array(31) {
["id"]=>
int(178940)
["title"]=>
string(94) "Enel acusa Aneel de distorcer regras para forçar caducidade em SP e prepara ofensiva judicial"
["content"]=>
string(7639) "(FOLHAPRESS) - Ameaçada de ter anulado o seu contrato de distribuição de energia na Grande São Paulo, a distribuidora de energia Enel acusa a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) de tentar distorcer regras e basear decisões em dados equivocados para forçar a ruptura contratual.
As afirmações fazem parte de duas cartas enviadas pela concessionária ao órgão regulador na semana passada, dias antes da reunião que poderá dar início à caducidade, termo jurídico aplicado a esse tipo de processo.
Está prevista para esta terça-feira (7) a reunião em que a diretoria da Aneel poderá recomendar a cassação do contrato ao Ministério de Minas e Energia. Procurada pela reportagem, a agência não havia comentado sobre as alegações da concessionária até a publicação deste texto.
O procedimento que pode anular o contrato da Enel começou após uma sequência de apagões que atingiu a Grande São Paulo a partir do final de 2023, com repetições em 2024 e em 2025. Todos causados por tempestades acompanhadas de vendavais.
Pressionados pelos danos políticos causados pelas quedas de energia que chegaram a durar dias em algumas localidades, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) passaram a se posicionar publicamente a favor do fim da concessão, que é federal.
Nos bastidores dessa disputa, uma pessoa que participa do processo disse à Folha que a pressão política pela caducidade é grande e que dificilmente será contrariada pela diretoria do órgão regulador.
Corroborando a ideia de que a sentença na Aneel está dada, o diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, antecipou no mês passado seu parecer pela caducidade durante uma reunião na qual a deliberação sobre esse mérito não estava prevista.
O ato abriu a brecha para a Enel contestar na Justiça o parecer, resultando em uma suspensão provisória do julgamento. No final do mês passado, porém, a juíza do caso revisou sua decisão liminar e autorizou o julgamento previsto para esta terça.
O contragolpe da Enel deverá vir em forma de um apanhado de contestações técnicas e jurídicas que, além de tentar fragilizar um eventual parecer da Aneel pela caducidade, buscam dar sobrevida à concessionária em uma eventual disputa judicial.
A empresa argumenta que a recomendação para que o governo federal tome de volta a concessão é baseada em avaliações distorcidas e em uma série de falhas legais que ferem o direito de defesa e a segurança do setor elétrico.
Um dos pilares da acusação da Enel é o que ela chama de erro de cálculo crítico da Aneel ao compará-la com a Copel (concessionária do Paraná).
Segundo a agência, a Enel teria sido mais lenta que a paranaense em grandes tempestades. No entanto, a Enel afirma que a Aneel utilizou dados errados da Copel, incluindo na conta quedas de energia que duraram menos de três minutos -o que seria proibido pelas normas técnicas oficiais.
Outro ponto da defesa é a alegação de que a fiscalização ignora as características únicas de São Paulo, tratando a metrópole como se fosse uma área de operação comum. A Enel descreve a região da capital paulista como um ponto fora da curva porque a concentração de clientes é 23 vezes superior à média nacional.
A empresa também diz que a complexidade da rede, o trânsito intenso e a arborização maciça da cidade criam um cenário que não pode ser comparado diretamente com outros municípios.
A Enel ainda rebate o que chama de "ilações" da Aneel sobre o seu caixa. O órgão regulador afirmou que, como a empresa gastou menos do que o limite permitido para operação, ela teria uma folga financeira que deveria ter sido usada para contratar mais eletricistas.
A distribuidora afirma que o modelo de negócios do setor elétrico brasileiro incentiva as empresas a economizarem e que parte dessa suposta folga é composta apenas por créditos contábeis e impostos a recuperar, dinheiro que não existe fisicamente no caixa para pagar salários de equipes de emergência.
No campo do direito, a Enel acusa a Aneel de criar metas de forma retroativa. A empresa afirma que cumpriu o plano de recuperação combinado com a agência em 2024, mas que agora a Aneel estaria exigindo resultados baseados em critérios que não estavam no acordo original.
Os advogados da distribuidora apontam vícios no processo como a ampliação indevida do caso -a agência incluiu tempestades de 2025 para julgar um processo que deveria tratar apenas de falhas de 2024.
A Enel ainda afirma que a agência ignorou um evento de força maior, alegando que não poderia perder a concessão pelos efeitos de uma tempestade com ventos de quase 100 km/h por 12 horas seguidas. Segundo a concessionária, nenhuma rede do mundo sairia ilesa.
"
["author"]=>
string(6) "Minas1"
["user"]=>
NULL
["image"]=>
array(6) {
["id"]=>
int(636376)
["filename"]=>
string(13) "enelsampa.png"
["size"]=>
string(7) "1038207"
["mime_type"]=>
string(9) "image/png"
["anchor"]=>
NULL
["path"]=>
string(0) ""
}
["image_caption"]=>
string(9) " © Getty"
["categories_posts"]=>
NULL
["tags_posts"]=>
array(0) {
}
["active"]=>
bool(true)
["description"]=>
string(319) "As afirmações fazem parte de duas cartas enviadas pela concessionária ao órgão regulador na semana passada, dias antes da reunião que poderá dar início à caducidade, termo jurídico aplicado a esse tipo de processo
"
["author_slug"]=>
string(6) "minas1"
["views"]=>
int(71)
["images"]=>
NULL
["alternative_title"]=>
string(0) ""
["featured"]=>
bool(false)
["position"]=>
int(0)
["featured_position"]=>
int(0)
["users"]=>
NULL
["groups"]=>
NULL
["author_image"]=>
NULL
["thumbnail"]=>
NULL
["slug"]=>
string(93) "enel-acusa-aneel-de-distorcer-regras-para-forcar-caducidade-em-sp-e-prepara-ofensiva-judicial"
["categories"]=>
array(1) {
[0]=>
array(9) {
["id"]=>
int(440)
["name"]=>
string(8) "Economia"
["description"]=>
NULL
["image"]=>
NULL
["color"]=>
string(7) "#a80000"
["active"]=>
bool(true)
["category_modules"]=>
NULL
["category_models"]=>
NULL
["slug"]=>
string(8) "economia"
}
}
["category"]=>
array(9) {
["id"]=>
int(440)
["name"]=>
string(8) "Economia"
["description"]=>
NULL
["image"]=>
NULL
["color"]=>
string(7) "#a80000"
["active"]=>
bool(true)
["category_modules"]=>
NULL
["category_models"]=>
NULL
["slug"]=>
string(8) "economia"
}
["tags"]=>
NULL
["created_at"]=>
object(DateTime)#539 (3) {
["date"]=>
string(26) "2026-04-07 20:05:59.000000"
["timezone_type"]=>
int(3)
["timezone"]=>
string(13) "America/Bahia"
}
["updated_at"]=>
object(DateTime)#546 (3) {
["date"]=>
string(26) "2026-04-07 20:05:59.000000"
["timezone_type"]=>
int(3)
["timezone"]=>
string(13) "America/Bahia"
}
["published_at"]=>
string(25) "2026-04-07T19:50:00-03:00"
["group_permissions"]=>
array(4) {
[0]=>
int(1)
[1]=>
int(4)
[2]=>
int(2)
[3]=>
int(3)
}
["image_path"]=>
string(14) "/enelsampa.png"
}
(FOLHAPRESS) - Ameaçada de ter anulado o seu contrato de distribuição de energia na Grande São Paulo, a distribuidora de energia Enel acusa a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) de tentar distorcer regras e basear decisões em dados equivocados para forçar a ruptura contratual.
As afirmações fazem parte de duas cartas enviadas pela concessionária ao órgão regulador na semana passada, dias antes da reunião que poderá dar início à caducidade, termo jurídico aplicado a esse tipo de processo.
Está prevista para esta terça-feira (7) a reunião em que a diretoria da Aneel poderá recomendar a cassação do contrato ao Ministério de Minas e Energia. Procurada pela reportagem, a agência não havia comentado sobre as alegações da concessionária até a publicação deste texto.
O procedimento que pode anular o contrato da Enel começou após uma sequência de apagões que atingiu a Grande São Paulo a partir do final de 2023, com repetições em 2024 e em 2025. Todos causados por tempestades acompanhadas de vendavais.
Pressionados pelos danos políticos causados pelas quedas de energia que chegaram a durar dias em algumas localidades, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) passaram a se posicionar publicamente a favor do fim da concessão, que é federal.
Nos bastidores dessa disputa, uma pessoa que participa do processo disse à Folha que a pressão política pela caducidade é grande e que dificilmente será contrariada pela diretoria do órgão regulador.
Corroborando a ideia de que a sentença na Aneel está dada, o diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, antecipou no mês passado seu parecer pela caducidade durante uma reunião na qual a deliberação sobre esse mérito não estava prevista.
O ato abriu a brecha para a Enel contestar na Justiça o parecer, resultando em uma suspensão provisória do julgamento. No final do mês passado, porém, a juíza do caso revisou sua decisão liminar e autorizou o julgamento previsto para esta terça.
O contragolpe da Enel deverá vir em forma de um apanhado de contestações técnicas e jurídicas que, além de tentar fragilizar um eventual parecer da Aneel pela caducidade, buscam dar sobrevida à concessionária em uma eventual disputa judicial.
A empresa argumenta que a recomendação para que o governo federal tome de volta a concessão é baseada em avaliações distorcidas e em uma série de falhas legais que ferem o direito de defesa e a segurança do setor elétrico.
Um dos pilares da acusação da Enel é o que ela chama de erro de cálculo crítico da Aneel ao compará-la com a Copel (concessionária do Paraná).
Segundo a agência, a Enel teria sido mais lenta que a paranaense em grandes tempestades. No entanto, a Enel afirma que a Aneel utilizou dados errados da Copel, incluindo na conta quedas de energia que duraram menos de três minutos -o que seria proibido pelas normas técnicas oficiais.
Outro ponto da defesa é a alegação de que a fiscalização ignora as características únicas de São Paulo, tratando a metrópole como se fosse uma área de operação comum. A Enel descreve a região da capital paulista como um ponto fora da curva porque a concentração de clientes é 23 vezes superior à média nacional.
A empresa também diz que a complexidade da rede, o trânsito intenso e a arborização maciça da cidade criam um cenário que não pode ser comparado diretamente com outros municípios.
A Enel ainda rebate o que chama de "ilações" da Aneel sobre o seu caixa. O órgão regulador afirmou que, como a empresa gastou menos do que o limite permitido para operação, ela teria uma folga financeira que deveria ter sido usada para contratar mais eletricistas.
A distribuidora afirma que o modelo de negócios do setor elétrico brasileiro incentiva as empresas a economizarem e que parte dessa suposta folga é composta apenas por créditos contábeis e impostos a recuperar, dinheiro que não existe fisicamente no caixa para pagar salários de equipes de emergência.
No campo do direito, a Enel acusa a Aneel de criar metas de forma retroativa. A empresa afirma que cumpriu o plano de recuperação combinado com a agência em 2024, mas que agora a Aneel estaria exigindo resultados baseados em critérios que não estavam no acordo original.
Os advogados da distribuidora apontam vícios no processo como a ampliação indevida do caso -a agência incluiu tempestades de 2025 para julgar um processo que deveria tratar apenas de falhas de 2024.
A Enel ainda afirma que a agência ignorou um evento de força maior, alegando que não poderia perder a concessão pelos efeitos de uma tempestade com ventos de quase 100 km/h por 12 horas seguidas. Segundo a concessionária, nenhuma rede do mundo sairia ilesa.