COPA DO MUNDO

Kansas City – Um mar amarelo que amarga uma noite frustrante; e uma onda azul que vibra um ponto histórico. Neste sábado (20/6), um jogo pouco aguardado se tornou uma das grandes histórias desta Copa do Mundo. O Equador empilhou oportunidades, mas parou numa atuação brilhante do goleiro Eloy Room, que garantiu a Curaçao o sofrido empate por 0 a 0 no Arrowhead Stadium, em Kansas City, nos Estados Unidos, pela segunda rodada do Grupo E.

Este é o primeiro ponto de Curaçao na história das Copas do Mundo. Com apenas 150 mil habitantes e uma área de 444 quilômetros quadrados, a ilha caribenha é o menor país a disputar o torneio em todos os tempos (em população e extensão territorial). Após marcar o primeiro gol derrota por 7 a 1, os curaçauenses comemoram uma pontuação que os deixam, por que não, sonhar.

Por sua vez, o resultado pode ser traumático para o Equador. A seleção sul-americana também chega a um ponto, mas contava com os três de uma eventual vitória para ficar mais perto do mata-mata.

Já classificada como primeira colocada da chave, a Alemanha tem seis pontos. Em segundo lugar, aparece a Costa do Marfim, com três. Equatorianos e curaçauenses aparecem em terceiro e quarto, respectivamente, ambos com um.

Próximo jogo de Equador e Curaçao na Copa do Mundo

Equador x Alemanha – 25/6 (quinta-feira), às 17h (de Brasília), no Metlife Stadium, em Nova Jersey (Estados Unidos)
Curaçao x Costa do Marfim – 25/6 (quinta-feira), às 17h (de Brasília), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia (Estados Unidos)

O jogo

 

Pressionado pela derrota por 1 a 0 para Costa do Marfim na estreia, o Equador se lançou ao ataque desde o princípio. O técnico Sebastián Beccacece apostou mais uma vez numa linha de quatro lá atrás, com o meio-campista Alan Franco, do Atlético, na lateral direita. À frente, uma trinca de meio-campistas e outra de atacantes. Estupiñán e Alcívar entraram nas vagas de Ordóñez e Minda, respectivamente.

A estratégia, porém, não foi executada à perfeição. Como era de se esperar, os equatorianos tiveram mais a bola (65%, contra 25% de Curaçao e 10% em disputa) e finalizaram mais (oito a cinco) no primeiro tempo. No entanto, dois fatores tornaram o jogo mais perigoso: a falta de pontaria – que converteu o goleiro Eloy Room no melhor em campo até ali – e excessivos espaços no sistema defensivo.

Quem achava que Curaçao seria uma presa fácil se enganou. Após o retumbante 7 a 1 sofrido contra a Alemanha, o técnico Dick Advocaat e os próprios jogadores disseram publicamente que o time deu espaços demais. Por isso, o experiente técnico holandês de 78 anos colocou um defensor (Joshua Brenet) no lugar de um atacante (Sontje Hansen) no time e apostou num claro 5-4-1 no momento defensivo.

Mas não se pode dizer que os curaçauenses não apareceram no ataque. A equipe levou perigo e teve bons momentos, mas falhou na tomada de decisão – especialmente em um lance ainda no início, com o meia Tahith Chong, que escolheu a pior opção de passe já na área do Equador. Enquanto isso, os sul-americanos empilharam oportunidades perdidas, em especial com Enner Valencia. Com o passar do tempo, os nervos claramente tomaram conta – o que se refletiu na torcida, que pintou o Arrowhead Stadium de amarelo – e o time passou a apelar para lançamentos malsucedidos.

Segundo tempo

De forma meio atabalhoada, o Equador seguiu dominante e se impôs no campo ofensivo adversário. Os caminhos para infiltrar no muro curaçauense pareciam complicados, então a equipe sul-americana decidiu apostar as fichas em finalizações de longe e, sobretudo, na bola aérea. Foram várias oportunidades desses modos, com Caicedo, Plata, Kevin Rodríguez e Enner Valencia, mas a estrela do goleiro Eloy Room brilhou mais alto com grandes defesas.

Curaçao também vivia emoções no campo ofensivo. Ainda que os avanços fossem raros, a seleção caribenha também levou perigo e encontrou as primeiras finalizações certas na etapa final e via Chong ser o principal escape, mas o goleiro Hernán Galíndez também apareceu bem.

E assim seguiu o ritmo da partida até o fim. Apressado e apreensivo, os equatorianos tentavam, tentavam e tentavam, mas não conseguiam. Chegaram até a acertar o travessão com Preciado, mas não conseguiram mesmo. No fim, resultado histórico para Curaçao, que agora ousa sonhar com uma classificação, e frustrante para o Equador, que vê a vaga na próxima fase escorrer entre os dedos.

EQUADOR 0 X 0 CURAÇAO

Equador:Hernán Galíndez; Alan Franco (Ángelo Preciado, aos 38′ do 2ºT), Willian Pacho, Piero Hincapié e Pervis Estupiñán (Angulo, aos 24′ do 2ºT); Jordy Alcívar (Kevin Rodríguez, no intervalo), Pedro Vite e Moisés Caicedo; Gonzalo Plata, John Yeboah (Jordy Caicedo, aos 44′ do 2ºT) e Enner Valencia. Técnico: Sebastián Beccacece.

Curaçao:Eloy Room; Joshua Brenet, Jurien Gaari, Armando Obispo, Sherel Floranus e Deveron Fonville (Roshon van Eijma, aos 30′ do 2ºT); Leandro Bacuna, Livano Comenencia (Godfried Roemeratoe, aos 38′ do 2ºT), Juninho Bacuna (Kenji Gorré, aos 30′ do 2ºT) e Tahith Chong (Jearl Margaritha, aos 30′ do 2ºT); Jürgen Locadia (Gervane Kastaneer, aos 38′ do 2ºT). Técnico: Dick Advocaat.

Gols: 
Cartões amarelos: Jordy Alcívar, aos 37′ do 1ºT (EQU); Leandro Bacuna, aos 38′ do 1ºT, Juninho Bacuna, aos 7′, Livano Comenecia, aos 11′, e Jurien Gaari, aos 30′ do 2ºT (CUR)

Motivo: segunda rodada do Grupo E da Copa do Mundo
Data: sábado, 20 de junho de 2026
Horário: 14h (de Brasília), 12h (locais)
Local: Arrowhead Stadium, em Kansas City, nos Estados Unidos
Árbitro: Ning Ma (China)
Assistentes: Zhou Fei (China) e Saoud Al-Maqaleh (Catar)
VAR: Ming Fu (China)