Escândalo nacional que envolve Perrella e conselheiros respinga na política do Cruzeiro


Enviado em 19 de maio de 2017 às 10:02:30


Zezé Perrella teve nome citado em caso de pagamento de propina a Aécio Neves

 

Candidato à presidência do Cruzeiro, Perrella perde força diante de denúncia de pagamento de propina pela JBS que envolve seu nome e sua empresa

 
O escândalo de corrupção que envolve os nomes dos senadores Aécio Neves (PSDB) e Zezé Perrella (PMDB) acertou em cheio também a política do Cruzeiro. Seis conselheiros do clube são investigados, sendo que dois deles foram presos preventivamente na manhã desta quinta-feira: o assessor de Perrella, Mendherson Souza Lima, e o primo de Aécio, Frederico Pacheco.
 

No fim do ano, o Cruzeiro promoverá eleições presidenciais. Perrella é considerado o nome mais forte para substituir Gilvan de Pinho Tavares, atual mandatário. As acusações de recebimento de propina, contudo, arranharam a imagem do senador, que vê a sua candidatura perder força.

Perrella é acusado de ter recebido dinheiro de propina repassado pelo grupo JBS ao senador Aécio Neves. O presidente da JBS, Joesley Batista, entregou ao Ministério Público gravação na qual o ex-governador de Minas Gerais é flagrado pedindo R$ 2 milhões para custear sua defesa na operação Lava Jato. A revelação foi feita pelo jornal “O Globo”.
 

O dinheiro foi entregue a um primo de Aécio, segundo a Polícia Federal. E, ao rastrear o caminho dos recursos, descobriu-se que o montante foi depositado em uma empresa de Perrella, que negou ter recebido “um real sequer” da JBS. Gustavo Perrella, filho de Zezé e secretário nacional de futebol e defesa dos direitos do torcedor, que por pouco tempo já foi o homem forte do futebol do Cruzeiro, também está envolvido, já que a empresa que recebeu os recursos, Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários, está em nome dele.

Outro conselheiro do Cruzeiro investigado no caso JBS, pela operação Lava Jaro, é Euller Nogueira Mendes.

O presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho Tavares, por meio da assessoria de imprensa do clube, posicionou-se oficialmente em nota enviada à reportagem: “O presidente Gilvan de Pinho Tavares acompanha com atenção os fatos envolvendo os conselheiros do Cruzeiro, mas aguarda mais detalhes das investigações para fazer qualquer comentário. Ele reforça, no entanto, que nenhum dos envolvidos integra sua atual diretoria. O presidente ainda afirma que não tem poder de tomar qualquer decisão sobre os conselheiros e que este poder cabe somente ao próprio conselho e de seu presidente”.

Para conhecer os reflexos dessas acusações na vida política do Cruzeiro, o Superesportes entrou em contato com vários conselheiros. O presidente do conselho e um dos maiores defensores da candidatura de Perrella à presidência, João Carlos Gontijo Amorim, estava em viagem e não quis comentar. Um interlocutor dele disse que “Gontijo vai aguardar mais informações para se posicionar”. Gontijo é um velho amigo de Perrella, sempre visto com o ex-presidente em eventos em Belo Horizonte e Brasília.

O vice-presidente do conselho, Celso Fernandes Tolentino, não quis emitir opinião. Outros integrantes do conselho deliberativo também preferiram o silêncio. Muitos evitam as críticas públicas a Perrella, que, mesmo com as acusações, ainda conta com muitos aliados. 

Alvimar de Oliveira Costa
, irmão de Zezé e ex-presidente do clube, disse que “não sabe o que passa na cabeça de Perrella” em relação à candidatura ao cargo máximo do clube.

Os efeitos reais à imagem de Perrella no clube só serão conhecidos com o desenrolar das investigações. Mas já é possível aferir que houve perda de força política. O vice-presidente do Cruzeiro e uma das figuras mais influentes na política do clube, José Francisco Lemos Filho, acredita que os fatos divulgados pela imprensa podem complicar a candidatura de Perrella.

“Tudo tem que ser investigado e decidido na Justiça. O Perrella vai ter todo espaço para se defender. Mas as acusações influenciam e atrapalham muito a vida política dele, seja no Cruzeiro seja como homem público”, afirmou Lemos. “Sempre me dei muito bem com o Perrella, tenho ótima relação, lamento demais. Mas podemos avaliar que ele, de certa forma, colherá prejuízos na campanha dele”, acrescentou Lemos, presidente do Cruzeiro em 1954 e que foi vice de Zezé Perrella no Cruzeiro na década de 1990.

Outro que não se furtou a avaliar a situação foi o diretor financeiro do Cruzeiro, José Ramos de Araújo. Ele acredita que ainda é cedo para ter uma noção do estrago nas ambições políticas de Perrella. “É uma situação que a gente não pode falar muita coisa a respeito porque a gente está tomando conhecimento por meio da imprensa. Não conhecemos todas as informações. Mas a imagem do Perrella fica um pouco arranhada. Não há como negar”, avaliou.

A reportagem tentou contato com Zezé Perrella nesta quinta-feira, mas ele não atendeu as chamadas. O senador se manifestou na noite de quarta sobre as denúncias e se defendeu, alegando que sequer conhece Joesley Batista, presidente da JBS.

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