A greve dos professores da rede municipal de Belo Horizonte segue sem definição. Após uma rodada de negociação que durou quase quatro horas nesta segunda-feira (8), representantes da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal (Sind-Rede/BH) não chegaram a um acordo sobre a reposição das aulas e o pagamento dos dias paralisados.

Diante do impasse, a categoria decidiu convocar uma nova assembleia para a próxima quarta-feira (10), quando os trabalhadores discutirão sobre os próximos passos do movimento.

Segundo uma fonte revelou ao Hoje em Dia, o encontro foi exclusivamente voltado para tentar acabar com o imbróglio sobre a reposição do calendário escolar e os descontos salariais aplicados durante a paralisação. Ainda conforme o relato, a prefeitura manteve a posição considerada rígida ao longo de toda a negociação.  

Assim, o Executivo não teria assumido compromisso com a garantia dos 200 dias letivos exigidos pela legislação. Para as turmas da educação infantil de 0 a 3 anos, a proposta seria limitar a reposição a 16 dias. Já para as turmas de 4 e 5 anos, o limite seria de 21 dias.

O órgão também manteve a posição de não permitir reposição aos sábados e feriados. Nesse cenário, a compensação dos dias paralisados ocorreria durante o recesso de julho, parte do período de outubro, dezembro e, em alguns casos, fevereiro de 2027.

Ponto cortado

Outro fato que gerou insatisfação entre os trabalhadores foi a manutenção do corte do ponto. A PBH não teria sinalizado o pagamento por meio de folha complementar para os dias descontados. A prefeitura teria informado que os descontos seriam aplicados em duas parcelas.

Posicionamento da PBH

Em nota, a Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão informou que realizou nova rodada de negociação com representantes da categoria, avançando na construção de uma solução para o encerramento da greve e a retomada das atividades educacionais.

Segundo a pasta, a organização do calendário de reposição dependerá de levantamento técnico da Secretaria Municipal de Educação, para garantir a recuperação da carga horária e dos conteúdos pedagógicos.

“Desde o início das negociações, a Prefeitura reafirma o compromisso com o diálogo e tem buscado alternativas responsáveis e equilibradas, assegurando os direitos dos profissionais e, sobretudo, o direito dos estudantes à aprendizagem”, finaliza a PBH.

Assembleia da segunda

Durante a assembleia realizada após a negociação, os professores discutiram a possibilidade de votar imediatamente pelo encerramento ou continuidade da greve. No entanto, prevaleceu o entendimento de que a decisão deveria ser tomada apenas após nova avaliação coletiva. Os trabalhadores aprovaram, então, a realização do encontro na quarta-feira.

Antes da reunião da categoria, está prevista para a manhã do mesmo dia uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para debater a greve e as reivindicações apresentadas pelos profissionais da educação desde o início da paralisação. A expectativa do sindicato é que o debate contribua para pressionar por avanços nas negociações.

A greve da educação municipal já se arrasta há semanas e tem como principais pautas reivindicações salariais, condições de trabalho, reposição dos dias letivos e a devolução dos valores descontados dos servidores que aderiram ao movimento.

A reportagem procurou a Prefeitura de Belo Horizonte para comentar o resultado da negociação realizada nesta segunda-feira (8), os pontos apresentados à categoria e as perspectivas para uma nova rodada de conversas. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.