O senador Carlos Viana (PSD) acompanhou o governador Mateus Simões (PSD) em apenas três das 18 cidades visitadas pelo programa Governo Presente, iniciativa em que cada município recebe simbolicamente o título de capital de Minas Gerais durante a passagem da comitiva estadual. O número reduzido tem chamado a atenção de parte da legenda que já anda insatisfeita com a postura de Simões envolvendo a construção da chapa que o acompanhará nas eleições de outubro. 

O principal incômodo é voltado para os postos do Senado Federal. Isso porque apesar do presidente do diretório estadual dos pessedistas, Cássio Soares, cravar presença de Viana na chapa Simões, até o momento garantiu o espaço apenas a Marcelo Aro (PP). Ele chegou a indicar que caso a segunda vaga não ficasse com o PL - sigla com a qual ele discutia uma aliança - a possibilidade de Viana ingressar na chapa não era uma hipótese descartada. A leitura do senador e parte de seus apoiadores na legenda, porém, é que o governador não abraçou efetivamente a pré-candidatura do correligionário. 

Segundo interlocutores, para Viana, há uma sensação de falta de reciprocidade. Enquanto ele estaria projetando o nome de Simões, o governador ‘não leva’ o nome do senador da mesma forma por onde passa.  Aliados afirmam que o senador convidou recentemente Simões para participar de um encontro com prefeitos mineiros em Brasília, mas o governador não compareceu em razão de agenda em Ponte Nova.

O entorno de Viana lembra ainda que, antes do senador migrar do Podemos para o PSD, ele declarou ao Café com Política que apoiaria Cleitinho para o governo de Minas. Logo quando se filiou ao PSD, porém, afirmou que caminharia com Simões na disputa. 

O clima de desconfiança, inclusive, já havia começado ainda pouco após a oficialização de Viana nos quadros do PSD. Isso porque nas vésperas da filiação Simões chegou a dizer que as conversas envolvendo a chegada do senador na legenda foram feitas com a direção nacional do partido, comandado por Gilberto Kassab. De acordo com apuração de O TEMPO, porém, Simões e Viana chegaram a se encontrar quando as conversas de filiação foram iniciadas. 

Procurado pela reportagem, porém, Viana afirma que não sente falta de apoio.  “tudo isso tem um momento certo. O governador sabe bem o que está fazendo e terá todo o nosso apoio.” O senador destacou ainda que o PSD tem  um projeto muito bem muito bem definido para o Senado e para o Governo de Minas, com o seu nome para o senado e de Simões para o governo de Minas. Viana não citou o nome de Marcelo Aro (PP), mas disse que a sigla está em “fase de novos acordos e acertos”

Outro ponto que estaria incomodando uma parte da legenda é que Simões não têm aparecido em agendas no estado com o pré-candidato à presidência da sigla, Ronaldo Caiado. As últimas cinco agendas do presidenciável no estado contaram com a presença dos presidentes nacional e estadual da sigla, além do próprio Viana, mas em apenas uma, o pré-candidato ao Executivo estadual também esteve presente. O único momento desses cinco encontros, que os dois dividiram o palco ocorreu em Uberaba, em abril. O evento em questão tinha como objetivo reunir prefeitos do Triângulo Mineiro, mas era composto majoritariamente por nomes do PSD.

Mateus Simões foi procurado, mas até a publicação desta edição não respondeu à reportagem. O espaço segue aberto.