O ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares (PSB) segue tentando formar alianças para projetar sua pré-candidatura ao governo do Estado. Nessa quinta-feira (9/7), ele se reuniu para um almoço com o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União).

Segundo o pessebista, os dois tentavam marcar o encontro há cerca de dois meses, mas não conseguiam conciliar as agendas. "Conversamos sobre o cenário político de Minas. Temos uma amizade pessoal e ele tem muita simpatia pela possibilidade do meu nome", afirmou Jarbas.

O encontro contou ainda com a presença do presidente do PSB em Minas e prefeito de Conceição do Mato Dentro Otacílio Neto, do secretário de Governo da Prefeitura de Belo Horizonte, Guilherme Daltro e do vereador Diego Sanches (Solidariedade).

Hoje, a legenda de Damião está federada com o Progressistas (PP). Jarbas já tentava uma aproximação com as siglas nas últimas semanas quando dividiu agenda com Marcelo Aro(PP) - nome influente nas agremiações - em Mariana. Aro, porém, já está "fechado" a com chapa do governador Mateus Simões(PSD) - que tenta reeleição - para disputar uma vaga no Senado Federal. A federação ainda não chegou num consenso se apoiará Simões ou construirá uma aliança com o PL para o posto do Palácio Tiradentes. 

Por outro lado, pessoas próximas a Damião afirmam que ele não tem simpatia em apoiar Simões para o Palácio Tiradentes, o que pode abrir espaço para Jarbas. Um obstáculo para uma aliança com o pessebista, porém, é o cenário nacional. Isso porque interlocutores das legendas afirmam que a tendência é que a federação União Progressista permaneça neutra na disputa pela Presidência da República em 2026. O partido de Jarbas, por sua vez, conta com Alckmin no cenário nacional, cotado para seguir como vice de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em campanha pela reeleição.

Em Minas, contudo, Otacílio Neto, reafirmou no início de junho que a legenda mantém o projeto de disputar o Palácio Tiradentes com candidatura própria, o que reduz as chances de uma composição com o PT. Já Jarbas afirmou à reportagem que isso não impactou as conversas entre as duas siglas, que seguem em articulação para possibilidade de uma "frente ampla" de partidos democráticos no Estado — hipótese já defendida por ele em entrevista ao Café com Política.

Do lado petista, a legenda segue discutindo se lançará um nome próprio ou apoiará outro partido. Parte da sigla, inclusive, aguardava uma reunião com Lula, nesta sexta-feira(10/7), para avançar nessa definição, mas encontro não prosperou. Nas últimas semanas, ganhou força a possibilidade do deputado federal Patrus Ananias (PT) representar a legenda na disputa pelo governo. Apesar dos elogios ao parlamentar, Jarbas afirmou a O TEMPO que ainda não foi procurado para tratar do tema. Pessoas próximas ao pessebista afirmam que ele aguarda uma reunião com Lula antes de definir os próximos passos das negociações. Outro entrave com o campo petista é que Jarbas já declarou que não aceita ser vice do ex-vereador de Belo Horizonte e também pré-candidato ao Palácio Tiradentes Gabriel Azevedo (MDB), outro nome que já vinha dialogando com o PT em busca de uma composição.

Segundo membros próximos a Executiva estadual do PT em Minas Jarbas estaria no "banco de reservas". "Pode ser chamado pra ser vice do PT ou do Gabriel. Ou pode ser candidato ao senado, pra fazer dobrada com Marília, porque Marília precisa de um segundo voto", afirmou um interlocutor, sob reservas de anonimato. Segundo ele, mesmo que o pré-candidato pelo PSB não ganhe, consegue projeção para disputar a prefeitura de BH - que seria um dos objetivos do ex-procurador geral de Justiça.