LUTO

A morte do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e de sua esposa, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, causou comoção no meio jurídico mineiro. O casal foi encontrado morto, nessa terça-feira (30/6), no apartamento onde moravam, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

“É lamentável, estou sem chão”, disse o advogado criminalista José Geraldo Batista. Ele conheceu Cláudio Atala no início de sua carreira, em 2012, na cidade de Pium-í, Região Oeste de Minas Gerais, e desenvolveram uma amizade para além dos tribunais: “Ele foi o meu guru na advocacia. Ético, firme, experiente, honesto, todas as grandes qualidades que um advogado e um ser humano pode ter estavam ali esculpidos no Dr. Carlos de Atala e na Clotilde”, afirma.

Batista ficou sabendo da morte do amigo por amigos em comum e contou que não tem palavras para descrever o que sentiu no momento. Ele agora espera que o responsável seja encontrado e que seja julgado.

“É um dano irreparável. O que a gente espera agora é uma investigação diligente das autoridades e a responsabilização de quem realmente fez isso com eles. Por mais que a gente não saiba o que aconteceu na hora dos fatos, Dr. Cláudio Atala e Clotilde jamais mereceriam tamanha tragédia”, declara Batista. 

O advogado criminalista ainda expressou solidariedade com a família e os colegas do escritório de Cláudio na capital. “Para mim, Dr. Cláudio Atala e Clotilde são eternos. O aguerrimento deles e a vida feliz que eles levavam enquanto família, vai ficar presente na minha vida. Deixo registrado aqui as palavras de conforto para a família, e para os advogados do Cláudio Atala Advogados em Belo Horizonte.”

A Ordem dos Advogados do Brasil Seção Minas Gerais (OAB-MG) lamentou a morte do casal e expressou solidariedade aos familiares. “A OAB-MG lamenta profundamente a morte do advogado Cláudio Atala Inácio e de sua esposa, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, e manifesta solidariedade aos familiares e amigos. A Seccional Mineira confia no trabalho dos órgãos competentes, especialmente da Polícia Civil, para a completa elucidação dos fatos”, diz a entidade em nota. 

O advogado Décio Freire, presidente do Conselho Consultivo dos Diários Associados, descreveu Cláudio como amável e um profissional raro de se encontrar em seu meio de trabalho. "Cláudio Atala era um advogado clássico, tradicional, advogado de fôro. Raridade hoje em dia. Competente, muito amável e querido. O crime é uma agressão à classe que deve ser apurada com toda a severidade, pois 17 facadas não aparenta latrocínio. Estou certo que o presidente Gustavo Chalfun, da OAB/MG, acompanhará de perto a apuração até identificação e punição dos responsáveis por essa barbárie", declarou Freire.

Marcilei Pereira, especialista em direito do trabalho, teve a oportunidade de conviver com Cláudio nos tribunais mineiros. Ele conta que, quando viu a notícia da morte do colega de profissão, demorou um pouco para processar a informação. O advogado descreve Atala como uma pessoa de elegância ímpar, tanto na maneira de tratar colegas quanto na forma de se vestir. 

“Cláudio era aquela pessoa que adentrava o recinto da Justiça do Trabalho, onde era a parte externa da audiência, e fazia questão de cumprimentar todo mundo, não apenas os advogados. Uma pessoa elegante e respeitosa com todos”, conta.

Pereira conta, ainda, que Atala era visto com carinho nos tribunais e estava sempre disposto a ajudar e aconselhar os colegas em casos complicados. 

"O advogado Cláudio Atala, tragicamente roubado de nosso convívio, exerceu a advocacia por varias décadas, granjeando respeito e admiração de seus colegas advogados e de toda a comunidade jurídica. Cordial, educado e solicito, sua repentina ausência reclama adoção de providências que possibilitem esclarecer as circunstâncias e indicação de responsáveis pelo funesto acontecimento", declarou Moacyr Lobato, advogado e desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

"A OAB-MG, uma vez mais, não faltará à sua responsabilidade de apoio e acompanhamento de todos os desdobramentos desse mais que lamentável episódio", acrescentou Lobato

Relembre o caso

Os corpos de Cláudio e Maria Clotilde foram encontrados nessa terça-feira (30/6) dentro do apartamento do casal, localizado na Rua Padre Severino. Segundo informações preliminares, ambos apresentavam ferimentos provocados por facadas, principalmente na região do tórax.

Ao Estado de Minas, o sobrinho das vítimas, Henrique Maciel, afirmou que a tia foi encontrada na sala e o tio, no quarto. "O corpo da minha tia estava na sala, e o do meu tio, no quarto. Os dois foram esfaqueados. Muitas facadas pelo corpo", relatou.

O último contato da família com o casal ocorreu na segunda-feira (29/6), o que leva os investigadores a acreditar que o crime tenha sido cometido naquele dia. Os corpos foram encontrados por um dos filhos do casal, que estranhou a ausência do pai no escritório de advocacia onde ambos trabalhavam e decidiu ir até o apartamento.

De acordo com a Polícia Militar, não havia sinais aparentes de arrombamento, mas alguns objetos teriam desaparecido do imóvel. As imagens das câmeras de segurança do edifício serão analisadas para auxiliar na investigação.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que apura a causa da morte do casal, informou que a perícia e policiais estiveram no local para coletar vestígios que poderão ajudar nas investigações.

Segundo a PCMG, os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML), onde foram submetidos a exames, e, logo depois, liberados aos familiares. Em nota, a instituição afirmou que não descarta nenhuma linha investigativa e que nenhum suspeito foi conduzido à delegacia.