ELEIÇÕES 2026

Tarcísio Gomes de Freitas, carioca, filiado ao Partido Republicanos, governador de São Paulo desde de janeiro de 2023, completa 50 anos de idade em 19 de junho próximo. É provável que ainda na data em que vai comemorar meio século de vida, e eleito com excelente percentual de votos para governar o maior estado do país, ele ainda insista em negar que será candidato à Presidência da República nas próximas eleições.

Se isso acontecer, talvez vá contrariar a vontade de seu partido, de apoiadores, familiares e do empresariado paulista, independentemente do destino político de seu padrinho, Jair Bolsonaro. Tarcísio tem afirmado a pessoas mais próximas que pretende se reeleger ao governo paulista, se diz bem avaliado pelas pesquisas e admite que a candidatura ao governo federal ainda pode esperar.

Analistas políticos e amigos não se furtam em afirmar que dificilmente o governador resistirá à pressão pela sua candidatura. Levam em conta o já anunciado enterro das ambições eleitorais de Bolsonaro, a falta de um outro nome da direita com potencial de votos e também os sinais de desgaste e as incertezas sobre uma possível candidatura de Lula à Presidência. Admitem também que Tarcísio é o melhor nome do momento, superior a qualquer outro indicado por Bolsonaro, inclusive familiares.

 Ser melhor do que Bolsonaro, em qualquer atividade intelectual, não chega a ser uma grande vantagem. Em atividade física, há controvérsias. Em seu tempo de caserna o capitão tinha lá seus lampejos de corisco, dos quais se gaba até os dias de hoje.

Para que Marias e Josés possam constatar esse fato, com riqueza de detalhes, basta observar com atenção o passado e as histórias do ex-presidente e de seu fiel escudeiro Tarcísio, que ostenta com clareza um perfil sabidamente mais versátil, inteligente e equilibrado. Os seguidores de Tarcísio acham que ele se acomoda e aceita, cabisbaixo, todas as vontades e imposições do chefe arrogante. No meio político o fato causa estranheza, e muitas vezes é considerado constrangedor. Quem apostar que rola a necessidade urgente de uma DR bem organizada entre eles tem boas chances de acertar.

Em quase todas as suas contendas, com mais de 90 minutos de disputa, o ex-presidente recebeu mais cartões vermelhos do que amarelos. O último deles, por exemplo, o expulsou de campo em definitivo. Por sua vez, Tarcísio de Freitas, mesmo sem tantas regalias assim, pelo menos traz na bagagem registros positivos e comprovada eficiência técnica, administrativa e disciplinar.

Engenheiro civil, carreira militar digna, ocupou cargos de direção em várias entidades sérias e, inclusive, com elogiada eficiência. Foi ministro da Infraestrutura no governo passado, onde trabalhou pelo Brasil. Nesse período, adotou o silêncio e a conduta discreta para dar conta da missão a ele determinada. Deixou a pasta com a chancela de eficiência e zelo pelo cargo.

Isso é fato, não é fake. Todas as mazelas atribuídas a Tarcísio de Freitas surgiram sempre relacionadas à política radical e agressiva do meio bolsonarista, instigando o governador a práticas nem sempre coerentes com o que de fato pede o estado por ele administrado. O meio político deve se lembrar que, ainda na campanha pelo governo de São Paulo, em todos os eventos com ocorrências negativas registradas contra Tarcísio a digital de Bolsonaro esteve presente de alguma forma.

Inegável o peso e total influência do ex-presidente na eleição de Tarcísio ao governo paulista, estado que ele não conhecia, ambiente eleitoral esclarecido e bem informado e ainda com uma vasta corrente partidária influente e de ricas tradições. Por essas razões, e pela habilidade que demonstrou possuir ao encarar o desafio, fica claro a quem entende do assunto que mesmo eleito sob a batuta de um forte padrinho político, o candidato soube mostrar os dentes na hora certa e derrotou adversários encastelados, arrebanhando votos inclusive em ruas e becos. É compreensível, e aceitável, ouvir dos guarda-costas permanentes de Bolsonaro, como Ciro Nogueira e outros do mesmo naipe, que Tarcísio deve muito ao padrinho pela vitória nas urnas.

Esse agradecimento e esse reconhecido tributo inúmeras vezes já foram admitidos, mas a roda gira e o mundo não para. Política sem pragmatismo não existe, e às vezes o que parece ser o indicado pode não ser o conveniente. Com Lula em queda nas pesquisas, o governo batendo cabeças entre o que é ruim e o que é pior, é claro que qualquer fragmento que escape desse circo de horrores pode cair no colo da oposição, e será bem recebido.

 O momento é delicado, e não estamos tão distantes assim da chamada hora da decisão. O quadro político ganha ingredientes importantes a cada hora. A recente pesquisa publicada pela Quaest, por exemplo, mostra que somente no estado de São Paulo a desaprovação de Lula chega a 69%.

O percentual em Goiás, estado governado por bolsonaristas, alcança 70%, e em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul os índices negativos estão elevados. A pesquisa também registra índices negativos em estados do Nordeste, Bahia e Pernambuco. Vale registrar que em nenhum dos governos anteriores presididos por Lula houve registros de rejeição tão elevados. Em qualquer disputa eleitoral, seja ela em qualquer ambiente, é válido que o adversário se utilize de todas as ferramentas legais para explorar e tirar proveito do concorrente fragilizado. Faz parte do jogo, verdade verdadeira.

Não há ingênuo, nem inocentes na mesa de debates quando o assunto é sucessão presidencial. Alguns se lançam por acreditar nas possibilidades geradas pelas circunstâncias do momento político, e outros que se aventuram na disputa unicamente por acreditar na sorte, ou em coisa parecida.