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Brasil247 - A oscilação registrada em levantamentos recentes sobre a disputa presidencial de 2026 reacendeu o debate sobre o humor do eleitorado e o peso real de cada indicador neste início de pré-campanha, especialmente quando o presidente é candidato à reeleição.
Em entrevista à TV 247, o cientista político Antônio Lavareda defendeu que, neste momento, mais importante do que observar apenas intenção de voto é acompanhar de perto os índices de aprovação e desaprovação do governo, por se tratar, segundo ele, de uma eleição que tende a funcionar como um “plebiscito” sobre o desempenho do incumbente.
Aprovação e desaprovação: o termômetro mais decisivo agora
Lavareda avaliou que, ao longo do ano, haverá grande volume de pesquisas e diferenças entre institutos, com maior convergência apenas mais adiante. Por isso, recomendou deslocar o foco para a avaliação do governo: “Naquelas eleições (…) nas quais o incumbente é candidato, a eleição em boa medida gira em torno dele. É de alguma forma uma espécie de plebiscito em relação ao desempenho do presidente de plantão.”
Na análise do especialista, o principal dado do levantamento citado na entrevista é a queda de aprovação do presidente Lula no período recente, independentemente de divergências metodológicas entre institutos.
Crítica metodológica: os limites de uma pesquisa 100% online
Ao comentar a pesquisa Atlas, Lavareda destacou que o método baseado inteiramente em entrevistas online enfrenta obstáculos no Brasil, sobretudo por barreiras de acesso e escolaridade. Ele citou a proporção de analfabetismo funcional e a dificuldade de inclusão desse público em questionários digitais: “Nós temos 29% (…) compostos de analfabetos funcionais (…) É muito difícil você supor que um analfabeto funcional responda, interaja, se inscreva para participar de uma pesquisa online.”
Ele também apontou que, na sua avaliação, o alcance efetivo de um levantamento totalmente online não cobre a totalidade do eleitorado: “Eu calculo que 66% do universo seja efetivamente o alcance de uma pesquisa 100% online no Brasil.” Ainda assim, ponderou que o instituto deve ser considerado e acompanhado em sua própria série histórica: “O Atlas é um instituto com dados críveis.”
Sapucaí e noticiário negativo: por que a popularidade pode cair
Lavareda associou a queda de aprovação ao episódio envolvendo a presença de Lula na Sapucaí e, sobretudo, à repercussão que se seguiu. Para ele, o efeito político se constrói pelo volume de notícias e comentários negativos: “Como não há outro fato que eventualmente justificasse essa queda, é a única coisa que pode se atribuir é ao episódio da Sapucaí (…) o noticiário, os comentários, a repercussão predominantemente negativa.”
Ao explicar o mecanismo, sintetizou: “Toda vez que aumenta o noticiário negativo sobre uma instituição ou sobre um ator político, (…) termina subtraindo popularidade.” Ele mencionou ainda que, quando o tema permanece na agenda e ganha desdobramentos, pode consolidar impressões desfavoráveis, especialmente entre eleitores com menor escolaridade, que tendem a absorver o efeito geral do noticiário.
O “sinal de risco” e a régua dos 45% a 50%
Embora tenha feito ressalvas sobre a metodologia, Lavareda disse que não recomenda desprezar o alerta emitido pelo levantamento e defendeu que o governo deve interpretar o recado. “Eu não aconselharia a desmerecer o que o Atlas registrou.”
Em seguida, explicou a faixa de competitividade de presidentes que buscam reeleição a partir do patamar de aprovação: “Entre 45 e 50, os presidentes são bastante competitivos.” E detalhou as consequências políticas: “Se ultrapassar os 50 pontos, serão amplamente favoritos. Se se aproximam dos 45, são levemente favoritos. E se caem abaixo dos 45 pontos o sinal que a pesquisa emite é um sinal de risco à reeleição.”
No retrato discutido, Lavareda concluiu que Lula ainda aparece em posição competitiva: “Nessa pesquisa o presidente Lula ainda aparece com um leve favoritismo para perseguir a sua reeleição em 2026.”
Escândalos e o efeito de “poluir” o ambiente político
Lavareda também disse que episódios de grande repercussão podem contaminar o ambiente político ao capturar a atenção pública e afetar a imagem de instituições, mesmo quando não atingem diretamente o presidente. “Escândalos dessa magnitude, eles poluem o noticiário.” E completou: “Não há como esses escândalos não terminarem afetando a imagem e a presidência da República termina sendo afetada.”
Questionado sobre como um governo deve agir, ele evitou prescrever estratégias e afirmou que seu foco era o diagnóstico: “Fica mais fácil identificarmos o problema do que fazermos prescrições de comportamento. Eu não me candidato a fazer consultoria aqui pro governo.”
Economia: resultados e percepção, o desafio eleitoral
A entrevista também abordou o contraste entre indicadores econômicos e percepção popular, ponto que Lavareda considera central para qualquer projeto de reeleição. Ele defendeu que economia, para o eleitor, não se resume a estatísticas: “Quando a gente fala de economia nós estamos falando na dimensão subjetiva, ou seja, na percepção das pessoas.”
Para ilustrar, citou dados de pesquisas mencionadas na conversa e argumentou que o governo não conseguiu converter ganhos objetivos em maioria de percepção favorável: “O governo tem ganhos efetivos mas não conseguiu convencer a maioria de que esses ganhos existem.” E reforçou a centralidade do tema na vida real: “Economia governa 3/4 da vida das pessoas.”
PSD e direita moderada: disputa pelo campo do centro à direita
Lavareda ainda avaliou que pode haver espaço para a emergência de uma candidatura da direita moderada, com potencial de disputar com o bolsonarismo a representação do eleitorado do centro à direita. Ele criticou o rótulo “terceira via” para esse movimento e reinterpretou o fenômeno: “Nada mais inadequado do que chamar esse projeto de terceira via.” Para ele, trata-se de uma tentativa de “retomada” de um espaço político perdido.
Em outro trecho, Lavareda sustentou que, historicamente, a contenção da extrema direita em diferentes países tende a vir do campo conservador moderado, e não da esquerda: “Quem contém a extrema direita não é a esquerda. Quem contém é a direita moderada.”
“O que é o Lula 3?”
Na reta final da conversa, Lavareda apontou o que considera um problema de fundo na imagem do atual governo: a falta de uma definição clara do significado político do terceiro mandato. “A imagem do Lula 3 (…) qual é o significado do Lula 3? Boa parte dos brasileiros não sabe.” E concluiu que essa resposta é estratégica para qualquer tentativa de continuidade: “Quem pretende produzir o Lula 4, tem que saber o que é o Lula 3.”
Ao encerrar, ele recomendou uma leitura mais cuidadosa das pesquisas ao longo do ano, com atenção a questionários, metodologia e comparação por saldos, e não apenas por números isolados: “Quando comparar as pesquisas, ao invés dos números, compare os saldos e sempre que possível considere o conjunto dos dados.”
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Em entrevista à TV 247, o cientista político Antônio Lavareda defendeu que, neste momento, mais importante do que observar apenas intenção de voto é acompanhar de perto os índices de aprovação e desaprovação do governo, por se tratar, segundo ele, de uma eleição que tende a funcionar como um “plebiscito” sobre o desempenho do incumbente.
Aprovação e desaprovação: o termômetro mais decisivo agora
Lavareda avaliou que, ao longo do ano, haverá grande volume de pesquisas e diferenças entre institutos, com maior convergência apenas mais adiante. Por isso, recomendou deslocar o foco para a avaliação do governo: “Naquelas eleições (…) nas quais o incumbente é candidato, a eleição em boa medida gira em torno dele. É de alguma forma uma espécie de plebiscito em relação ao desempenho do presidente de plantão.”
Na análise do especialista, o principal dado do levantamento citado na entrevista é a queda de aprovação do presidente Lula no período recente, independentemente de divergências metodológicas entre institutos.
Crítica metodológica: os limites de uma pesquisa 100% online
Ao comentar a pesquisa Atlas, Lavareda destacou que o método baseado inteiramente em entrevistas online enfrenta obstáculos no Brasil, sobretudo por barreiras de acesso e escolaridade. Ele citou a proporção de analfabetismo funcional e a dificuldade de inclusão desse público em questionários digitais: “Nós temos 29% (…) compostos de analfabetos funcionais (…) É muito difícil você supor que um analfabeto funcional responda, interaja, se inscreva para participar de uma pesquisa online.”
Ele também apontou que, na sua avaliação, o alcance efetivo de um levantamento totalmente online não cobre a totalidade do eleitorado: “Eu calculo que 66% do universo seja efetivamente o alcance de uma pesquisa 100% online no Brasil.” Ainda assim, ponderou que o instituto deve ser considerado e acompanhado em sua própria série histórica: “O Atlas é um instituto com dados críveis.”
Sapucaí e noticiário negativo: por que a popularidade pode cair
Lavareda associou a queda de aprovação ao episódio envolvendo a presença de Lula na Sapucaí e, sobretudo, à repercussão que se seguiu. Para ele, o efeito político se constrói pelo volume de notícias e comentários negativos: “Como não há outro fato que eventualmente justificasse essa queda, é a única coisa que pode se atribuir é ao episódio da Sapucaí (…) o noticiário, os comentários, a repercussão predominantemente negativa.”
Ao explicar o mecanismo, sintetizou: “Toda vez que aumenta o noticiário negativo sobre uma instituição ou sobre um ator político, (…) termina subtraindo popularidade.” Ele mencionou ainda que, quando o tema permanece na agenda e ganha desdobramentos, pode consolidar impressões desfavoráveis, especialmente entre eleitores com menor escolaridade, que tendem a absorver o efeito geral do noticiário.
O “sinal de risco” e a régua dos 45% a 50%
Embora tenha feito ressalvas sobre a metodologia, Lavareda disse que não recomenda desprezar o alerta emitido pelo levantamento e defendeu que o governo deve interpretar o recado. “Eu não aconselharia a desmerecer o que o Atlas registrou.”
Em seguida, explicou a faixa de competitividade de presidentes que buscam reeleição a partir do patamar de aprovação: “Entre 45 e 50, os presidentes são bastante competitivos.” E detalhou as consequências políticas: “Se ultrapassar os 50 pontos, serão amplamente favoritos. Se se aproximam dos 45, são levemente favoritos. E se caem abaixo dos 45 pontos o sinal que a pesquisa emite é um sinal de risco à reeleição.”
No retrato discutido, Lavareda concluiu que Lula ainda aparece em posição competitiva: “Nessa pesquisa o presidente Lula ainda aparece com um leve favoritismo para perseguir a sua reeleição em 2026.”
Escândalos e o efeito de “poluir” o ambiente político
Lavareda também disse que episódios de grande repercussão podem contaminar o ambiente político ao capturar a atenção pública e afetar a imagem de instituições, mesmo quando não atingem diretamente o presidente. “Escândalos dessa magnitude, eles poluem o noticiário.” E completou: “Não há como esses escândalos não terminarem afetando a imagem e a presidência da República termina sendo afetada.”
Questionado sobre como um governo deve agir, ele evitou prescrever estratégias e afirmou que seu foco era o diagnóstico: “Fica mais fácil identificarmos o problema do que fazermos prescrições de comportamento. Eu não me candidato a fazer consultoria aqui pro governo.”
Economia: resultados e percepção, o desafio eleitoral
A entrevista também abordou o contraste entre indicadores econômicos e percepção popular, ponto que Lavareda considera central para qualquer projeto de reeleição. Ele defendeu que economia, para o eleitor, não se resume a estatísticas: “Quando a gente fala de economia nós estamos falando na dimensão subjetiva, ou seja, na percepção das pessoas.”
Para ilustrar, citou dados de pesquisas mencionadas na conversa e argumentou que o governo não conseguiu converter ganhos objetivos em maioria de percepção favorável: “O governo tem ganhos efetivos mas não conseguiu convencer a maioria de que esses ganhos existem.” E reforçou a centralidade do tema na vida real: “Economia governa 3/4 da vida das pessoas.”
PSD e direita moderada: disputa pelo campo do centro à direita
Lavareda ainda avaliou que pode haver espaço para a emergência de uma candidatura da direita moderada, com potencial de disputar com o bolsonarismo a representação do eleitorado do centro à direita. Ele criticou o rótulo “terceira via” para esse movimento e reinterpretou o fenômeno: “Nada mais inadequado do que chamar esse projeto de terceira via.” Para ele, trata-se de uma tentativa de “retomada” de um espaço político perdido.
Em outro trecho, Lavareda sustentou que, historicamente, a contenção da extrema direita em diferentes países tende a vir do campo conservador moderado, e não da esquerda: “Quem contém a extrema direita não é a esquerda. Quem contém é a direita moderada.”
“O que é o Lula 3?”
Na reta final da conversa, Lavareda apontou o que considera um problema de fundo na imagem do atual governo: a falta de uma definição clara do significado político do terceiro mandato. “A imagem do Lula 3 (…) qual é o significado do Lula 3? Boa parte dos brasileiros não sabe.” E concluiu que essa resposta é estratégica para qualquer tentativa de continuidade: “Quem pretende produzir o Lula 4, tem que saber o que é o Lula 3.”
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