O PT entra na última semana antes do início das convenções partidárias ainda sem definir quem será seu candidato ao governo de Minas. Uma novidade de última hora, porém, tem agitado o partido: o nome do deputado federal e ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias (PT) passou a liderar as articulações internas e trouxe de volta a esperança de uma unificação da legenda.

Segundo interlocutores do partido, Patrus vê com bons olhos e aceita disputar o Palácio Tiradentes, mas condiciona a decisão final a uma conversa direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ainda não aconteceu.

Em nota enviada a O TEMPO, a assessoria do parlamentar confirmou esse entendimento.

"O deputado entende que qualquer desdobramento dessa articulação deve ser discutido diretamente com o presidente Lula, o que, até o momento, ainda não ocorreu."

A expectativa por um posicionamento de Lula é a mesma que se repete dentro do PT mineiro desde 1º de janeiro. A condição apresentada por Patrus é a mesma apresentada pela ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) quando foi consultada sobre a possibilidade de ser candidata ao governo. 

No caso de Marília, a conversa com Lula nunca ocorreu presencialmente e ela seguiu com os planos de ser candidata a senadora.

Antes dela, Lula concentrou esforços para convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSB), considerado o “plano A” do presidente para liderar uma frente ampla em Minas. A conversa objetiva entre os dois, no entanto, ocorreu quando Pacheco já dava sinais de que não disputaria o governo.

Novo cenário do PT em Minas

Agora, dirigentes petistas esperam que a decisão seja mais rápida. O prazo para as convenções está se aproximando, elas começam em 20 de julho, e Lula deve se reunir nos próximos dias com Patrus para tratar da eleição em Minas.

Nos bastidores, lideranças afirmam que uma pesquisa interna do PT mostrou que Patrus tem boa resposta entre os eleitores mineiros. Na legenda, ele também é visto como alguém com potencial para unificar o partido e mobilizar o eleitorado mais fiel da legenda. 

Antes da conversa definitiva entre Lula e Patrus, porém, o PT pretende consultar partidos aliados, como MDB e PSB, para medir a possibilidade de construção de uma candidatura de consenso em torno do ex-prefeito da capital.

Sombra sobre Sandra

Até o último fim de semana, o nome que mais crescia dentro do PT era o da ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Regina Goulart Almeida.

No sábado (4/7), quando Patrus fez o lançamento de de sua pré-candidatura à reeleição para deputado federal, ele afirmou a O TEMPO que não pretendia disputar o governo. Ele era um dos que defendia o nome da ex-reitora dentro da legenda.

Sandra intensificou contatos com a imprensa e articulações políticas para viabilizar a candidatura como governadora na chapa petista. 

O cenário, porém, mudou rapidamente. Na terça-feira (7/7), o nome de Patrus começou a ser ventilado por algumas lideranças petistas.

Como não houve uma resistência clara do ex-prefeito, a direção nacional do PT procurou Patrus na noite de quinta-feira (9/7) para saber se ele aceitaria disputar o governo. A resposta positiva colocou o ex-prefeito no centro das negociações e reduziu o espaço da ex-reitora na disputa interna.

Para evitar desgastes, Patrus entrou em contato com Sandra após ser procurado pela direção nacional. Segundo pessoas que acompanham as articulações do PT, os dois conversaram por telefone sobre o novo cenário e possibilidades; Patrus teria reforçado seu apreço pela reitora e a disposição de apoiá-la em uma disputa majoritária.

Interlocutores petistas afirmam que disputar o governo não era o plano inicial de Patrus, que, inclusive, defendia a candidatura da ex-reitora. Ainda assim, a avaliação é que, por sua trajetória no partido e pela proximidade com Lula, ele aceitará a missão caso receba um pedido formal do presidente da República.