Nem tudo são flores...

O dia em que Lionel Messi se tornou o maior artilheiro da história das Copas do Mundo também foi marcado por um recorde negativo. Antes de marcar duas vezes na vitória da Argentina por 2 a 0 sobre a Áustria, nesta segunda-feira (22), o camisa 10 desperdiçou um pênalti e passou a ser o jogador com mais cobranças perdidas durante partidas do torneio.

A oportunidade surgiu aos oito minutos do primeiro tempo, após a arbitragem confirmar uma penalidade com auxílio do VAR. Messi bateu para fora e chegou ao terceiro pênalti desperdiçado em Copas do Mundo, superando todos os demais jogadores no quesito.

Os outros erros ocorreram em duas edições anteriores do Mundial. Em 2018, o argentino teve uma cobrança defendida pelo goleiro Hannes Halldórsson, da Islândia. Já em 2022, parou em Wojciech Szczesny, da Polônia. Contra a Áustria, foi a primeira vez que a cobrança não terminou em defesa do goleiro, mas fora da meta.

O novo desperdício também colocou Messi como o primeiro atleta a perder pênaltis em três Copas do Mundo consecutivas. O segundo jogador com mais erros da marca penal na competição é o ganês Asamoah Gyan, que desperdiçou duas cobranças.

Com o pênalti batido diante da Áustria, Messi chegou a sete cobranças realizadas em jogos de Copa do Mundo, outro recorde do torneio. O argentino soma quatro gols e três erros em cobranças durante o tempo regulamentar. Em disputas por pênaltis, no entanto, mantém aproveitamento de 100%, com três conversões em três tentativas.

Os dois gols marcados na sequência contra a Áustria ampliaram a marca de Messi na artilharia histórica das Copas do Mundo. O atacante já chegava à partida igualado a Miroslav Klose e, ao balançar as redes duas vezes, passou a isolar ainda mais sua liderança no ranking de gols da competição.

Próximo jogo de Argentina e Áustria na Copa do Mundo

Jordânia x Argentina – 27/6, às 23h (de Brasília), no AT&T Stadium, em Dallas (Estados Unidos)

Argélia x Áustria – 27/6, às 23h (de Brasília), no Arrowhead Stadium, em Kansas City (Estados Unidos)

Como foi o jogo?

Foi um primeiro tempo duro para os atuais campeões do mundo. A despeito de terem tido a bola por mais tempo (51%, contra 41% da Áustria e 8% em disputa), os argentinos não criaram chances em profusão. O jogo ganhou ares mais físicos em vários momentos, com disputas duras e reclamações contra a arbitragem.

Em meio às faltas e ríspidas disputas por espaço, Messi andava em campo, quase desapercebido. Aos 38 anos, o camisa 10 já não é mais o mesmo há algum tempo. Em vez de velocidade, drible, arranque e explosão, o craque agora é, principalmente, inteligência e leitura de jogo.

Foi assim que ele apareceu nas melhores chances do primeiro tempo. Mas nem tudo foram flores. Logo aos oito minutos, Messi teve a oportunidade de marcar em um pênalti sofrido pelo centroavante Lautaro Martínez e assinalado com auxílio do VAR. A cobrança, porém, foi para fora. Em outro momento, apareceu em boas condições de chutar já dentro da área, mas tentou um drible e acabou bloqueado. Parecia um tanto desconectado da partida.

Mas, aos 38 minutos, não teve jeito. Em uma boa combinação, a Argentina chegou ao fundo pela esquerda. O lateral Facundo Medina cruzou rasteiro para o meia-atacante Thiago Almada, que, inteligentemente, abriu as pernas para fazer o corta-luz. A bola se apresentou à perfeição para Messi, que, da entrada da área, chapou no canto direito, no contrapé do goleiro Alexander Schlager: 1 a 0.

Um gol histórico, que abriu o placar para a Seleção Argentina e isolou o camisa 10 como o maior artilheiro da história dos Mundiais. Agora, ele tem 17 – um a mais que o ex-centroavante alemão Miroslav Klose.

Segundo tempo

Ainda que a Argentina não fizesse um grande jogo, a Áustria mostrava claras dificuldades do setor criativo. O sistema montado pelo técnico alemão Ralf Rangnick priorizava a defesa, com apenas um homem mais avançado: Michael Gregoritsch. Na ponta esquerda, Sabitzer era o escape mais perigoso.

As dificuldades de infiltrar eram tantas que a primeira finalização no alvo austríaca só saiu aos nove minutos da etapa final, numa cobrança de falta defendida por Emiliano Martínez. Enquanto isso, os argentinos apareciam vez ou outra à frente, mas o jogo era mais travado.

Ao longo da etapa final, a Áustria tentou de tudo e chegou a colocar o centroavante Marko Arnautović em ação, mas não foi suficiente para criar um ambiente de pressão. No fim, a estrela de Lionel Messi brilhou mais uma vez. Em um bate-rebate na área, a bola sobrou justamente para o 10 que, de carrinho, colocou no fundo das redes: 2 a 0.

ARGENTINA 2 X 0 ÁUSTRIA

Argentina: Emiliano:Martínez; Nahuel Molina, Cuti Romero (Nicolás Otamendi, aos 12′ do 2ºT), Lisandro Martínez e Facundo Medina (Nicolás Tagliafico, aos 37′ do 2ºT); Rodrigo de Paul (Leandro Paredes, aos 37′ do 2ºT), Enzo Fernández, Alexis Mac Allister e Thiago Almada (Julián Álvarez, aos 19′ do 2ºT); Lionel Messi e Lautaro Martínez (Nico González, aos 19′ do 2ºT). Técnico: Lionel Scaloni.

Áustria: Alexander Schlager; Stefan Posch (Alexander Prass, aos 22′ do 2ºT), Kevin Danso, David Alaba (Marco Friedl, aos 22′ do 2ºT) e Konrad Laimer; Nicolas Seiwald, Xaver Schlager, Paul Wanner (Marko Arnautović, aos 22′ do 2ºT), Marcel Sabitzer e Romano Schmid (Patrick Wimmer, aos 33′ do 2ºT); Michael Gregoritsch (Carney Chukwuemeka, aos 40′ do 2ºT). Técnico: Ralf Rangnick.

Motivo: segunda rodada do Grupo J da Copa do Mundo;
Data: segunda-feira, 22 de junho de 2026;
Horário: 14h (de Brasília), 12h (locais);

Gols: Lionel Messi, aos 38′ do 1ºT, e aos 49′ do 2ºT (ARG);
Cartões amarelos: Facundo Medina, aos 31′, e Leandro Paredes, aos 47′ do 2ºT (ARG); Stefan Posch, aos 40′ do 1ºT, e Konrad Laimer, aos 31′ do 2ºT (AUS);

Público: 70.649 torcedores;
Local: AT&T Stadium, em Dallas (Estados Unidos);
Árbitro: Amin Mohamed Omar (Egito);
Assistentes: Mahmoud Abouregal (Egito) e Ahmed Hossam Taha (Egito).