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Promovida pelo Hospital das Clínicas da UFMG, a caminhada quer levar a discussão sobre doação para fora dos corredores hospitalares. O evento reuniu profissionais de saúde, transplantados, familiares e pacientes da fila que tinham condições clínicas de participar. Por volta das 10h, com a praça enchendo, o coordenador do setor de transplantes, José Aparecido Rezende, abriu as falas pedindo que os presentes lembrassem que qualquer pessoa pode ser chamada a dizer sim diante da morte encefálica de um parente e que avisassem a família do desejo de ser doador. Havia ainda estandes de aferição de pressão e colesterol, massagem e distribuição de camisetas, lanches, água e plantas.
Conforme Rezende, a recusa familiar chega a 45% no Brasil e fica em torno de 40% em Minas, que tem cerca de 8 mil pessoas à espera de um transplante, a segunda maior fila do país, atrás de São Paulo. No Brasil, são aproximadamente 74 mil. "É importante que haja essa sensibilização porque estamos falando de um processo comunitário, coletivo, que só se efetiva se houver autorização familiar. Hoje, esse é o grande gargalo", defende, lembrando que mesmo quem registrou a intenção de doar pela Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) precisa, após a confirmação da morte encefálica, do aval de dois parentes.
O cirurgião João Bernardo, que atua em transplantes de fígado, segue na mesma linha, ressaltando que a probabilidade de a doação ser realizada aumenta se esses familiares forem informados do desejo da pessoa de ser doadora. "Quando isso já está conversado, em uma eventual ocasião, a possibilidade de conseguir essa doação aumenta muito", destaca.

Médico Cirurgião João Bernardo | Foto: Daniel de Cerqueira/ O TEMPO
Entre os participantes da caminhada simbólica, Neidirene Cristina, de 41 anos, foi à praça justamente para agradecer à família que autorizou a doação do coração recebido pelo irmão, Josinei Soares. Ele esperou nove meses na fila, o tempo de uma gestação, como ela compara, e completa agora um ano e seis meses de transplante. "Gratidão, gratidão, gratidão, sempre", diz.
Já Varlene Gomes, de 52 anos, recebeu um novo coração há exatos dois anos e meio. É o segundo ano que ela participa do evento, o que, antes do transplante, era inimaginável. “Eu convivia com um cansaço intenso. Eu ficava cansada fazendo almoço. Para tomar banho, precisava de uma cadeira dentro do box”, recorda. Antes do procedimento, chegou a tratar uma arritmia, mas o quadro não se resolveu. Foi, então, encaminhada para avaliação e entrou na fila. "Minha vida melhorou demais. Se não fosse o transplante, eu não estaria aqui", garante.

Varlene Gomes é transplantada há dois anos | Foto: Daniel de Cerqueira/ O TEMPO
Edelvais de Souza Melo, cuja história abre esta matéria, é mais um a testemunhar uma melhora da qualidade de vida após p transplante. “Eu celebro até o fato de, hoje, ao olhar para baixo, conseguir ver meus pés. Antes, cheguei a pesar 106 quilos. Agora tenho 84”, conta, detalhando que o novo fígado significou para ele uma vida nova, com mais atenção à própria saúde. Além disso, suas prioridades mudaram: até o amor pelo futebol cedeu lugar a outras preocupações: “Agora, o que me indigna não é meu time, o Galo, perder. É saber que tem jogador recebendo tanto enquanto médicos e enfermeiros recebem tão pouco”.

Edelvais recebeu um fígado novo | Foto: Daniel de Cerqueira/ O TEMPO
Na expectativa por essa sonhada melhora da qualidade de vida, Valéria Souza, de 44 anos, entrou neste sábado na fila por um pulmão, depois de um ano de tratamento. “Eu fiz questão de vir. Em um contexto de tanta fake news, em que tem gente que diz que se souberem que você é doador te deixam morrer, acho importante fazer esse trabalho de mobilização. Até porque, tanta coisa menos importante mobiliza as pessoas, não é? Então, quis estar aqui, levantar essa bandeira”, diz ela, que depende atualmente de um cilindro de oxigênio para respirar.

Valéria entrou neste sábado na fila por um pulmão | Foto: Daniel de Cerqueira/O TEMPO
Em tempo, a Praça da Assembleia foi escolhida para sediar a caminhada por abrigar o monumento aos doadores de órgãos e tecidos de Minas Gerais, do escultor Léo Santana, inaugurado em 2014. A obra ganha novas placas conforme mais nomes de doadores são incluídos.
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Promovida pelo Hospital das Clínicas da UFMG, a caminhada quer levar a discussão sobre doação para fora dos corredores hospitalares. O evento reuniu profissionais de saúde, transplantados, familiares e pacientes da fila que tinham condições clínicas de participar. Por volta das 10h, com a praça enchendo, o coordenador do setor de transplantes, José Aparecido Rezende, abriu as falas pedindo que os presentes lembrassem que qualquer pessoa pode ser chamada a dizer sim diante da morte encefálica de um parente e que avisassem a família do desejo de ser doador. Havia ainda estandes de aferição de pressão e colesterol, massagem e distribuição de camisetas, lanches, água e plantas.
Conforme Rezende, a recusa familiar chega a 45% no Brasil e fica em torno de 40% em Minas, que tem cerca de 8 mil pessoas à espera de um transplante, a segunda maior fila do país, atrás de São Paulo. No Brasil, são aproximadamente 74 mil. "É importante que haja essa sensibilização porque estamos falando de um processo comunitário, coletivo, que só se efetiva se houver autorização familiar. Hoje, esse é o grande gargalo", defende, lembrando que mesmo quem registrou a intenção de doar pela Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) precisa, após a confirmação da morte encefálica, do aval de dois parentes.
O cirurgião João Bernardo, que atua em transplantes de fígado, segue na mesma linha, ressaltando que a probabilidade de a doação ser realizada aumenta se esses familiares forem informados do desejo da pessoa de ser doadora. "Quando isso já está conversado, em uma eventual ocasião, a possibilidade de conseguir essa doação aumenta muito", destaca.

Médico Cirurgião João Bernardo | Foto: Daniel de Cerqueira/ O TEMPO
Entre os participantes da caminhada simbólica, Neidirene Cristina, de 41 anos, foi à praça justamente para agradecer à família que autorizou a doação do coração recebido pelo irmão, Josinei Soares. Ele esperou nove meses na fila, o tempo de uma gestação, como ela compara, e completa agora um ano e seis meses de transplante. "Gratidão, gratidão, gratidão, sempre", diz.
Já Varlene Gomes, de 52 anos, recebeu um novo coração há exatos dois anos e meio. É o segundo ano que ela participa do evento, o que, antes do transplante, era inimaginável. “Eu convivia com um cansaço intenso. Eu ficava cansada fazendo almoço. Para tomar banho, precisava de uma cadeira dentro do box”, recorda. Antes do procedimento, chegou a tratar uma arritmia, mas o quadro não se resolveu. Foi, então, encaminhada para avaliação e entrou na fila. "Minha vida melhorou demais. Se não fosse o transplante, eu não estaria aqui", garante.

Varlene Gomes é transplantada há dois anos | Foto: Daniel de Cerqueira/ O TEMPO
Edelvais de Souza Melo, cuja história abre esta matéria, é mais um a testemunhar uma melhora da qualidade de vida após p transplante. “Eu celebro até o fato de, hoje, ao olhar para baixo, conseguir ver meus pés. Antes, cheguei a pesar 106 quilos. Agora tenho 84”, conta, detalhando que o novo fígado significou para ele uma vida nova, com mais atenção à própria saúde. Além disso, suas prioridades mudaram: até o amor pelo futebol cedeu lugar a outras preocupações: “Agora, o que me indigna não é meu time, o Galo, perder. É saber que tem jogador recebendo tanto enquanto médicos e enfermeiros recebem tão pouco”.

Edelvais recebeu um fígado novo | Foto: Daniel de Cerqueira/ O TEMPO
Na expectativa por essa sonhada melhora da qualidade de vida, Valéria Souza, de 44 anos, entrou neste sábado na fila por um pulmão, depois de um ano de tratamento. “Eu fiz questão de vir. Em um contexto de tanta fake news, em que tem gente que diz que se souberem que você é doador te deixam morrer, acho importante fazer esse trabalho de mobilização. Até porque, tanta coisa menos importante mobiliza as pessoas, não é? Então, quis estar aqui, levantar essa bandeira”, diz ela, que depende atualmente de um cilindro de oxigênio para respirar.

Valéria entrou neste sábado na fila por um pulmão | Foto: Daniel de Cerqueira/O TEMPO
Em tempo, a Praça da Assembleia foi escolhida para sediar a caminhada por abrigar o monumento aos doadores de órgãos e tecidos de Minas Gerais, do escultor Léo Santana, inaugurado em 2014. A obra ganha novas placas conforme mais nomes de doadores são incluídos.