BRASÍLIA – A Polícia Federal pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli a abertura de um inquérito para apurar o uso de influenciadores digitais em uma campanha coordenada contra o Banco Central (BC) durante o processo de liquidação do Banco Master.

Nos autos enviados ao Supremo, a PF afirma haver indícios de que conteúdos publicados nas redes sociais tinham como objetivo colocar em dúvida a credibilidade da autarquia e defender o Master após a decisão que decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira do banqueiro Daniel Vorcaro, em novembro do ano passado.

Segundo a investigação, a ofensiva digital se intensificou após o BC barrar a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB) e avançar nas apurações que culminaram no fechamento do banco. O pedido aponta a suspeita de que a ação tenha sido articulada pelo por Vorcaro.

Relatórios citados pela PF indicam que diversas contas de influenciadores, sem histórico de atuação no setor financeiro, passaram a publicar conteúdos semelhantes em um curto intervalo de tempo, questionando a atuação da autoridade monetária. Levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) identificou um pico concentrado de publicações em um período de cerca de 36 horas, no fim de 2025.

O episódio ganhou visibilidade após um vídeo divulgado pelo vereador Rony Gabriel (PL-RS), de Erechim, que afirmou ter recebido uma proposta denominada “projeto DV” – iniciais de Daniel Vorcaro – para produzir conteúdos em defesa do Master e apresentar o banco como vítima do Banco Central.

A PF sustenta que a campanha ocorreu paralelamente às investigações sobre a gestão do Master, que apontam crescimento acelerado baseado na captação de recursos com juros muito acima da média do mercado e na aquisição de ativos de baixa liquidez. As apurações indicam suspeitas de gestão fraudulenta e de desvios que podem chegar a R$ 5,7 bilhões.

A liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada em 18 de novembro e assinada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A medida encerrou as atividades da instituição e aprofundou o conflito entre o banco, seus controladores e os órgãos de controle.

A defesa de Daniel Vorcaro nega irregularidades, afirma que não houve campanha coordenada e sustenta que o empresário tem colaborado com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.