A maior parte da população brasileira  diz ser contra a presença de casais gays em comerciais exibidos na televisão e uma parcela expressiva teme que o Brasil possa "virar comunista a partir de 2022. De acordo com pesquisa Datafolha, realizada entre os dias 13 a 16 de dezembro, com 3.666 pessoas em 191 municípios, 51% da população diz concordar total ou parcialmente que "comerciais com casais homossexuais devem ser proibidos para proteger as crianças" e 44% afirmam o Brasil corre o risco de se tornar “um país comunista” na eleição presidencial de 2022. Os dois pontos são alvos frequentes da pauta política e de costumes do governo Jair Bolsonaro. 

Conforme o levantamento, divulgado pela Folha de S. Paulo,  45% dizem ser favoráveis sobre a presença de casais homossexuais nos comerciais de televisão e 2% declararam não ter resposta para a questão. Em relação ao Brasil virar um estado comunista, 50% dos entrevistados afirmaram discordar da afirmação

Ainda segundo a pesquisa, o preconceito contra a presença de gays em comerciais é maior entre os homens (55%) e os menos escolarizados (57%) do que entre as mulheres (48%) e os que possuem ensino superior completo (39%). O discurso também é apoiado por 67% dos evangélicos, ante 50% dos católicos e 40% dos espíritas. O Datafolha aponta, ainda, que este tipo de concordância alcança quase 3 em cada 4 (74%) eleitores de Jair Bolsonaro (PL). 

A pesquisa também destaca que 58% dos entrevistados discordam totalmente ou parcialmente da afirmação de que "assim como existe o Dia do Orgulho Negro, deveria haver a comemoração do dia do orgulho branco". “Quase 8 em cada 10 (79%) dos entrevistados dizem discordar da afirmação. As taxas de concordância são similares entre pretos (20%), pardos (20%) e brancos (21%). Entre os que aprovam o governo Bolsonaro, 26% concordam que as pessoas têm o direito de professar opiniões racistas. O índice cai para 17% entre os que reprovam a gestão”, ressalta a reportagem.