CONTAGEM REGRESSIVA

Os dois gols marcados por Kylian Mbappé na vitória da França por 3 a 1 sobre Senegal, nesta terça-feira (16), no MetLife Stadium, nos Estados Unidos, colocaram o atacante mais próximo do posto de maior artilheiro da história das Copas do Mundo. Com 14 gols em Mundiais, o jogador francês passou a ocupar a quarta posição do ranking histórico e ficou atrás apenas de Ronaldo, com 15, e Miroslav Klose, líder da lista com 16.

Além da aproximação aos dois primeiros colocados, Mbappé ultrapassou Just Fontaine e se tornou o maior goleador da França em Copas do Mundo. O ex-atacante havia marcado 13 gols na edição de 1958, disputada na Suécia, em seis partidas.

Desde a estreia em Copas, no Mundial da Rússia, em 2018, Mbappé soma 14 gols em 15 jogos, com média de 0,93 por partida. Entre os atletas à frente do francês no ranking, Klose marcou 16 vezes em 24 partidas, média de 0,66, enquanto Ronaldo fez 15 gols em 19 jogos, com média de 0,78.

Outro concorrente direto de Mbappé pelo posto de maior artilheiro da história dos Mundiais é Lionel Messi. O argentino, que também estreia nesta terça-feira pela Argentina, soma 13 gols em 26 partidas disputadas em Copas, com média de 0,50 por jogo.

Maiores artilheiros da história das Copas do Mundo:

Miroslav Klose (Alemanha): 16 gols
Ronaldo (Brasil): 15 gols
Gerd Müller (Alemanha): 14 gols
Kylian Mbappé (França): 14 gols
Lionel Messi (Argentina): 13 gols
Just Fontaine (França): 13 gols
Pelé (Brasil): 12 gols

 

O jogo entre França e Senegal

Domínio de Senegal, mas chances perdidas

Apesar do calor no MetLife Stadium, o jogo começou animado até mesmo com o vibrante hino francês, o qual “incendiou” o estádio. Já a partida contou com tentativas dos dois times nos primeiros minutos.

E o curioso é que, quando o jogo aparentava estar esfriando – até com a torcida se divertindo com o grito de olé -, Senegal transformou a superioridade vista em toda a primeira etapa em uma grande chance. A questão é que a maioria francesa na arquibancada deu “azar” ao país africano.

No minuto 24, Nicolas Jackson recebeu ótimo passe pela esquerda e acelerou. Como era um lance de contra-ataque, o atacante conseguiu utilizar a velocidade para deixar a defesa da França para trás. Na finalização, o atacante destro arriscou com a perna esquerda e acertou a trave. A bola ainda voltou no pé de Maignan, que teve a sorte de rebater para a linha de fundo e não para dentro do gol.

A outra grande oportunidade foi no último minuto da primeira etapa. Após trama pela esquerda, os torcedores que já estavam saindo para o intervalo tiveram que parar e observar o Senegal levando sérios riscos aos franceses. Aos 51, a bola foi cruzada pela esquerda, e Ismaïla Sarr surgiu livre para aproveitar uma chance clara. No entanto, o jogador do Crystal Palace isolou o chute de direita.

E a França? Talvez essa tenha sido a pergunta de todos no primeiro tempo. O time francês até teve mais a posse de bola (56%), mas apenas Ousmane Dembélé finalizou, sem acertar o alvo. Uma atuação aquém dos favoritos na etapa inicial.

Uma “nova” França

Bastou uma conversa no intervalo para aparecer uma nova França. Ou melhor, a esperada França. Com menos de dois minutos na etapa final, Doué levou perigo ao gol rival com um bom chute. Na sequência, Olise e Mbappé obrigaram Mendy a mostrar todo o talento que o consagrou campeão da Champions pelo Chelsea com grandes defesas.

A partir desse momento, o grande nome da França se mostrou disposto a mudar o jogo. No minuto 14, Mbappé caiu na área após dividida com Sadio Mané. Em campo, o árbitro australiano Alireza Faghani rebateu os pedidos de pênalti e deu escanteio para a França. No entanto, o VAR recomendou a revisão em razão de um toque de Mané em Mbappé. Mesmo assim, o árbitro entendeu que o toque do senegalês foi causado pelo movimento do francês, e não por imprudência. A decisão final foi de “não pênalti” e tiro de meta para os africanos.

Já aos 20, não houve discussão que impedisse o 13º gol de Kylian Mbappé na história das Copas do Mundo – superando o Rei Pelé, que marcou 12 entre 1958 e 1970. Em mais um ótimo passe de Olise – que foi o destaque francês no jogo -, o camisa 10 precisou apenas de um toque, já dentro da área, para mudar o placar do MetLife Stadium. Um chute sutil, mas fatal para tirar de Mendy e mostrar que o grande nome da Seleção Francesa chegou ao Mundial: 1 a 0.

Minutos depois, Senegal deu o troco com uma bola na rede que faria jus ao equilíbrio da partida até o momento. No entanto, mesmo com a boa finalização de perna esquerda que passou por Maignan, o impedimento de Nicolas Jackson foi assinalado, o que frustrou a minoria senegalesa que vibrava com a suposta igualdade.

Depois disso, a França se mostrou mais solta em campo, e o prêmio foi a definição do placar, para a “loucura” dos mais de 80 mil pessoas que lotaram o MetLife Stadium. Após lindo passe de Rabiot, o ponta Barcola, que acabara de entrar, deu uma linda cavadinha e ampliou:2 a 0.

O embate parecia não reservar mais emoções. Apenas parecia. Aos 49 minutos, Mbaye recolocou Senegal na partida. O atacante driblou Theo Hernández na entrada da grande área e soltou uma bomba. O goleiro Maignan encostou na bola, mas não segurou. A tensão voltou a assombrar os franceses no campo do MetLife Stadium: 2 a 1.

Durou pouco, graças a Mbappé. Os acréscimos ainda proporcionariam o momento mais bonito do jogo. E tinha que ser o 14º gol de uma lenda da história das Copas que só tem 27 anos. Kylian Mbappé acelerou pelo meio, arriscou um lindo chute de longa distância e marcou um golaço para fazer o MetLife Stadium o ovacionar. Um chute único de um jogador único para definir o placar: 3 a 1.

Com quase 100 minutos, Maignan, que já havia falhado no primeiro gol, quase colocou a bola para dentro da própria meta. Mas ele salvou o que poderia ser o segundo gol senegalês.

FRANÇA 3 X 1 SENEGAL

França:Maignan; Koundé, Upamecano, Saliba e Theo Hernández; Tchouaméni e Rabiot; Olise e Doué (Cherki, aos 41’ do 2ºT); Dembélé (Barcola, aos 34’ do 2ºT) e Mbappé. Técnico: Didier Deschamps 

Senegal: Mendy; Diatta, Koulibaly, Niakhaté e Malick Diouf; Gana Gueye, Pape Gueye (Iliman Ndiaye, aos 39’ do 2ºT) e Camara (Diarra, aos 29’ do 2ºT); Ismaila Sarr (Mbaye, aos 29’ do 2ºT), Nicolas Jackson (Dieng, aos 39’ do 2ºT) e Sadio Mané . Técnico: Pape Thiaw 

Local: MetLife Stadium, em East Rutherford, nos Estados Unidos
Motivo: 1ª rodada do Grupo I da Copa do Mundo de 2026
Gols: Mbappé, aos 20’ do 2ºT (FRA); e Barcola, aos 36’ do 2ºT (FRA); Mbaye, aos 49′ do 2ºT (SEN); Mbappé, aos 50′ do 2ºT

Árbitro: Alireza Faghani (AUS)
Assistentes: George Lakrinidis e Andrew Lindsay (AUS)
VAR: Abdullah Alshehri (ARA) 
Cartões amarelos: 
Cartão vermelho: 
Público: 80.663 pessoas