Eleições 2026

A eleição para o Senado colocou em lados opostos o ex- secretário da Casa Civil, Marcelo Aro (PP), e o senador Carlos Viana (PSD). Embora integrem o mesmo campo político e façam parte da base de apoio à reeleição do governador Mateus Simões (PSD), eles têm protagonizado embates em torno da definição da chapa majoritária, que pode ser formada pelos dois, apesar das divergências públicas.

Aro disse que já comunicou a Simões que não vai dividir palanque  com o senador que busca a reeleição. “Não vou dividir chapa com o Carlos Viana, já deixei isso muito claro (para Simões)”, afirmou.

O ex-secretário disse não acreditar na política que Viana exerce. “Política é a arte de resolver o problema das pessoas, é vocação, é missão, é sacerdócio. Eu não acredito que o Viana faz isso, então não tem chance nenhuma de eu estar no mesmo palanque que ele”, afirmou Aro, em entrevista ao Estado de Minas. 

Questionado se isso poderia ameaçar o apoio do PP a Simões, ainda não definido oficialmente, Aro disse que a decisão sobre manter ou não Viana na disputa pelo Senado é do PSD. Segundo ele, o combinado era o seu partido apoiar Simões e o governador a sua candidatura ao Senado, mas, com a ida de Viana para o PSD, a cadeira do PP no Senado fica “ameaçada”. No entanto, afirma Aro, esse não é o principal motivo das divergências  com Viana que, segundo ele, teve seu voto na disputa pelo Senado em 2018.

“Fui eleitor do Viana, eu votei no Viana, mas acredito que hoje ele tem muito o que se explicar. Ele tem que falar sobre as emendas parlamentares dele que estão sendo investigadas”, questionou Aro, em referência às emendas parlamentares do senador destinadas à Fundação Oásis, ligada à Igreja da Lagoinha, alvo de pedido de explicações na ação em tramitação no Supremo Tribunal Federal que questiona a falta de transparência no repasse desses recursos. 

Para o presidente do PSD no estado, deputado estadual Cássio Soares, há espaço na chapa para os dois e que não há motivos para embates. “Não vejo motivos para atritos, apesar de percebê-los, pois são duas vagas e não deveria haver conflitos. Continuamos com o caminho de apoio aos dois para o senado considerando que temos espaço para tanto”, defendeu  Soares, por meio de uma nota.

Caso o partido de Aro se alie a Simões na disputa pelo governo do estado, o ex-secretário e Viana poderão fazer parte da chapa majoritária do governador à reeleição, que poderá contar com até dois candidatos ao Senado já que neste ano estão em disputa duas vagas. 

Procurado pela reportagem, Viana disse que não vai mais responder ao ex-secretário, mas chamou de “pirraça” as críticas reiteradas que Aro vem fazendo a ele desde que o senador mudou do Podemos para o PSD para disputar  a reeleição. “O  PSD não vai ficar a reboque de qualquer pirraça partidária. Temos um projeto muito bem definido para o futuro de Minas Gerais, com governador e senador”, afirmou o senador, também por meio de nota enviada à reportagem. 

Viana, até março, estava no Podemos, partido comandado no estado pela deputada federal Nely Aquino, aliada de Aro, o que poderia dificultar sua candidatura ao Senado. Em março, ele trocou de legenda e se filiou ao PSD, se tornando, naturalmente, o candidato do partido a mais um mandato no Senado. Sua ida para a mesma legenda que Simões foi criticada, à época, por Aro, que disse não ter sido consultado sobre essa filiação, que impactou diretamente sua candidatura. 

Empate pela segunda vaga

Última pesquisa Genial/Quaest , divulgada no final de abril, aponta a liderança da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) em todos os cenários testados para o Senado, mas revela também um cenário indefinido para a disputa pela segunda cadeira, marcada por empate técnico entre os candidatos, entre eles Aro e Viana, que poderão ter que disputar o mesmo eleitorado.  

Além dos dois, a direita conta até agora com outro candidato ao Senado, o deputado federal Domingos Sávio (PL), cujo partido já decidiu que não se aliará a Simões, em função da disputa presidencial, já que o governador vai apoiar a candidatura de seu antecessor, o ex-governador Romeu Zema (Novo) ao Planalto.

O PL busca em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, um palanque para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a tendência é que a legenda se alie ao senador Cleitinho, candidato ao governo do estado e primeiro colocado em todas as sondagens eleitorais divulgadas até agora, ou lance um nome próprio.