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Em números, a devoção impressiona: 111 mil minutos de audição ao longo do ano – que tem quase 526 mil minutos nos 365 dias –, 29 álbuns diferentes, todos os cinco artistas mais ouvidos ligados ao Clube da Esquina, e as cinco músicas mais tocadas compostas ou interpretadas por Lô Borges. O podcast mais escutado? Também sobre o movimento musical mineiro. O disco campeão foi Lô Borges (1972), o famoso “disco do tênis”, aquele da capa com um par de cano alto branco com listras azuis que virou símbolo de uma geração.
A explicação não está em nenhum algoritmo. Está no hábito, explica Fabrício. “Eu ouço Lô Borges todos os dias. Todos os dias”, reforça o ministro, sem ênfase, como quem descreve algo tão automático quanto escovar os dentes. Ele ouve quando acorda, quando se arruma para trabalhar, ao chegar ao gabinete, nas viagens entre Brasília e Belo Horizonte e também na sala de espera do próprio gabinete, onde advogados aguardam despacho ao som do Clube da Esquina.
40 anos de Lô na cabeça
Fabrício nasceu em Brasília de Minas, no Norte do estado, e escuta Lô desde 1985, quando tinha 15 anos. Desde então, diz já ter lido “tudo o que saiu impresso” sobre o artista e sobre o movimento. A relação atravessou décadas, cargos e cidades – e ganhou trilha própria no namoro a distância com Tatiana, que vive em Belo Horizonte enquanto ele se fixou em Brasília. Durante anos, trocaram músicas como quem troca cartas. Às vezes, LPs.
Antes de chegar ao TST, Fabrício foi presidente da OAB em Minas e da Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas. Nesse período, contratou shows de Lô Borges, Milton Nascimento, Toninho Horta e outros nomes do Clube da Esquina. Em um desses encontros, em Montes Claros, reuniu Lô e Samuel Rosa no mesmo palco. Dali nasceu um álbum gravado pelos dois. Foram ao menos quatro contratações. Fotos com o ídolo se perderam na mudança para Brasília. Os encontros ficaram na memória – sempre, segundo ele, sem intimidade. “Minha relação era de fã.”
Quando a canção aquece a letra da lei
No TST, a rotina não sugere espaço para obsessões musicais. O gabinete chegou com mais de 25 mil processos acumulados. Em um ano e meio, Fabrício julgou causas, despachou pilhas de autos e atendeu pelo menos 850 advogados. Ainda assim, o Spotify registrou o que ele já sabia: a música cabe.
Ela também entra nas decisões. Em 2025, ao votar em um processo trabalhista que tratava de indenização por mortes na tragédia de Brumadinho, Fabrício citou um verso de “Lágrimas de Amor”, de Márcio Borges e Luís Guedes: “luz e drama, o rio que passou agora é lama. Lágrimas de amor e nenhum de nós jamais chorou”. “Foi uma forma de substanciar a decisão”, diz. “O Clube da Esquina é combustível. Um dos meus pilares, como o Direito.”
Na posse como ministro, em agosto de 2024, a trilha foi coerente. Wagner Tiso e Toninho Horta tocaram. Tiso entregou a ele uma cópia da partitura de Coração de Estudante, composta com Milton Nascimento. A partitura foi emoldurada e hoje ocupa uma parede do gabinete.
Fabrício também acompanha, com atenção quase estatística, o pós-vida de Lô Borges. No dia da morte do músico, em 2 de novembro de 2025, observou que cerca de 501 mil pessoas o ouviam no Spotify. Um mês depois, o número havia dobrado. Muitos, ele suspeita, jovens que não o conheceram em vida.
Lô faria aniversário neste sábado
Lô Borges, fundador do Clube da Esquina e autor de canções como O Trem Azul, Cravo e Canela e Um Girassol da Cor do Seu Cabelo, completaria 74 anos neste 10 de janeiro. A data será marcada por um vídeo-homenagem nas plataformas oficiais do artista, além de shows, encontros musicais na esquina que deu nome ao movimento, ensaio temático do bloco Batuque Coletivo e a exibição gratuita de um documentário sobre sua trajetória.
Nos bastidores, a equipe do músico trabalha na catalogação de gravações inéditas deixadas por ele. A expectativa é lançar ao menos um álbum novo em 2026 – o primeiro de até quatro discos póstumos.
Enquanto isso, em Brasília, um ministro da Justiça do Trabalho segue apertando o play. Todos os dias.
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Em números, a devoção impressiona: 111 mil minutos de audição ao longo do ano – que tem quase 526 mil minutos nos 365 dias –, 29 álbuns diferentes, todos os cinco artistas mais ouvidos ligados ao Clube da Esquina, e as cinco músicas mais tocadas compostas ou interpretadas por Lô Borges. O podcast mais escutado? Também sobre o movimento musical mineiro. O disco campeão foi Lô Borges (1972), o famoso “disco do tênis”, aquele da capa com um par de cano alto branco com listras azuis que virou símbolo de uma geração.
A explicação não está em nenhum algoritmo. Está no hábito, explica Fabrício. “Eu ouço Lô Borges todos os dias. Todos os dias”, reforça o ministro, sem ênfase, como quem descreve algo tão automático quanto escovar os dentes. Ele ouve quando acorda, quando se arruma para trabalhar, ao chegar ao gabinete, nas viagens entre Brasília e Belo Horizonte e também na sala de espera do próprio gabinete, onde advogados aguardam despacho ao som do Clube da Esquina.
40 anos de Lô na cabeça
Fabrício nasceu em Brasília de Minas, no Norte do estado, e escuta Lô desde 1985, quando tinha 15 anos. Desde então, diz já ter lido “tudo o que saiu impresso” sobre o artista e sobre o movimento. A relação atravessou décadas, cargos e cidades – e ganhou trilha própria no namoro a distância com Tatiana, que vive em Belo Horizonte enquanto ele se fixou em Brasília. Durante anos, trocaram músicas como quem troca cartas. Às vezes, LPs.
Antes de chegar ao TST, Fabrício foi presidente da OAB em Minas e da Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas. Nesse período, contratou shows de Lô Borges, Milton Nascimento, Toninho Horta e outros nomes do Clube da Esquina. Em um desses encontros, em Montes Claros, reuniu Lô e Samuel Rosa no mesmo palco. Dali nasceu um álbum gravado pelos dois. Foram ao menos quatro contratações. Fotos com o ídolo se perderam na mudança para Brasília. Os encontros ficaram na memória – sempre, segundo ele, sem intimidade. “Minha relação era de fã.”
Quando a canção aquece a letra da lei
No TST, a rotina não sugere espaço para obsessões musicais. O gabinete chegou com mais de 25 mil processos acumulados. Em um ano e meio, Fabrício julgou causas, despachou pilhas de autos e atendeu pelo menos 850 advogados. Ainda assim, o Spotify registrou o que ele já sabia: a música cabe.
Ela também entra nas decisões. Em 2025, ao votar em um processo trabalhista que tratava de indenização por mortes na tragédia de Brumadinho, Fabrício citou um verso de “Lágrimas de Amor”, de Márcio Borges e Luís Guedes: “luz e drama, o rio que passou agora é lama. Lágrimas de amor e nenhum de nós jamais chorou”. “Foi uma forma de substanciar a decisão”, diz. “O Clube da Esquina é combustível. Um dos meus pilares, como o Direito.”
Na posse como ministro, em agosto de 2024, a trilha foi coerente. Wagner Tiso e Toninho Horta tocaram. Tiso entregou a ele uma cópia da partitura de Coração de Estudante, composta com Milton Nascimento. A partitura foi emoldurada e hoje ocupa uma parede do gabinete.
Fabrício também acompanha, com atenção quase estatística, o pós-vida de Lô Borges. No dia da morte do músico, em 2 de novembro de 2025, observou que cerca de 501 mil pessoas o ouviam no Spotify. Um mês depois, o número havia dobrado. Muitos, ele suspeita, jovens que não o conheceram em vida.
Lô faria aniversário neste sábado
Lô Borges, fundador do Clube da Esquina e autor de canções como O Trem Azul, Cravo e Canela e Um Girassol da Cor do Seu Cabelo, completaria 74 anos neste 10 de janeiro. A data será marcada por um vídeo-homenagem nas plataformas oficiais do artista, além de shows, encontros musicais na esquina que deu nome ao movimento, ensaio temático do bloco Batuque Coletivo e a exibição gratuita de um documentário sobre sua trajetória.
Nos bastidores, a equipe do músico trabalha na catalogação de gravações inéditas deixadas por ele. A expectativa é lançar ao menos um álbum novo em 2026 – o primeiro de até quatro discos póstumos.
Enquanto isso, em Brasília, um ministro da Justiça do Trabalho segue apertando o play. Todos os dias.