Em entrevista ao Café com Política, que vai ao ar no canal de O TEMPO no Youtube, o presidente do Poder Legislativo municipal diz que a chantagem partiu da executiva nacional de seu partido, que não teria aceitado a possibilidade de cassação de Ganem.

 A ameaça feita a Lopes foi que, caso pautasse a sessão para votação do fim do mandato do vereador, seria expulso do partido. Hoje no MDB, Ganem foi eleito vereador por Belo Horizonte em 2024 pelo Podemos, que ainda mantém integrantes da família entre seus filiados, como o deputado federal Bruno Ganem (SP) e a deputada estadual Clarice Ganem (SP), primo e tia do vereador pela capital mineira.

O vereador por Belo Horizonte teve processo de cassação aberto na Câmara por suspeita de fraude na documentação entregue à Justiça Eleitoral para participação no pleito de 2024. O parlamentar, que tinha trajetória política em Indaiatuba (SP), não moraria no endereço em Belo Horizonte informado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG).

Lopes afirma ter recebido um áudio com a exigência de que não marcasse a sessão para cassação de Ganem, e uma minuta de representação pela sua expulsão do partido. A reportagem entrou em contato com a direção nacional do Podemos e aguarda retorno. 

"E deixando bem claro, eu sou o presidente municipal do partido em Belo Horizonte. Então, assim, foi muito grave que eles fizeram em relação a isso", disse o presidente da Câmara. Caso seja expulso do partido, Lopes, que pretende se candidatar a deputado estadual, ficará impedido de participar do pleito, já que a janela partidária se encerrou e não há como se filiar a outra sigla.

O presidente da Câmara marcou a sessão para 29 de junho. A reunião, no entanto, não ocorreu por força de decisão judicial dentro de ação impetrada por Ganem, afirmando que o prazo para a tramitação do processo de cassação já havia se esgotado.

A denúncia contra o vereador foi acatada pela Câmara em 16 de dezembro do ano passado e precisava estar concluída em 90 dias. No decorrer do prazo, devido a outras ações judiciais do vereador, o prazo foi suspenso.

No entendimento da Câmara, devido à paralisação, o período se encerraria exatamente na data em que a sessão foi marcada. Um recurso da Câmara está em análise no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para nova marcação da sessão.

Lopes diz que, como presidente da Câmara, representa os 41 parlamentares da Casa, e não apenas um. "Houve uma comissão processante que optou pela cassação. Houve um trâmite. Porque eu iria segurar esse processo"?, questionou, citando a atuação da instância especial aberta na Casa para analisar o processo de cassação do vereador, que emitiu parecer pela cassação por unanimidade. 

O presidente da Casa lembrou ainda que, apesar de ser o responsável por colocar na pauta do Plenário o processo de cassação, não pode votar, por ser o chefe do Poder Legislativo municipal. O mesmo ocorre em qualquer votação de projeto, conforme previsto no Regimento Interno da Casa. Existe a possibilidade de votação do coupante do cargo apenas para desempate. Para cassar um vereador são necessários 28 votos.

Desfecho

A representação enviada a Juliano Lopes pelo comando do Podemos aponta como motivo da possível expulsão reportagens publicadas por sites de notícias, em outubro do ano passado, sobre suposto atrito entre o presidente da Câmara e um policial militar durante festa em casa na Pampulha. 

Um outro participante da comemoração saiu e, na volta, foi interceptado por uma blitz. O homem não parou no bloqueio e entrou no local da festa. Os policiais o seguiram e entraram na casa. Durante conversa, o presidente da Câmara e um dos militares teriam se agredido. Em boletim de ocorrência, o policial afirma ter sido agredido. Lopes nega.

O vereador afirma ainda não saber o que poderá acontecer após ter marcado a sessão para cassação de Ganem, apesar de a reunião não ter ocorrido. O parlamentar afirma que, além da possibilidade de expulsão, existe ainda a chance de represália na convenção do partido, quando serão definidos os candidatos da legenda na disputa pelas eleições de 2026. 

O prazo definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as convenções partidárias este ano é de 20 de julho a 5 de agosto. Caso o nome do parlamentar, que deseja se candidatar a deputado estadual, não conste na ata do encontro, sua participação no pleito não poderá acontecer.