Faltando menos de três meses para o primeiro turno das eleições gerais, em 4 de outubro, o cenário da disputa em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente decisivo no pleito presidencial, permanece indefinido. Não há, até o momento, candidaturas consolidadas entre os principais grupos políticos que polarizam o pleito nacional, nem mesmo a indicação de vice nas chapas.

Na direita, o quadro segue incerto. Apesar de o presidente estadual do Republicanos, deputado federal Euclydes Pettersen, afirmar que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) disputará o governo de Minas, a ausência de confirmação pública mantém dúvidas sobre sua candidatura ao Palácio Tiradentes. Caso se confirme, ainda restam indefinidos o candidato a vice, a composição da chapa e os nomes ao Senado, além das alianças partidárias.

Internamente, Cleitinho sinaliza que pretende disputar o cargo e que fará o anúncio após a Copa do Mundo, que termina em 19 de julho, um dia antes do início das convenções partidárias que definirão as candidaturas. No entanto, prazos anteriores para essa definição foram sucessivamente adiados. Enquanto não há decisão, outro segmento da direita, liderado pelo Partido Liberal (PL), permanece em compasso de espera.

A indefinição de Cleitinho trava a formação da chapa majoritária do PL no estado, considerada estratégica para a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que busca um palanque robusto em Minas Gerais. O partido aprovou aliança com o Republicanos e descartou apoio à reeleição do governador Mateus Simões (PSD), mas avalia lançar candidatura própria. Entre os cotados estão o presidente licenciado da Fiemg, Flávio Roscoe, e o empresário e ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli, ambos recém-filiados ao PL.

Até o momento, a única decisão da legenda é a candidatura do deputado federal Domingos Sávio ao Senado. O partido também pode indicar o vice de Cleitinho, hipótese considerada remota. O senador tem reiterado a intenção de formar uma chapa “puro-sangue” com o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão, que deixou o cargo e se filiou ao Republicanos em abril.

Simões

A indefinição do senador Cleitinho também impacta a candidatura à reeleição do governador Mateus Simões e a montagem de sua chapa. Simões ainda não definiu seu candidato a vice, nem como deve ser sua chapa para a disputa pelo Senado. O nome do vice depende das alianças que o governador conseguir fechar no campo do centro e da direita, todas na dependência da decisão do senador.

Simões tem expectativa de obter o apoio da federação formada por União Brasil e PP, mas o comando das duas siglas no estado é do prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), que tem dado, a cada dia, sinais de distanciamento de Simões. A federação ainda enfrenta outro impasse que pode inviabilizar um acordo com o governador.

O ex-secretário da Casa Civil, Marcelo Aro, pré-candidato ao Senado, disse publicamente que não vai formar chapa com o senador Carlos Viana, que se filiou ao PSD para disputar a reeleição para uma das duas vagas em disputa para Câmara Alta. Nos bastidores, a fala de Aro, que comanda informalmene o PP no estado, é avaliada como uma preparação para que a federação União-PP migre para a candidatura de Cleitinho.

Centro-esquerda 

No campo da centro-esquerda, a indefinição se aprofundou após recusas de nomes considerados centrais, deixando em aberto o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado. O senador Rodrigo Pacheco (PSD), visto como opção de consenso, desistiu da disputa, o que forçou a reconfiguração das articulações e ampliou divergências internas.

A ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) também recusou disputar o governo e mantém a intenção de concorrer ao Senado. Ela defende que o PT não lance candidatura própria e apoie um nome de partido aliado, como o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) ou o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares (PSB).

A direção estadual do PT aprovou resolução em favor de candidatura própria, decisão criticada por Marília Campos, que a classificou como um “equívoco”. Ainda assim, a presidente do partido em Minas, deputada Leninha, afirmou que não há definição consolidada.

Ex-reitora

Caso opte por candidatura própria, o nome mais cotado é o da ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais Sandra Goulart. Parte da legenda resiste à composição com Gabriel Azevedo ou Jarbas Soares, avaliando que ambos não ultrapassam dois dígitos nas sondagens, patamar que o partido acredita alcançar com qualquer candidatura própria.

Segundo um dirigente partidário, uma eventual aliança tenderia a se dar em torno de Gabriel Azevedo, que conta com apoios relevantes, como o de Marília Campos e do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, além da simpatia do presidente nacional do PT, Edinho Silva.

No campo aliado ao governo federal, o PDT também lançou candidatura própria, com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. A possibilidade de aliança entre PT e PDT, no entanto, foi descartada após uma reunião desastrosa entre Kalil e Edinho. Além disso, em torno de Kalil também pairam dúvidas se ele será candidato a governador ou a senador. Ele tem feito pré-campanha para o comando do estado.

Mas, de acordo com pedetistas, se a legenda não obtiver apoios que ampliem o tempo no horário eleitoral gratuito e os recursos para o financiamento da campanha, Kalil pode mesmo é disputar o Senado ou, quem sabe, uma vaga de deputado federal. O ex-prefeito também segue com sua chapa indefinida, sem definir ainda quem será o candidato a vice-governador e também os nomes para o Senado.