A declaração do prefeito Álvaro Damião (União Brasil) de que a Federação União Progressista “não será palanque de ninguém” acirrou a resistência interna de quadros do Partido Liberal (PL) a uma eventual candidatura de Marcelo Aro (PP) ao governo de Minas Gerais. O entendimento do coordenador da federação formada por União e PP em Minas contraria os interesses dos liberais, que têm como prioridade garantir espaço em Minas ao senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante a campanha eleitoral. 

A fala de Damião, em questão, foi feita durante coletiva à imprensa nessa segunda-feira, após a convenção de União e PP. Interlocutores do PL, porém, rejeitam a ideia de formar aliança em torno de uma possível candidatura encabeçada por Aro sem que haja associação direta com Flávio Bolsonaro. O ex-secretário já acumulava desgastes na legenda, como mostrou O TEMPO, antes mesmo da declaração do prefeito da capital. 

Reservadamente, um deputado do PL citou que a declaração trouxe um “peso” maior à rejeição já existente. O entendimento relatado à reportagem é que não há motivos para manter o apoio a uma candidatura que não “esteja agregando” politicamente à campanha de Flávio Bolsonaro. “É uma situação complicada porque o PL é o maior partido do Brasil e em uma composição assim acaba não se beneficiando, mas beneficiando outro partido”, frisou outro parlamentar sob reservas.

Em meio ao clima de insatisfação, cresce também a defesa para que o partido recalcule a rota e avance com uma candidatura própria para disputar o governo de Minas. O deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL-MG), vice-presidente da legenda na Assembleia, defende que o PL tenha o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, como candidato ao Palácio Tiradentes. 

“Porque como ele foi deputado federal e prefeito e também um empresário de sucesso, e dado o fato de que o estado de Minas tem uma situação orçamentária muito delicada de endividamento, eu vejo que ele pode ser potencialmente o melhor gestor para poder cuidar do estado de Minas. E é claro que para além disso é fundamental que o Partido Liberal tenha uma base forte para defender o nome de Flávio Bolsonaro, é a nossa prioridade eleger o presidente da República", salientou. 

A preferência por Medioli é compartilhada com outros parlamentares da legenda. Na mesma linha que correligionários, Caporezzo disse ainda que o momento é de o PL se fortalecer internamente. “Eu vejo como estratégico que o PL construa essa casa política dentro do seu lote e não apoiando um outro que pode futuramente, e as eleições já estão aí, não se dedicar como deveria à candidatura de Flávio Bolsonaro”, finalizou. 

Responsável por encabeçar a oposição a Damião na Câmara Municipal de BH, o vereador e candidato a deputado estadual Pablo Almeida destacou que nunca esperou do prefeito um palanque a Flávio Bolsonaro. "Principalmente tendo em vista que ele esteve ao lado do Lula em diversas vezes e tem como secretários alguns indicados e membros do PT e outros partidos de esquerda na prefeitura", frisou. 

Almeida, que é um dos pupilos do deputado federal Nikolas Ferreira, reforçou ainda que o PL priorize um projeto capaz de dar sustentação à campanha de Flávio Bolsonaro em Minas. "É impensável um projeto em Minas Gerais, ao governo do Estado, que não passe por um apoio a candidatura nacional. A posição de neutralidade já é um posicionamento também. E nesse cenário que está posto o que a campanha nacional precisa é de um palanque aqui em Minas. E na minha visão isso não pode ser descartado", frisou. 

Impasse

As rejeições a Aro dentro de alas do PL se dão em meio ao impasse que se mantém entre o senador Cleitinho Azevedo e o Republicanos. O senador, nessa segunda-feira, gravou vídeo dizendo, aos prantos, que não seria candidato ao governo de Minas. Na manhã desta terça-feira, recuou e disse que desejava ser candidato. O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, porém, tratou o assunto como “página virada” e indicou que não cederá. 

Em meio ao cenário indefinido, Marcelo Aro (PP) fez discurso de candidato ao governo durante a convenção entre União Brasil e PP nessa segunda. Na ocasião, afirmou que a situação se resolveria nesta quarta-feira, mantendo o nome à disposição da federação para encabeçar a chapa majoritária para o governo. 

Questionado sobre o alinhamento que a federação teria em Minas, caso Marcelo Aro seja candidato, Damião afastou oferecer palanques nacionais no estado. “Não é o palanque de ninguém (possível candidatura de Aro).

Não é o palanque desse ou daquele. União Brasil e PP, a federação, está aberta a conversar. Nós falamos isso desde o início. E isso é uma direção nacional. A federação União Brasil e PP já decidiu nacionalmente que não vai tomar partido para esse lado. Então, nós vamos aguardar para definir as coisas para Minas Gerais e escolher o melhor para Minas e para os mineiros”, disse Damião.