Brasil247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, nesta segunda-feira (25), da abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, em Brasília (DF). O evento reúne 70 reitores brasileiros e 64 reitores africanos de mais de 30 países. Em seu discurso, Lula afirmou que o fórum representa uma etapa de fortalecimento da cooperação acadêmica, científica e tecnológica entre os dois continentes.

"O dia de hoje é um chamado à ação para renovar uma parceria baseada em respeito mútuo, solidariedade, inovação e visão de futuro. Brasil e África têm muito a construir juntos", declarou o presidente.

Lula também afirmou que o encontro representa "um passo para fortalecer e expandir nossa cooperação universitária" e disse que a iniciativa convida os participantes a "olhar para o futuro e reconhecer a centralidade desse continente para o mundo".

Intercâmbio acadêmico

Durante a cerimônia, foi assinado o Termo de Compromisso do programa Capes-Move África, iniciativa de cooperação educacional do governo brasileiro voltada ao intercâmbio universitário.

O programa terá investimento de R$ 47,4 milhões e prevê a criação de 2.600 bolsas para estudantes africanos de mestrado e doutorado realizarem intercâmbio no Brasil por até dez meses. A partir de 2027, serão oferecidas 1.600 bolsas de mestrado-sanduíche e 1 mil bolsas de doutorado-sanduíche em universidades brasileiras.

"A cooperação educacional entre países do Sul Global pode transformar a realidade. Já possuímos uma base bastante sólida. Estão em vigor 235 acordos entre universidades brasileiras e africanas, abrangendo 38 países do continente", afirmou Lula.

O presidente também defendeu o uso do ensino a distância como ferramenta de integração acadêmica. Segundo ele, o Brasil possui um dos maiores sistemas de educação a distância do mundo e já oferece disciplinas para estudantes de Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Segurança alimentar e desenvolvimento

No discurso, Lula citou ainda temas como segurança alimentar, meio ambiente, desenvolvimento sustentável e ciência. O presidente destacou o papel das universidades públicas brasileiras na expansão da capacidade agrícola do país e mencionou parcerias da Embrapa com países africanos voltadas à capacitação técnica.

"A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada durante a presidência brasileira do G20, também aponta para soluções concretas, adaptadas à realidade dos países em desenvolvimento", afirmou.

O presidente ressaltou que 26 dos 54 países africanos já integram a iniciativa, além da União Africana, do Banco Africano de Desenvolvimento e da Agência da União Africana para o Desenvolvimento.

Cooperação internacional

O fórum segue até quarta-feira (27) e reúne dirigentes universitários mobilizados pela Association of African Universities (AAU). O objetivo é ampliar a cooperação internacional entre universidades brasileiras e africanas por meio de novos acordos institucionais, mobilidade estudantil e intercâmbio científico.

A programação inclui painéis temáticos, workshops, reuniões bilaterais e debates sobre áreas estratégicas como agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, inteligência artificial, aeroespacial e ciências humanas.

Durante o evento, a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, afirmou que o continente africano ocupa posição central na história da humanidade e no comércio global. Ela também citou o programa Caminhos Amefricanos, voltado a intercâmbios entre países do Sul Global.

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou a expansão do ensino superior brasileiro nas últimas décadas e afirmou que o fórum expressa o desejo de integração e cooperação entre os países do Sul Global.

Já o secretário nacional de Educação Superior do MEC, Marcos Vinicius David, afirmou que o encontro representa uma defesa da cooperação e do intercâmbio de conhecimento diante de um cenário internacional marcado por conflitos.

A reitora da Universidade de Cabo Verde, Astrigilda Silveira, classificou o fórum como um marco para a construção de soluções conjuntas por meio da educação. Segundo ela, o encontro aproxima universidades interessadas em ampliar a cooperação acadêmica entre os continentes. Ao final do evento, os resultados e compromissos firmados deverão ser consolidados na "Carta de Brasília do 1º Fórum de Reitores Brasil-África".