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string(4128) "O Vaticano anunciou na terça-feira, 24, que católicos podem receber transplantes de tecidos e órgãos de origem animal para tratar condições médicas, prática conhecida como xenotransplante. Mas há ressalvas.
A Igreja Católica defende que a prática é aceitável, desde que respeite o bem-estar animal e não altere a "identidade biológica ou psicológica" do receptor.
"(O xenotransplante) em princípio, não está em contraste com a ordem da criação. Ao contrário, representa para o homem uma oportunidade adicional de responsabilidade criativa em fazer um uso razoável do poder que Deus lhe deu", diz o documento que estabelece as diretrizes éticas para a realização das operações.
"O sacrifício dos animais pode ser justificado, mas apenas se exigido para alcance de um bem relevante para o homem: é este o caso da utilização de animais para a coleta de órgãos ou tecidos a transplantar", acrescenta.
Ressalvas
O documento proíbe a realização de alguns tipos específicos de transplantes. São casos em que a Igreja Católica entende que o procedimento poderia alterar a identidade do indivíduo.
Um deles é o transplante de encéfalo (cérebro), que a Igreja considera que "não poderia, em hipótese alguma, ser considerado moralmente permissível".
O mesmo se aplica ao transplante de gônadas com fins reprodutivos.
"É importante salientar que, enquanto o cérebro se relaciona com a identidade pessoal do sujeito como o órgão que representa a 'sede principal de sua consciência psicológica', o 'repositório' de sua memória existencial, as gônadas se relacionam com ele como órgãos responsáveis pela gametogênese (produção de gametas); elas representam, por assim dizer, o 'transmissor', por meio da procriação, da identidade pessoal do sujeito (herança genética) para sua prole", diz o texto.
Mas existe uma exceção: o transplante de gônadas pode ser considerado aceitável se o objetivo for exclusivamente a restauração de funções hormonais.
Xenotransplante
O xenotransplante consiste em transplantar órgãos, tecidos ou células de animais para humanos. A principal fonte são porcos geneticamente modificados. A técnica é vista como alternativa à escassez de órgãos, mas a rejeição pelo organismo ainda é um obstáculo.
Nos últimos anos, equipes têm realizado experimentos para entender a interação entre o material transplantado e o corpo dos pacientes, acumulando conhecimento para aprimorar as técnicas e medicações.
Em março de 2024, por exemplo, um homem de 62 anos com doença renal em estágio terminal recebeu um rim de porco no Hospital Geral de Massachusetts, ligado à Harvard Medical School, em Boston. Ele foi o primeiro paciente vivo a passar pelo procedimento e morreu dois meses depois, por causas não relacionadas ao transplante.
A cirurgia foi comandada pelo médico brasileiro Leonardo Riella, que conversou com o Estadão sobre o procedimento e as expectativas em relação ao xenotransplante.
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A Igreja Católica defende que a prática é aceitável, desde que respeite o bem-estar animal e não altere a "identidade biológica ou psicológica" do receptor.
"(O xenotransplante) em princípio, não está em contraste com a ordem da criação. Ao contrário, representa para o homem uma oportunidade adicional de responsabilidade criativa em fazer um uso razoável do poder que Deus lhe deu", diz o documento que estabelece as diretrizes éticas para a realização das operações.
"O sacrifício dos animais pode ser justificado, mas apenas se exigido para alcance de um bem relevante para o homem: é este o caso da utilização de animais para a coleta de órgãos ou tecidos a transplantar", acrescenta.
Ressalvas
O documento proíbe a realização de alguns tipos específicos de transplantes. São casos em que a Igreja Católica entende que o procedimento poderia alterar a identidade do indivíduo.
Um deles é o transplante de encéfalo (cérebro), que a Igreja considera que "não poderia, em hipótese alguma, ser considerado moralmente permissível".
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Xenotransplante
O xenotransplante consiste em transplantar órgãos, tecidos ou células de animais para humanos. A principal fonte são porcos geneticamente modificados. A técnica é vista como alternativa à escassez de órgãos, mas a rejeição pelo organismo ainda é um obstáculo.
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Em março de 2024, por exemplo, um homem de 62 anos com doença renal em estágio terminal recebeu um rim de porco no Hospital Geral de Massachusetts, ligado à Harvard Medical School, em Boston. Ele foi o primeiro paciente vivo a passar pelo procedimento e morreu dois meses depois, por causas não relacionadas ao transplante.
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