LATROCÍNIO

A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, suspeita do assassinato de um casal de idosos dentro de um apartamento no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul da capital mineira, nessa segunda-feira (29/6), passará por uma audiência de custódia. A apresentação ao juiz está marcada para às 13h30 desta sexta-feira (3/7) na Central de Audiência de Custódia da Comarca de Belo Horizonte, no Bairro Lagoinha, na região Noroeste. 

Após a apresentação da suspeita, o juiz decidirá se ela continuará presa ou se responderá ao processo em liberdade. Paola Stefany foi detida na noite dessa quarta-feira (1º/7), por volta das 23h, em um hotel em Itabira, na Região Central de Minas, pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). De acordo com a corporação, ela não tem antecedentes criminais, mas apresenta um quadro de instabilidade emocional. 

Após ser presa, a diarista declarou, em depoimento, que foi ao apartamento das vítimas, identificadas como Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, para realizar um serviço de limpeza e que não havia planejado o crime. Segundo ela, a decisão de furtar os bens ocorreu ao encontrar joias, relógios e dinheiro durante a limpeza. 

A investigada relatou ainda que o plano inicial era dopar o casal para facilitar o ato. Para isso, colocou quatro comprimidos de um medicamento de uso controlado, utilizado por ela no tratamento da depressão, em um suco preparado no liquidificador. Conforme o delegado, cerca de 30 ou 40 minutos depois, as vítimas começaram a adormecer. Durante a prisão, a Polícia Civil apreendeu aproximadamente 50 comprimidos na bolsa da suspeita.

Segundo a confissão, enquanto recolhia os objetos de valor, Cláudio acordou e percebeu o furto. Paola afirmou que pegou uma faca na cozinha para ameaçá-lo, mas o idoso tentou reagir e acabou sendo atacado. Ela disse não saber quantos golpes desferiu, porém a perícia apontou pelo menos 40 perfurações.

Sobre Maria Clotilde, a suspeita declarou que a vítima ainda estava sonolenta por causa do medicamento quando também foi morta. Em depoimento, voltou a dizer que ouvia "vozes" a orientando a assassinar o casal.

Os corpos dos dois idosos foram encontrados na terça-feira (30/6) pelo filho deles, que não mora no imóvel. Segundo o delegado Felipe Freitas, chefe do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) da PCMG, os investigadores encontraram uma "cena foi grotesca" no apartamento. "Muito sangue pela casa afora; foi de uma extrema barbárie e violência a forma como os dois idosos foram assassinados", declarou.  

Dinheiro para 'curtir a vida'

A investigação aponta que a diarista levou R$ 18 mil, além de joias e relógios do apartamento. Após o crime, segundo a PCMG, ela teria negociado os objetos subtraídos, entre os quais joias, relógios e celulares, no Hipercentro de Belo Horizonte. Parte do dinheiro obtido com a venda dos bens já foi recuperada. 

Segundo a diarista, o dinheiro seria utilizado para "curtir a vida". De acordo com a corporação, Paola Stefany também afirmou ser viciada em jogos de azar, compradora compulsiva e acumuladora de roupas femininas. A PCMG trata o crime como latrocínio, quando um indivíduo mata a vítima para roubá-la.