Brasil247 – A equipe responsável pela segurança da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reforçou os protocolos de proteção após identificar um aumento significativo de ataques direcionados a ela nas redes sociais. Entre as medidas adotadas estão mudanças em itinerários, horários de deslocamento, posicionamento dos agentes e até na escolha do armamento utilizado pela equipe de segurança. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.

O monitoramento das redes sociais sempre fez parte da rotina da equipe de Michelle, mas o alerta foi elevado a partir de novembro de 2025, quando a ex-primeira-dama passou a ser alvo de críticas mais intensas dentro do próprio campo bolsonarista.

Naquele período, o blogueiro Allan dos Santos publicou ataques contra Michelle. Entre as declarações, afirmou que ela viajava “como se Bolsonaro estivesse morto” e disse que a ex-primeira-dama estava “cagando” para o ex-presidente Jair Bolsonaro. A partir desse momento, a equipe de inteligência responsável pelo planejamento de segurança identificou um crescimento expressivo das manifestações hostis nas plataformas digitais.

Vídeo sobre Flávio Bolsonaro intensificou ataques

De acordo com o levantamento da equipe de segurança, o cenário se agravou em 2026 após a divulgação de um vídeo em que Michelle Bolsonaro tornou público o desgaste na relação com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

Nas duas publicações, que somam cerca de 26 minutos, Michelle afirmou ter levado uma “punhalada” e decidiu expor o conflito que, segundo ela, vinha ocorrendo havia meses. Grande parte do conteúdo foi dedicada às articulações do PL no Ceará e às divergências políticas envolvendo o enteado.

Após a divulgação do vídeo, os profissionais responsáveis pelo monitoramento registraram que o volume de publicações ofensivas mais do que dobrou. O episódio também aprofundou o racha entre grupos ligados ao bolsonarismo e gerou reações de aliados de Flávio Bolsonaro.

Inteligência identificou padrões de ataques

O levantamento realizado pela equipe de Michelle Bolsonaro apontou padrões de recorrência, autoria e disseminação das mensagens ofensivas.

Segundo a CNN Brasil, entre os termos mais utilizados contra a ex-primeira-dama estão “traidora” e diversas ofensas de cunho sexual. Os responsáveis pelo monitoramento também observaram que muitos usuários passaram a chamá-la de Michelle Firmo, deixando de utilizar o sobrenome Bolsonaro.

Ainda conforme a apuração, grande parte dessas publicações partiria de perfis localizados nos Estados Unidos e na Austrália. A equipe também identificou um fenômeno conhecido como efeito copycat, em que usuários passam a reproduzir ataques, expressões e insultos utilizados inicialmente por outras contas, ampliando a propagação das ofensas.

Preocupação é com possível escalada para violência

O crescimento das manifestações nas redes sociais elevou a preocupação dos responsáveis pela proteção da ex-primeira-dama.

O principal receio, segundo a reportagem, é que a hostilidade virtual evolua para uma ameaça concreta, com a possibilidade de atuação de um chamado “lobo solitário” contra Michelle Bolsonaro.

Por questões de segurança, os detalhes operacionais das mudanças não foram divulgados. A CNN informa, porém, que houve alterações nos trajetos percorridos pela ex-primeira-dama e em outros protocolos internos adotados pelos agentes responsáveis por sua proteção.

Ataques também envolveram aliados políticos

Além de Michelle Bolsonaro, aliados próximos também passaram a ser alvo das críticas nas redes sociais. Entre eles está a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que, segundo o levantamento, passou a receber ataques semelhantes após o agravamento da crise interna no grupo bolsonarista.

A circulação de uma figurinha em aplicativos de mensagens mostrando Michelle com a camisa do PT também chamou a atenção da equipe de segurança. De acordo com a reportagem, o material passou a ser compartilhado por deputados, senadores e outras figuras ligadas ao PL.

Ceará e elogio a programa do MEC também ampliaram críticas

A equipe de Michelle Bolsonaro também registrou novas ondas de ataques durante a passagem de Flávio Bolsonaro pelo Ceará, onde participou do lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes (PL) ao Senado. Segundo a apuração, parte das manifestações partiu de apoiadores do pré-candidato ao governo cearense Ciro Gomes (PSDB).

Outro episódio citado ocorreu após Michelle elogiar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo Ministério da Educação. Ao classificar a iniciativa como um “sonho realizado”, ela voltou a ser criticada por integrantes da base bolsonarista, que intensificaram o uso do termo “traidora” para se referir à ex-primeira-dama.