ELEIÇÕES 2026

O presidente do PSD em Minas Gerais, Cássio Soares, afirmou que não há espaço dentro da legenda para uma eventual candidatura do senador Rodrigo Pacheco ao governo de Minas Gerais, nem do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ao Senado, nas eleições de 2026. A declaração foi dada em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, nessa terça-feira (20/1).

Questionado sobre o diálogo com Pacheco, Cássio afirmou manter uma relação respeitosa e transparente com o ex-presidente do Congresso Nacional. “Nós temos uma conversa serena e sempre honesta. Temos uma relação pessoal muito boa, ainda que hoje os campos políticos estejam diferentes”, disse.

O dirigente ressaltou que o PSD já definiu seu projeto eleitoral em Minas, que passa pela candidatura do vice-governador Mateus Simões ao Palácio Tiradentes. Pacheco, que integra a legenda, tem sido citado nos bastidores como possível candidato ao governo estadual com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), hipótese que poderia levar a uma troca de partido.

Sobre essa possibilidade, Cássio afirmou que o senador sempre esteve ciente das tratativas envolvendo o vice de Romeu Zema (Novo). “Durante todas as conversas com o Mateus, o Rodrigo estava sendo informado. Ele é um grande homem público, ainda que não compreendido por uma parcela do eleitorado, especialmente da direita após os atos do dia 8 de janeiro”, afirmou.

O presidente do PSD mineiro também destacou a atuação institucional de Pacheco à frente do Senado. “Rodrigo teve uma participação muito relevante na manutenção da democracia. Sofreu desgastes por ocupar uma cadeira que exigia posições firmes e tomou as decisões que considerou necessárias naquele momento”, avaliou.

Apesar de reconhecer a trajetória institucional de Pacheco, Cássio Soares foi categórico ao afirmar que o PSD não trabalha com a hipótese de duas pré-candidaturas ao governo de Minas dentro da mesma legenda. Segundo ele, o partido já fez uma escolha estratégica ao filiar e lançar o vice-governador Mateus Simões como seu projeto majoritário para 2026. “Hoje, nós temos um projeto definido com o Mateus Simões. Não cabe ter dois pré-candidatos ao governo no PSD”, afirmou.

A decisão, de acordo com Cássio, está diretamente ligada ao reposicionamento político do PSD em Minas Gerais após as eleições de 2022, quando o partido passou a integrar formalmente a base do governador Romeu Zema (Novo) e a ocupar espaços estratégicos na gestão estadual. Mateus Simões, que assumiu protagonismo como vice-governador, tornou-se um dos principais articuladores do campo liberal-conservador no estado e defensor de uma ampla coalizão da direita mineira para o próximo pleito.

Já o senador Rodrigo Pacheco, embora filiado ao PSD, construiu sua trajetória recente em interlocução direta com o governo federal. À frente do Senado entre 2021 e 2025, Pacheco foi peça-chave na sustentação institucional do governo Luiz Inácio Lula da Silva, mantendo diálogo constante com o Palácio do Planalto e evitando embates diretos com o Executivo, postura que lhe rendeu reconhecimento no campo progressista, mas desgaste junto a setores da direita.

Nesse contexto, Cássio avalia que uma eventual candidatura de Pacheco ao governo de Minas tende a ocorrer fora do PSD, justamente pela incompatibilidade política entre os dois projetos. “Caso o Rodrigo venha a ser candidato, será com o apoio do governo Lula. O Mateus, por sua vez, defende uma ampla unificação da direita”, afirmou.

Para o dirigente, manter ambos no mesmo partido significaria expor o PSD a uma contradição eleitoral difícil de explicar ao eleitorado mineiro, que historicamente valoriza alinhamentos claros e coerência entre discurso e palanque. “O pensamento do Mateus está alinhado com a grande maioria do PSD em Minas e também nacionalmente”, afirmou.

“Eleitoralmente tenho dúvidas”

Ao comentar os rumores sobre uma possível saída do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, do PSD, Cássio Soares afirmou que a convivência política e institucional é viável, mas avaliou que há obstáculos relevantes no plano eleitoral.

Silveira, que assumiu o Ministério de Minas e Energia, construiu sua trajetória recente em alinhamento direto com o Palácio do Planalto. Figura próxima do presidente da República, o ministro tem atuado como um dos principais interlocutores do governo federal em Minas Gerais, especialmente nas agendas de energia, infraestrutura e articulação política com prefeitos.

Segundo Cássio, esse posicionamento torna improvável uma candidatura de Silveira ao Senado pelo PSD no atual desenho político do partido em Minas. “Ainda não sabemos qual será a decisão do Alexandre, mas sabemos que o caminho dele será ao lado do presidente Lula. Ele sempre deixou isso muito claro”, disse.

O dirigente foi direto ao tratar da viabilidade eleitoral dessa composição. “Vejo muita dificuldade. Como vamos ter um palanque em que o candidato a governador, Mateus Simões, está junto com os candidatos de direita, enquanto o candidato ao Senado pede votos para Lula, que é da esquerda? O eleitor não compreende isso. E uma das coisas que o eleitor não perdoa é a incoerência”, afirmou.

Ao final, Cássio ressaltou que o tema nunca foi formalmente debatido dentro da legenda, mas indicou que o cenário é considerado improvável nos bastidores. “Não posso afirmar, porque isso nunca foi colocado em discussão, mas vejo uma dificuldade muito grande por uma questão de coerência política”, concluiu.