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Após quase dois meses da chegada ao Recife e com cerca de um mês de atraso em relação ao cronograma divulgado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), o primeiro trem usado adquirido junto ao Metrô de Belo Horizonte começou a operar na tarde desta sexta-feira (10), na Linha Sul do Metrô do Recife.
A composição passa a integrar a frota em meio à crise operacional enfrentada pelo sistema e tem como principal objetivo evitar o colapso da linha, previsto pela própria CBTU para 2027.
A estreia do trem foi acompanhada por passageiros que, embora tenham reconhecido a necessidade da ampliação da frota para reduzir o tempo de espera nas plataformas, apontaram o desconforto provocado pela ausência de ar-condicionado, uma das principais reclamações de quem utiliza diariamente o sistema.
A técnica de enfermagem Noelma Fagundes, de 53 anos, faz diariamente o trajeto entre as estações Tancredo Neves e Joana Bezerra para trabalhar. Para ela, a chegada do novo trem pode reduzir o intervalo entre as viagens, mas não resolve um dos principais problemas enfrentados pelos usuários.
“O calor é o que as pessoas mais falam. E antigamente passava de cinco a dez minutos de espera. Agora, eu acredito que o tempo de espera diminua, apesar do calor desse vagão. Conheço gente que já desmaiou de calor e acho que isso pode acontecer nesse novo trem. Mas a compra era urgente mesmo, porque a gente passa muito tempo esperando. Acho que a privatização era o que estava precisando para chegada de novos trens”, afirmou.
O pintor Adesildo Ferreira, de 55 anos, morador do Cabo de Santo Agostinho, utiliza frequentemente o sistema para comprar materiais de trabalho no Centro do Recife. “Acho que a iluminação desse metrô deveria ser de LED, que é melhor. Achei a iluminação dele baixa. Já o ar-condicionado é necessário por causa do calor e às vezes pego trem lotado. Daí fica ainda mais desconfortável. Mas a compra desse trem é útil e importante, sem ele seria pior”, examinou.

Pintor Adesildo Ferreira, de 55 anos, usa o metrô toda semana
(Foto: Weslly Gomes/DP Foto)
A falta de climatização também preocupa a vendedora Naide Paulino, de 68 anos, que utiliza o metrô para se deslocar até o Centro da cidade. “Sem ar-condicionado é complicado. Como vai ser para as pessoas idosas e com problemas de pressão? Esse novo metrô vai amenizar, mas não vai ajudar muito, já que não tem ar-condicionado.”
Já o radialista Fábio Freitas, de 51 anos, que depende do sistema para trabalhar, considera que a chegada dos trens usados é uma solução emergencial para um problema que poderia ter sido enfrentado antes.
“O poder público deveria ter visto esse problema antes. Agora está tendo que fazer paliativo para amenizar. A gente sabe que os trens que chegaram são antigos e que vão dar os mesmos problemas. Mas precisamos resolver o problema. Já virou rotina trem e fiação pegarem fogo e não se resolve”, declarou o usuário.
Operação começou após atraso
O início do funcionamento da composição ocorreu depois de um adiamento. O trem chegou ao Recife em 20 de maio e, inicialmente, deveria começar a operar até 20 de junho. Segundo a CBTU, o cronograma atrasou devido à necessidade de montagem, realização de testes e conclusão da documentação para liberação da circulação.
A composição tem cerca de 24 anos de uso, foi adquirida por R$ 10 milhões junto ao Metrô de Belo Horizonte e não possui sistema de ar-condicionado. Ela é a primeira de seis composições compradas pela CBTU para reforçar a Linha Sul.
O segundo trem vindo da capital mineira já chegou ao Recife e a previsão da companhia é receber mais uma composição em agosto e outras duas em setembro. A CBTU também negocia a ampliação do acordo com Belo Horizonte para incorporar mais cinco trens, elevando para 11 o total de composições destinadas ao sistema pernambucano.
Reforço tenta evitar colapso da Linha Sul

Trem vindo de BH passa a operar no Metrô do Recife
(Foto: Weslly Gomes/DP Foto)
A aquisição dos trens faz parte das medidas emergenciais adotadas pelo governo federal durante o processo de transferência da gestão do Metrô do Recife para o Governo de Pernambuco, etapa que antecede a futura concessão do sistema à iniciativa privada.
Segundo a CBTU, o reforço da frota é considerado essencial para evitar o colapso operacional da Linha Sul, que transporta cerca de 60 mil passageiros por dia. O ramal possui 12 estações e liga o Recife a Jaboatão dos Guararapes em um percurso de aproximadamente 25 quilômetros.
A fragilidade da operação se evidencia dias após dias. Em 9 de junho, um trem descarrilou entre as estações Joana Bezerra e Recife. Pouco depois, em 29 de junho, a Linha Sul precisou ser totalmente paralisada por falta de composições disponíveis para manter a operação mínima.
A situação foi tema de um seminário promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE). Engenheiros defenderam que os cerca de R$ 4 bilhões previstos para recuperação da infraestrutura antes da concessão podem ser insuficientes para reverter o estado de deterioração do metrô, especialmente da frota, que opera atualmente com trens cuja idade média se aproxima de quatro décadas.
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O pintor Adesildo Ferreira, de 55 anos, morador do Cabo de Santo Agostinho, utiliza frequentemente o sistema para comprar materiais de trabalho no Centro do Recife. “Acho que a iluminação desse metrô deveria ser de LED, que é melhor. Achei a iluminação dele baixa. Já o ar-condicionado é necessário por causa do calor e às vezes pego trem lotado. Daí fica ainda mais desconfortável. Mas a compra desse trem é útil e importante, sem ele seria pior”, examinou.

Pintor Adesildo Ferreira, de 55 anos, usa o metrô toda semana
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A falta de climatização também preocupa a vendedora Naide Paulino, de 68 anos, que utiliza o metrô para se deslocar até o Centro da cidade. “Sem ar-condicionado é complicado. Como vai ser para as pessoas idosas e com problemas de pressão? Esse novo metrô vai amenizar, mas não vai ajudar muito, já que não tem ar-condicionado.”
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