A menos de um mês do início das convenções partidárias, etapa que oficializa candidaturas e coligações para as eleições, os dois principais polos da política nacional ainda convivem com um cenário de indefinição em Minas Gerais. Tanto o PT quanto o PL seguem discutindo se disputarão o Palácio Tiradentes com candidatos próprios ou se apoiarão nomes aliados.

O PL nesse momento repete, em certa medida, os passos do PT, que permaneceu em compasso de espera pela decisão do senador Rodrigo Pacheco (PSB), e agora aguarda a definição do também senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).

Ao Estado de Minas, o presidente estadual do PL, deputado federal Zé Vitor, sinalizou que a legenda está disposta a manter a cautela mesmo após ter, conforme mostrou o EM, apresentado um “ultimato” ao parlamentar. “Precipitar o anúncio nos faria apenas ficar sob o holofote, enquanto outros campos ainda não definiram seus nomes”, afirmou. “Vamos sem pressa”, acrescentou.

Cleitinho e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro se encontraram durante a passagem do “filho 01” do ex-presidente Jair Bolsonaro por Minas Gerais no início deste mês. Do encontro teria surgido um prazo para que a indefinição não avançasse até o período das convenções partidárias, previsto para começar em 20 de julho. Cleitinho, entretanto, solicitou mais dez dias “para conversar com a família e terminar de avaliar”, relatou ao EM o secretário-geral do PL, Domingos Sávio.

O discurso do PL agora passou a indicar uma disposição maior para aguardar. “Estamos bem alinhados e tranquilos. Paralelamente, conjuntamente, temos trabalhado para montar uma boa proposta de Governo. Essa é a prioridade agora”, declarou Zé Vitor ontem à reportagem. "Nós já tivemos uma conversa. Agora é questão de tempo para qualquer anúncio”, completou

À espera de Cleitinho, a legenda encomendou pesquisas quantitativas e qualitativas para avaliar o potencial eleitoral de dois recém-filiados: o empresário Flávio Roscoe e o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli, nomes que poderiam integrar alternativas eleitorais caso a candidatura de Cleitinho não se concretize.

O próprio senador, por sua vez, tem demonstrado pouca pressa para anunciar sua decisão. Em entrevista concedida ao jornal O Globo, afirmou que pretendia deixar a definição para mais adiante. “Só vou decidir depois, em junho eu quero é ver os jogos da Copa”, declarou. O discurso foi repetido dias depois durante sessão plenária do Senado. A Copa do Mundo termina em 19 de julho, apenas um dia antes da largada oficial nas convenções partidárias.

Além da decisão sobre a candidatura, ainda existem impasses relacionados à composição da chapa. A preferência de Cleitinho é disputar a eleição ao lado de seu correligionário Luís Eduardo Falcão (Republicanos), formando uma chamada “chapa pura”.

A proposta teria recebido sinal verde de Flávio Bolsonaro durante o encontro realizado em Minas Gerais, do qual Falcão também participou. A configuração, entretanto, reduziria o protagonismo do PL na construção do projeto eleitoral, sobretudo por não reservar à legenda a indicação do candidato a vice-governador.

Campo progressista
O PT, por outro lado, após aguardar por quase um ano por Pacheco, agora trabalha para definir, em até 10 dias, quem representará o presidente no estado. A informação foi antecipada pela secretária nacional de Finanças do PT, Gleide Andrade, durante entrevista coletiva realizada na sexta-feira, em evento que contou com a presença de Lula em Minas Gerais.

A visita presidencial marcou o primeiro compromisso de Lula no estado desde que Pacheco anunciou oficialmente que não concorreria ao Palácio Tiradentes. Sem Pacheco, o PT iniciou uma nova rodada de avaliações internas e a tendência passou a favorecer uma candidatura própria, especialmente após os resultados de uma pesquisa apresentada à cúpula partidária no mesmo dia da passagem do presidente por Minas. 

Como não houve reunião com Lula em Belo Horizonte, a direção estadual pretende apresentar os números ao presidente e à executiva nacional para reforçar a defesa da candidatura própria. “Fizemos uma pesquisa, um campo muito grande do PT, e com base nela estamos fazendo um combinado de em 10 dias a gente ver o caminho que iremos seguir. Nós temos bons nomes dentro do PT e podemos conversar ainda com candidaturas do campo. Mas a nossa grande tendência é caminhar para uma candidatura própria”, afirmou Gleide Andrade. 

À exceção da pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT), que é uma das cotadas para o Palácio Tiradentes, a direção do PT mineiro defende a candidatura própria ao governo em vez de apoiar nomes do campo aliado. Entre os dirigentes petistas, ganha força a avaliação de que o partido precisa enfrentar a rejeição que os tem afastado da candidatura majoritária própria.

Paralelamente, também cresce uma articulação em torno do nome do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), defendida inclusive pela ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, que se reuniu com o emedebista nas últimas semanas.

No início deste mês, os presidentes nacionais das duas siglas, Edinho Silva e Baleia Rossi, reuniram-se em Brasília para discutir possibilidades de composição no estado. Apesar das conversas em curso, o presidente estadual do MDB, deputado federal Newton Cardoso Jr., afirmou à imprensa que uma negociação entre os partidos “ainda não ocorreu”.

Presente ao lado de Lula durante a inauguração do Hospital Regional de Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, ele defendeu a construção de uma alternativa capaz de reduzir a polarização que marca a disputa em Minas Gerais. “É preciso construir uma frente ampla, olhar para o centro e ter compromisso com o desenvolvimento do estado. O endividamento de Minas é hoje a pauta mais importante que estamos discutindo dentro do MDB”, declarou.