 10% na Grande BH e no Triângulo Mineiro. São os menores índices já registrados neste ano nas duas regiões.

O ideal é que a taxa ultrapasse 60%, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS). Com a que é esperada para esses dias, segundo especialistas, o clima poderá ficar tão seco a ponto de ser comparado ao de deserto, como o do Saara, na África.

Belo Horizonte e Betim (região metropolitana), Uberaba e Uberlândia (Triângulo) e Patos de Minas e Patrocínio (Alto Paranaíba) serão as localidades que sofrerão maior impacto.

De acordo com Claudemir de Azevedo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), índices muito baixos da umidade do ar costumam ser registrados em agosto. “As poucas precipitações do período favorecem para que o ar fique mais seco, mas também estamos tendo temperaturas muito altas, o que deixa a umidade ainda mais baixa”, frisou. Segundo ele, as condições climáticas só devem mudar a partir de quinta-feira.

O ar seco também favorece a ocorrência de incêndios florestais; especialistas alertam para riscos em matas no Alto Paranaíba e Triângulo

Amenizar

Chuvas, que podem amenizar o quadro, só devem ser registradas na sexta-feira, conforme o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC-Inpe).

Até lá, a população enfrentará altas temperaturas. Em Belo Horizonte, informou a meteorologista Márcia Seabra, a previsão é de mínimas de 13ºC e 14ºC hoje e amanhã, respectivamente, com máxima de 30ºC.

Perigos

Neste cenário, a população não deve descuidar da saúde, principalmente crianças e idosos. Pele seca e doenças respiratórias são os principais desconfortos causados. 

Especialistas recomendam evitar o sol no período da tarde. “A partir do meio-dia já é possível sentir com maior intensidade as consequências da baixa umidade. Com mais aquecimento solar há diminuição do vapor d’água na atmosfera, especialmente nas grandes cidades”, diz Márcia.

Quem tem problema respiratório e os atletas amadores precisam evitar exercícios físicos, principalmente ao ar livre, e usar roupas mais leves, sem deixar de passar creme hidratante e protetor solar, recomenda o otorrinolaringologista Aureliano Diniz. 

O médico alerta para que as pessoas estejam atentas a dores de cabeça e náuseas. “São sinais de que o cuidado com o corpo não está sendo o adequado”, diz. Já a nefrologista Mariana Campos orienta manter a hidratação. 

“Evite a ingestão dos diuréticos, como café e álcool, que sobrecarregam os rins. Água, sucos naturais e frutas são essenciais para manter o bom funcionamento do organismo nesta época crítica”, observa Mariana Campos. A especialista recomenda fazer trocas saudáveis no cardápio. A sobremesa, por exemplo, pode ser uma fatia de melancia ao invés de um doce.