O primeiro capítulo “oficial” do Atlético sem Hulk tinha tudo para ser de sorrisos. Na tarde deste domingo (10/5), após se despedir do maior ídolo da atual geração, a Arena MRV pulsou com um Galo vibrante e dinâmico na maior parte do jogo, mas amargou empate ao ver o alvinegro mineiro “bobear” na reta final. Com gol nos últimos minutos, o Botafogo “arrancou” empate por 1 a 1 no duelo pela 15ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro.

Antes do duelo, Hulk entrou no gramado, foi ovacionado pela torcida e recebeu diversas homenagens do clube, que preparou tifo gigante que ia do teto ao chão do estádio com os dizeres “ObriGalo, Hulk!” e quatro desenhos do jogador de 39 anos, entre outros “presentes”.

 O primeiro gol da partida foi marcado justamente por aquele que tem sido o “substituto” do camisa 7 nas últimas escalações: o centroavante colombiano Mateo Cassierra, aos 22 minutos de jogo. O Atlético teve início dinâmico, com construções rápidas e muita intensidade.

 No segundo tempo, controlou bem e empilhou chances para ampliar o placar, mas foi punido por não aproveitá-las e, em falha do zagueiro paraguaio Juniro Alonso, sofreu gol do atacante Arthur Cabral aos 44 minutos do segundo tempo. O apito final foi acopanhado por vaias fortes da torcida e novos xingamentos a “Menin” (sem especificar se Rubens ou Rafael), ouvidos também ao fim da homenagem a Hulk.

Com o resultado, o Atlético perde a chance de alcançar a sequência de duas vitórias consecutivas no Campeonato Brasileiro. A equipe treinada pelo Barba só havia conquistado triunfos consecutivos na Série A uma vez neste ano – no início de abril, quando venceu a Chapecoense por 4 a 0 e, dias depois, derrotou o Athletico-PR por 2 a 1.

 O Galo indicava que enfim conseguiria voltar à primeira metade da tabela – com o 1 a 0, terminaria a rodada em oitavo lugar. Contudo, com o gol sofrido na bacia das almas, caiu para a 12ª colocação do Brasileiro, com 18 pontos – o 14º, Vasco, e o 15º Grêmio, têm 17 pontos, mas um jogo a menos, e podem ultrapassar o Atlético.

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Lance do jogo entre Atlético e Botafogo | Edésio Ferreira/D.A Press

Pesadelo se repete

O Galo vê o roteiro de terça-feira (5/5) se repetir. Na ocasião, o alvinegro chegou a abrir 2 a 0 sobre o Juventud, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai, pela quarta rodada do Grupo B da Copa Sul-Americana – contudo, viu o modesto adversário emplacar “reaçao relâmpago” e empatar em 11 minutos.

 Os dois gols do Juventud foram sofridos por meio de bola aérea, bem como o gol de Arthur Cabral. Assim, o “ponto fraco” da equipe custou novamente caro para a sequência da temporada.

O Atlético falha de novo na tentativa de conseguir uma sequência positiva após a icônica e surpreendente vitória no clássico sobre o Cruzeiro no dia 2 de maio, sábado, no Mineirão, pela 14ª rodada do Brasileiro.

Próximos jogos de Atlético e Botafogo

O Atlético vira a chave para a Copa do Brasil. Na quarta-feira (13/5), encara o Ceará na Arena Castelão, em Fortaleza, a partir das 21h30, pelo jogo de volta da quinta fase da Copa do Brasil. O Galo venceu a ida por 2 a 1, na Arena MRV.

 O Botafogo também converterá o foco para a Copa do Brasil. Na quinta-feira (14/5), encara a Chapecoense na Arena Condá, em Chapecó, a partir das 18h. No jogo de ida, o alvinegro carioca triunfou por 1 a 0 no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro.

O jogo

Em meio aos momentos de emoção pela despedida de Hulk, o Atlético sofreu baque nos minutos que antecediam a partida – o zagueiro Ruan Tressoldi, escalado como titular, machucou-se no aquecimento.

 Com isso, Eduardo Domínguez teve que mudar taticamente o time previsto – se outrora o alvinegro ia a campo com três zagueiros e Cuello de ala direita, com a entrada de Natanael no lugar de Ruan, a equipe se postava em um clássico 4-2-3-1, com Cuello de ponta-esquerda e Alan Minda de ponta esquerda.

 O Atlético não se deixou abalar pela perda e teve início fulminante. Logo no primeiro minuto, Alan Minda recebeu de Cassierra e chutou rasteiro para balanças as redes no canto direito de Neto. A arbitragem, contudo, anulou rapidamente o gol.

Intenso, o Galo conseguia pôr em prática uma das principais ideias características do técnico argentino Eduardo Domínguez: a transição rápida entre a defesa e o ataque. A equipe construía jogadas ofensivas com clareza e velocidade e se valia do bom poderio de construção de jogo com a dupla de volantes formada por Maycon e o argentino Tomás Pérez – que substituia o equatoriano Alan Franco, que não tem a saída de bola como uma de suas grandes qualidades.

O gol veio logo aos 22 minutos, com o centroavante Mateo Cassierra. O zagueiro argentino Barboza, do Botafogo, afastou cruzamento rasteiro de Cuello, e a bola sobrou no pé do colombiano do Galo, livre na entrada da área. Ele teve tempo de dominar, ajeitar e acertar forte finalização de chapa no ângulo esquerdo de Neto, que até tocou na bola, mas não conseguiu impedir que ela balançasse as redes do Glorioso: 1 a 0.

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Cassierra comemora gol contra o Botafogo | Edésio Ferreira/D.A Press

O Atlético seguiu pressionando embalado pela torcida, que entrou em frenesi após o gol. Mesmo melhor na partida, o Galo não conseguiu criar chances tão claras para ir para o intervalo com vantagem maior. O Botafogo melhorou na segunda metade do segundo tempo e conseguiu ter presença ofensiva, mas não teve tantas oportunidades palpáveis de gol, parando na boa atuação de Everson.

Segundo tempo

Com grande atuação do meio-campista Danilo, o grande nome do time na temporada e figura provável, o Botafogo cresceu e teve mais a bola no segundo tempo. Isso, contudo, também foi estratégia de Eduardo Domínguez, que costuma baixar a linha de defesa quando tem a vantagem no placar.

 O Atlético, contudo, não sofreu tanto e soube se defender bem mesmo sem os dois principais zagueiros – Lyanco, suspenso, e Ruan Tressoldi, lesionado.

 O Botafogo até tinha mais posse de bola e conseguia chegar com certo perigo – a principal chance foi o chute de Danilo na trave, aos 11 minutos – mas quem teve as melhores oportunidades de gol foi o Galo, que emplacou bons contra-ataques.

 Aos 13, Cuello acertou bom chute da entrada da área para bela defesa de Neto. Aos 16, o goleiro voltou a brilhar com defesa espetacular em cabeçada de Cuello, que recebeu livre na área belo cruzamento do lateral Renan Lodi.

 Aos 19, o Atlético voltou a ter grande chance de ampliar o placar. Novamente a jogada saiu dos pés de Renan Lodi, que teve grande atuação – o lateral cruzou com maestria e encontrou o zagueiro chileno Iván Roman na área, mas a cabeçada do defensor saiu triscando no travessão.

 O Galo controlava e se fechava na reta final. Mas, quando a vitória parecia encaminhada, o calcanhar de aquiles do time voltou a ficar evidente: a bola aérea. Marçal cobrou lateral forte na grande área, e a bola sobrou para Arthur Cabral após tocar nas costas de Junior Alonso. O centroavante chutou de primeira e balançou as redes: 1 a 1.

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Jogadores do Botafogo comemoram gol de empate diante do Atlético

| Edésio Ferreira/D.A Press


Atlético 1 x 1 Botafogo

Atlético:Everson; Natanael, Ivan Román (Vitor Hugo, aos 23′ do 2ºT), Junior Alonso e Renan Lodi; Tomás Pérez, Maycon, Bernard (Alexsander, aos 4′ do 2ºT); Cuello (Reinier, aos 43′ do 2ºT), Alan Minda (Cissé, aos 24′ do 2ºT) e Cassierra. Técnico: Eduardo Domínguez.

Botafogo:Neto; Mateo Ponte, Ferraresi, Barboza e Alex Telles (Marçal, aos 30′ do 2ºT); Newton (Montoro, aos 30′ do 2ºT), Edenilson (Barría, aos 19′ do 2ºT), Medina e Danilo; Matheus Martins (Barrera, aos 35′ do 2ºT) e Arthur Cabral. Técnico: Franclim Carvalho

Gols: Cassierra, aos 22′ do 1º T (Atlético); Arthur Cabral, aos 44′ do 2º T (Botafogo)
Cartões amarelos: Alex Telles, aos 27′ do 1ºT, e Mateo Ponte, aos 48′ do 2ºT (Botafogo)
Motivo: 15ª rodada do Campeonato Brasileiro
Data: 10/2/2026 (domingo)
Horário: 16h

Local: Arena MRV, em Belo Horizonte
Árbitro: Ramon Abatti Abel
Assistentes: Neuza Inês Back e Henrique Neu Ribeiro
VAR: Diego Pombo Lopez
Público: 33.043 torcedores
Renda bruta: R$ 1.731.166,89