array(31) {
["id"]=>
int(180810)
["title"]=>
string(72) "Prefeituras de MG tentam reaver recursos perdidos com golpe cibernético"
["content"]=>
string(8880) "Prefeituras mineiras lesadas por golpes bancários envolvendo a Caixa Econômica Federal (CEF) começam, nesta semana, uma maratona de reuniões mediadas pela Justiça Federal para tentar solucionar o problema, que tem tirado o sono dos chefes dos Executivos. Pelo menos 12 prefeituras foram lesadas por um golpe cibernético que retirou das contas dos municípios cerca de R$17 milhões – recursos que impactam principalmente as pequenas cidades, caso de Naque, no Vale do Rio Doce, com cerca de 6.500 habitantes, a mais recente vítima da fraude, no começo deste mês.
O golpe não é restrito ao estado e já afetou prefeituras de todo o Brasil, motivando, inclusive, um alerta da Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
De acordo com o presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM) e prefeito de Iguatama, Lucas Vieira (Avante), em uma audiência de conciliação conduzida pelo desembargador Álvaro Souza Cruz, que contou também com a presença do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), Durval Ângelo, e com representantes das prefeituras, ficou definido que serão realizadas, a partir desta segunda-feira (29/6) e ao longo de todo o mês de julho, reuniões entre a CEF e cada uma das cidades lesadas, na tentativa de uma solução consensual.
Vieira disse ainda que, nesta primeira reunião na Justiça Federal, a Caixa admitiu que, em alguns casos, houve falhas nos sistemas da instituição. “A Caixa está fazendo perícia em cada um dos municípios e, em alguns casos, já ficou constatado que houve omissão, houve falha da Caixa que, nesse caso, vai se reunir individualmente com cada município para fazer uma proposta de acordo”, destacou o presidente da AMM, que tem auxiliado os municípios na tentativa de reaver os recursos. Vieira disse também que o TCE-MG estuda, por determinação de seu presidente, como serão tratadas as prestações de contas dessas cidades lesadas.
Para o presidente da AMM, o sistema da Caixa tem falhado e é necessário que os problemas sejam levantados e solucionados, já que todas as prefeituras foram lesadas em golpes envolvendo a instituição bancária. “Em algumas cidades que tentaram aplicar o mesmo golpe, mas com o Banco do Brasil, a instituição percebeu e barrou, o que deixa claro, para nós, que o problema é da Caixa Econômica”, destaca Vieira.
A Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais já abriu um inquérito para desvendar os crimes, mas não quis dar informações sobre o procedimento, sob a alegação de que a instituição não comenta investigações em curso.
Procurada pela reportagem, a Caixa informou, por meio de nota, que prestou atendimento às prefeituras com os devidos esclarecimentos, mas não pode divulgar informações sobre os casos devido ao sigilo e à proteção de dados. Disse ainda que monitora ininterruptamente seus produtos, serviços e transações bancárias para identificar e investigar casos suspeitos de fraudes.
O banco destaca que, em caso de movimentação não reconhecida pelo cliente, é possível realizar pedido de contestação em uma das agências. “O processo é analisado por equipe especializada e as informações relativas aos casos são consideradas sigilosas e repassadas exclusivamente à Polícia Federal e demais órgãos competentes para análise e investigação.”
A instituição informou ainda que “atua conjuntamente com os órgãos de segurança pública nas investigações e operações que envolvem a instituição”. “Tais informações são consideradas sigilosas e repassadas exclusivamente às autoridades competentes para análise e investigação”, afirma.
Ações dos golpistas
O prefeito Juninho Zucato (União Brasil), de Monte Sião, no Sul de Minas, uma das cidades lesadas, move duas ações contra a Caixa devido ao prejuízo milionário sofrido pelo município em setembro passado. De acordo com ele, 14 contas bancárias que o município tinha na Caixa sofreram ataque cibernético, resultando em um prejuízo de R$ 5,7 milhões, desviados em 54 transações feitas em horários atípicos e para empresas não cadastradas para receber recursos públicos.
Ele conta que a cidade enfrenta dificuldades financeiras por causa desse golpe e já teve que fazer empréstimos para bancar, principalmente, os recursos obrigatórios que devem ser aplicados nas áreas da Saúde e Educação.
A mais recente vítima desse golpe é Naque, que teria perdido cerca de R$ 4 milhões em golpe envolvendo contas do município na Caixa. A prefeitura não confirmou os valores desviados nem respondeu ao pedido de informações enviado pela reportagem, mas, em nota, confirmou ter sido vítima de um “ataque hacker”, ocorrido no dia 2 deste mês, e disse que está colaborando com as autoridades para identificar os responsáveis e buscar a recuperação dos valores eventualmente desviados. De acordo com a nota, um homem ligou para a administração municipal se passando por técnico de informática da CEF e, por meio desse expediente, invadiu as contas da prefeitura.
Segundo apurou a reportagem, esse homem afirmou ser necessária uma “atualização do sistema” utilizado pela Secretaria Municipal da Fazenda para acessar as contas bancárias. Para dar credibilidade, chegou a fazer uma servidora assinar um suposto termo de atualização e a orientou a instalar um programa em um computador da rede municipal. Após a instalação, a tela do computador ficou escura e os programas pararam de responder.
O golpista ainda solicitou que o procedimento fosse repetido em outros computadores e pediu que todos fossem mantidos ligados durante a noite para “concluir o processo”. O rombo só foi descoberto no dia seguinte. O impacto financeiro gerou temor entre os servidores municipais quanto ao pagamento dos salários de junho, que devem ser depositados no começo do próximo mês. A tática usada em Naque é similar à adotada em outras cidades de Minas e do Brasil também lesadas em golpes envolvendo a Caixa.
Outros estados
Em Goiás, pelo menos sete prefeituras foram alvo de ataques similares, gerando prejuízos que, somados, chegam a quase R$ 8 milhões. Segundo a Associação Goiana de Municípios (AGM), as invasões ocorreram entre 2024 e 2026 e todas as contas bancárias das quais os valores foram retirados pelos hackers são da Caixa Econômica Federal.
Caso semelhante também ocorreu em Jaraguá do Sul, no interior de Santa Catarina, onde foram desviados R$ 12 milhões de contas da prefeitura na Caixa Econômica Federal. Segundo a administração municipal, além do valor efetivamente transferido, o golpista tentou movimentar outros R$ 28 milhões, mas teve o acesso bloqueado pela instituição financeira. Outra cidade catarinense, Irineópolis, também foi alvo de uma fraude eletrônica que desviou R$ 500 mil das contas que o município tinha na Caixa.
"
["author"]=>
string(28) "Alessandra Mello - EM.com.br"
["user"]=>
NULL
["image"]=>
array(6) {
["id"]=>
int(638411)
["filename"]=>
string(14) "iguatamama.jpg"
["size"]=>
string(5) "21198"
["mime_type"]=>
string(10) "image/jpeg"
["anchor"]=>
NULL
["path"]=>
string(0) ""
}
["image_caption"]=>
string(264) " Prefeito de Iguatama e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Lucas Vieira Lopes, afirma que reuniões entre a CEF e cidades lesadas, na tentativa de solução consensual, começam a ocorrer a partir desta segunda-feira (29/6)crédito: Reproduç"
["categories_posts"]=>
NULL
["tags_posts"]=>
array(0) {
}
["active"]=>
bool(true)
["description"]=>
string(211) "Mediados pela Justiça Federal e com apoio da AMM, municípios se reúnem com a Caixa em busca de solução consensual para prejuízo milionário
"
["author_slug"]=>
string(26) "alessandra-mello-em-com-br"
["views"]=>
int(87)
["images"]=>
NULL
["alternative_title"]=>
string(0) ""
["featured"]=>
bool(false)
["position"]=>
int(0)
["featured_position"]=>
int(0)
["users"]=>
NULL
["groups"]=>
NULL
["author_image"]=>
NULL
["thumbnail"]=>
NULL
["slug"]=>
string(71) "prefeituras-de-mg-tentam-reaver-recursos-perdidos-com-golpe-cibernetico"
["categories"]=>
array(1) {
[0]=>
array(9) {
["id"]=>
int(435)
["name"]=>
string(5) "Minas"
["description"]=>
NULL
["image"]=>
NULL
["color"]=>
string(7) "#a80000"
["active"]=>
bool(true)
["category_modules"]=>
NULL
["category_models"]=>
NULL
["slug"]=>
string(5) "minas"
}
}
["category"]=>
array(9) {
["id"]=>
int(435)
["name"]=>
string(5) "Minas"
["description"]=>
NULL
["image"]=>
NULL
["color"]=>
string(7) "#a80000"
["active"]=>
bool(true)
["category_modules"]=>
NULL
["category_models"]=>
NULL
["slug"]=>
string(5) "minas"
}
["tags"]=>
NULL
["created_at"]=>
object(DateTime)#539 (3) {
["date"]=>
string(26) "2026-06-29 19:23:57.000000"
["timezone_type"]=>
int(3)
["timezone"]=>
string(13) "America/Bahia"
}
["updated_at"]=>
object(DateTime)#546 (3) {
["date"]=>
string(26) "2026-06-29 19:23:57.000000"
["timezone_type"]=>
int(3)
["timezone"]=>
string(13) "America/Bahia"
}
["published_at"]=>
string(25) "2026-06-29T19:20:00-03:00"
["group_permissions"]=>
array(4) {
[0]=>
int(1)
[1]=>
int(4)
[2]=>
int(2)
[3]=>
int(3)
}
["image_path"]=>
string(15) "/iguatamama.jpg"
}
Prefeituras mineiras lesadas por golpes bancários envolvendo a Caixa Econômica Federal (CEF) começam, nesta semana, uma maratona de reuniões mediadas pela Justiça Federal para tentar solucionar o problema, que tem tirado o sono dos chefes dos Executivos. Pelo menos 12 prefeituras foram lesadas por um golpe cibernético que retirou das contas dos municípios cerca de R$17 milhões – recursos que impactam principalmente as pequenas cidades, caso de Naque, no Vale do Rio Doce, com cerca de 6.500 habitantes, a mais recente vítima da fraude, no começo deste mês.
O golpe não é restrito ao estado e já afetou prefeituras de todo o Brasil, motivando, inclusive, um alerta da Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
De acordo com o presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM) e prefeito de Iguatama, Lucas Vieira (Avante), em uma audiência de conciliação conduzida pelo desembargador Álvaro Souza Cruz, que contou também com a presença do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), Durval Ângelo, e com representantes das prefeituras, ficou definido que serão realizadas, a partir desta segunda-feira (29/6) e ao longo de todo o mês de julho, reuniões entre a CEF e cada uma das cidades lesadas, na tentativa de uma solução consensual.
Vieira disse ainda que, nesta primeira reunião na Justiça Federal, a Caixa admitiu que, em alguns casos, houve falhas nos sistemas da instituição. “A Caixa está fazendo perícia em cada um dos municípios e, em alguns casos, já ficou constatado que houve omissão, houve falha da Caixa que, nesse caso, vai se reunir individualmente com cada município para fazer uma proposta de acordo”, destacou o presidente da AMM, que tem auxiliado os municípios na tentativa de reaver os recursos. Vieira disse também que o TCE-MG estuda, por determinação de seu presidente, como serão tratadas as prestações de contas dessas cidades lesadas.
Para o presidente da AMM, o sistema da Caixa tem falhado e é necessário que os problemas sejam levantados e solucionados, já que todas as prefeituras foram lesadas em golpes envolvendo a instituição bancária. “Em algumas cidades que tentaram aplicar o mesmo golpe, mas com o Banco do Brasil, a instituição percebeu e barrou, o que deixa claro, para nós, que o problema é da Caixa Econômica”, destaca Vieira.
A Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais já abriu um inquérito para desvendar os crimes, mas não quis dar informações sobre o procedimento, sob a alegação de que a instituição não comenta investigações em curso.
Procurada pela reportagem, a Caixa informou, por meio de nota, que prestou atendimento às prefeituras com os devidos esclarecimentos, mas não pode divulgar informações sobre os casos devido ao sigilo e à proteção de dados. Disse ainda que monitora ininterruptamente seus produtos, serviços e transações bancárias para identificar e investigar casos suspeitos de fraudes.
O banco destaca que, em caso de movimentação não reconhecida pelo cliente, é possível realizar pedido de contestação em uma das agências. “O processo é analisado por equipe especializada e as informações relativas aos casos são consideradas sigilosas e repassadas exclusivamente à Polícia Federal e demais órgãos competentes para análise e investigação.”
A instituição informou ainda que “atua conjuntamente com os órgãos de segurança pública nas investigações e operações que envolvem a instituição”. “Tais informações são consideradas sigilosas e repassadas exclusivamente às autoridades competentes para análise e investigação”, afirma.
Ações dos golpistas
O prefeito Juninho Zucato (União Brasil), de Monte Sião, no Sul de Minas, uma das cidades lesadas, move duas ações contra a Caixa devido ao prejuízo milionário sofrido pelo município em setembro passado. De acordo com ele, 14 contas bancárias que o município tinha na Caixa sofreram ataque cibernético, resultando em um prejuízo de R$ 5,7 milhões, desviados em 54 transações feitas em horários atípicos e para empresas não cadastradas para receber recursos públicos.
Ele conta que a cidade enfrenta dificuldades financeiras por causa desse golpe e já teve que fazer empréstimos para bancar, principalmente, os recursos obrigatórios que devem ser aplicados nas áreas da Saúde e Educação.
A mais recente vítima desse golpe é Naque, que teria perdido cerca de R$ 4 milhões em golpe envolvendo contas do município na Caixa. A prefeitura não confirmou os valores desviados nem respondeu ao pedido de informações enviado pela reportagem, mas, em nota, confirmou ter sido vítima de um “ataque hacker”, ocorrido no dia 2 deste mês, e disse que está colaborando com as autoridades para identificar os responsáveis e buscar a recuperação dos valores eventualmente desviados. De acordo com a nota, um homem ligou para a administração municipal se passando por técnico de informática da CEF e, por meio desse expediente, invadiu as contas da prefeitura.
Segundo apurou a reportagem, esse homem afirmou ser necessária uma “atualização do sistema” utilizado pela Secretaria Municipal da Fazenda para acessar as contas bancárias. Para dar credibilidade, chegou a fazer uma servidora assinar um suposto termo de atualização e a orientou a instalar um programa em um computador da rede municipal. Após a instalação, a tela do computador ficou escura e os programas pararam de responder.
O golpista ainda solicitou que o procedimento fosse repetido em outros computadores e pediu que todos fossem mantidos ligados durante a noite para “concluir o processo”. O rombo só foi descoberto no dia seguinte. O impacto financeiro gerou temor entre os servidores municipais quanto ao pagamento dos salários de junho, que devem ser depositados no começo do próximo mês. A tática usada em Naque é similar à adotada em outras cidades de Minas e do Brasil também lesadas em golpes envolvendo a Caixa.
Outros estados
Em Goiás, pelo menos sete prefeituras foram alvo de ataques similares, gerando prejuízos que, somados, chegam a quase R$ 8 milhões. Segundo a Associação Goiana de Municípios (AGM), as invasões ocorreram entre 2024 e 2026 e todas as contas bancárias das quais os valores foram retirados pelos hackers são da Caixa Econômica Federal.
Caso semelhante também ocorreu em Jaraguá do Sul, no interior de Santa Catarina, onde foram desviados R$ 12 milhões de contas da prefeitura na Caixa Econômica Federal. Segundo a administração municipal, além do valor efetivamente transferido, o golpista tentou movimentar outros R$ 28 milhões, mas teve o acesso bloqueado pela instituição financeira. Outra cidade catarinense, Irineópolis, também foi alvo de uma fraude eletrônica que desviou R$ 500 mil das contas que o município tinha na Caixa.