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string(63) "Marcelo Aro: 'Quero colocar um freio no avanço do Judiciário'"
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string(34759) "EM MINAS
Convidado desta semana do EM Minas, programa do Estado de Minas com o Portal Uai e a TV Alterosa, o ex-secretário de Governo e da Casa Civil de Minas Gerais Marcelo Aro (PP) contou os planos para a pré-candidatura ao Senado Federal. Se eleito, ele promete uma atuação centrada em três eixos: ampliar a destinação de recursos para o estado; defender os direitos das pessoas com deficiência e doenças raras; e combater o que ele chama de “desmandos do Judiciário”, em crítica à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
A primeira filha de Aro, Maria, nasceu com Síndrome de Cornélia de Lange (CdLS) e mudou sua trajetória pessoal
e política. Hoje com 13 anos, a filha foi a inspiração para que ele assumisse a luta pelas pessoas com doenças raras e deficiências, criando a associação Casa de Maria e defendendo a implantação do teste do pezinho ampliado, que permite diagnosticar logo após o nascimento mais de 50 doenças raras, antecipando tratamentos e evitando o sofrimento das crianças e famílias.
Após ser vereador, deputado federal por dois mandatos e secretário da Casa Civil e de Governo, por que ser pré-candidato ao Senado?
Eu amo política, amo cuidar daquilo que é de interesse coletivo. E eu sinto que Deus me deu muitos dons e talentos que preciso retribuir sendo útil para o próximo. E o que me move na política é saber que por meio das nossas atitudes a gente consegue solucionar problemas coletivos. Então é isso que eu quero fazer no Senado Federal.
Eu já fui vereador, já fui deputado, secretário de estado e agora eu sinto que é necessário dar um passo maior, porque Deus me deu esses talentos, Deus me deu esses dons e eu não posso guardar isso para mim. Eu preciso colocar isso a serviço do próximo. E eu sinto que hoje o Senado Federal precisa de um senador que tenha o olhar que eu tenho para resolver o problema das pessoas. Um senador que esteja conectado com a realidade do povo, que sabe dos problemas e que tem soluções. Hoje, eu conheço a realidade dos quatro cantos do nosso estado. Eu sei qual é a necessidade do povo do Vale do Jequitinhonha, (Vale) do Mucuri. Eu sei o que o povo do Sul de Minas precisa, eu sei quais são as demandas e eu sei que tem dinheiro para isso. E o dinheiro está na União, está no governo federal. E nós precisamos de um senador que tenha habilidade e competência para pegar esse recurso lá na União e trazer aqui para o estado. Eu estou preparado para fazer isso.
O que na sua trajetória política te prepara para o Senado?
Além de jornalista, eu sou advogado e o meu mestrado é em direito constitucional. Passei uma vida estudando. A Constituição, o Estado Democrático de Direito, a teoria geral do Estado e há uma diferença muito grande entre Câmara Federal e Senado Federal. A Câmara Federal, ela representa a população, ela representa todos. Tanto é que Minas tem 53 deputados e vários estados têm menos do que Minas Gerais.Tem estado com nove deputados federais.
Já senador não. Todo o estado, toda unidade federativa do Brasil tem três senadores. Então o senador representa o interesse do estado de origem dele. Esse é o grande diferencial. E eu me preparei para isso. E eu quero representar Minas Gerais. Eu quero fazer Minas Gerais dar certo. E Minas Gerais não vai dar certo se a gente não tiver um senador alinhado com os problemas da nossa população e que saiba dar solução para esses problemas. E é por isso, então, que eu lancei a nossa pré-candidatura para o Senado Federal.
O senhor é o pré-candidato do governador?
Olha, eu acredito que sim, né? É ele que tem que falar sobre isso. Em todas as entrevistas, ele sempre deixou muito claro que me apoia para o Senado Federal. Isso me deixa muito feliz, até porque ele também conta com o meu apoio para o governo. Acho o Mateus muito preparado, muito competente, entende a máquina pública como poucos. E, de fato, eu acredito que nós precisamos de um governador no perfil dele. Um governador que esteja preocupado em realizar e que não faça loucuras.
Minas Gerais já foi muito castigada nos últimos tempos. Infelizmente, nós tivemos governos que não tinham nem um pouco de responsabilidade com o futuro do nosso estado. Então, gastava-se de maneira desproporcional sem pensar no amanhã e hoje nós estamos pagando o pato disso. Então, eu acredito que o governador Matheus Simões tem competências e condições para deixar o estado no lugar que ele precisa.
Nós mineiros gostamos de cobrar resultados concretos. O que na sua trajetória o senhor acredita já ter deixado como legado?
Ficaríamos dias aqui para eu falar de toda a minha trajetória. Como eu disse, fui vereador de Belo Horizonte, fui deputado federal por oito anos, secretário da Casa Civil e secretário de Governo. Vamos falar da última posição que eu tive, por causa do tempo aqui. Como secretário de Governo, tenho entregas nos 853 municípios mineiros. Qualquer município que falar, falo uma entrega nossa, algo que a gente realmente atendeu a população, pois era a demanda principal daquela cidade.
Eu conversei com todos os prefeitos mineiros. Eu escutei, por exemplo, do prefeito de Guarani, ele relatando e chorando para mim que teve um incêndio criminoso que queimou todas as ambulâncias, todos os carros de saúde que tinham na prefeitura. E nós conseguimos enviar todos os veículos 0km para ele para fazer o transporte do paciente que, por exemplo, precisa fazer uma hemodiálise. Nós salvamos vidas.
Eu poderia falar aqui de Sete Lagoas. Quando estava lá na cidade, uma mãe com uma criança de colo virou para mim e falou: "Não tenho onde deixar a minha filha. Falta creche em Sete Lagoas." Fui no prefeito e ele falou: "É o maior problema da história de Sete Lagoas. A gente nunca conseguiu zerar a fila das creches aqui." Eu falei: "Quantas creches precisam para a gente zerar a fila?”. Duas creches. Nós mandamos duas creches para Sete Lagoas.
Ou poderia falar do Norte Minas, lá da Elbe Brandão, [prefeita de] Nova Porteirinha, que tinha um posto de saúde em condições completamente precárias para atender a população. Ela me levou lá e falou assim: "É aqui que meu povo é atendido." E eu falei: "Não, Elbe, nós vamos mudar isso." E vamos construir a primeira unidade básica de saúde de Nova Porteirinha. Isso é transformar vidas.
Mas poderia falar também de uma política pública que a gente colocou em Minas Gerais, que Minas Gerais é o único estado do Brasil a fazer o teste do pezinho ampliado. Em qualquer lugar do Brasil, só detecta seis doenças o teste do pezinho. Em Minas, nós detectamos mais de 60 doenças no teste do pezinho ampliado. Isso significa que estamos salvando milhares de vidas por mês em Minas Gerais. A criança que nasce no Rio não tem teste de pezinho ampliado, a que nasce em São Paulo não tem, mas a que nasce em Minas Gerais tem. Fruto do nosso trabalho. Eu poderia passar o dia falando de tudo aquilo que a gente fez por Minas Gerais e pelo povo mineiro.
Estamos em um momento de muita polarização política. Qual o papel de um senador: criar pontes ou defender um lado político?
A essência de quem é senador é defender o ente federativo que ele representa. E o que é defender o estado? É resolver os problemas que tem no estado dele. E eu quero resolver isso de maneira propositiva. Então, pode ter certeza de que eu, eleito senador, vou participar da comissão de orçamento. Nós vamos fazer emendas no orçamento federal para que a gente traga mais recursos para cá.
É inadmissível pensarmos que, de todos os impostos que os mineiros pagam para Brasília, só volta para Minas Gerais 40%. Sessenta porcento dos impostos que nós pagamos vão para outros estados. Por que isso? Minas não tem necessidade? Claro que tem. Minas tem muitas demandas, mas falta articulação política e trabalho para que a gente pegue esse dinheiro que é de Minas e devolva para o povo mineiro.
O que falta em Minas Gerais para a política avançar na melhoria da vida das pessoas?
Cada lugar tem uma necessidade diferente. E aí, depende da região, depende da cidade, depende da pessoa que nós estamos falando. Se eu te perguntar o que você precisa do estado, você vai ter a sua demanda. Talvez a sua, pela sua realidade social, seja segurança pública. Então, nós precisamos melhorar a segurança pública. Ou não, talvez você fale: "Marcelo, meu filho estuda numa escola estadual que está tá precária, que precisa de mais investimento.” Nós temos que mandar investimento. Isso é resolver o problema das pessoas. Em cada local e para cada pessoa é uma demanda diferente.
O que o eleitor pode cobrar do Marcelo Aro, daqui a oito anos, caso o senhor seja eleito senador?
Em primeiro lugar, coerência. Toda minha trajetória política mostrou coerência. Eu sei o porquê eu quero ser senador e o que eu irei entregar como senador. O que eu estou propondo aqui na pré-campanha e vou propor na campanha, eles podem me cobrar que eu realizarei.
Eu digo que eu tenho três grandes metas como senador da República. Primeiro, eu quero de fato ser um senador municipalista. Ou seja, podem me cobrar de levar recurso para os municípios mineiros mais do que está vindo hoje. Essa vai ser a minha primeira função. E quando eu falo levar mais recursos, eu estou falando em resolver problemas reais. Não estou falando de problema hipotético, de internet. Essa é a minha primeira grande função enquanto senador.
A segunda, eu quero fazer no Brasil o que eu já fiz em Minas Gerais para as pessoas com deficiência e doenças raras: políticas públicas em que elas sejam beneficiadas. Como por exemplo, eu enquanto secretário de Governo, mandei em um ano para as Apaes (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Minas Gerais R$ 150 milhões, o maior orçamento que as Apaes já viram vindo do governo do estado. O maior orçamento até então tinha sido R$ 5 milhões. E agora eu quero que no Brasil nós tenhamos uma rubrica específica para as Apaes. Então que no nosso orçamento esteja lá uma rubrica específica para atender as Apaes de todo o Brasil.
Eu quero implantar o teste do pezinho ampliado em todo o Brasil. O cordão do doente raro em todo o Brasil. O estatuto da pessoa com doença rara em todo o Brasil. E como senador eu vou representar essas pessoas.
Por fim, meu terceiro grande objetivo enquanto senador é colocar um freio no avanço do poder Judiciário sobre Legislativo e Executivo. Ninguém aguenta mais os desmandos do Judiciário. Ninguém aguenta mais abrir o jornal e ver manchete de ministros do Supremo Tribunal Federal recebendo contratos milionários. Isso ninguém, seja de esquerda, seja de direita, ninguém admite isso, ninguém concorda com isso. E quem tem responsabilidade constitucional de colocar um freio nisso que está acontecendo? O Senado Federal. E eu estou preparado para fazer esse enfrentamento.
O nascimento da Mariazinha mudou a sua trajetória política e suas lutas de vida?
A chegada da Maria é um divisor de águas na minha vida. Tem o Marcelo antes da Maria e o Marcelo depois da Maria. Maria que me ensinou o que é o amor verdadeiro, o amor gratuito. O amor que nada espera. Eu costumo falar para as pessoas, falo inclusive para os meus filhos: "O papai ama a todos, mas a Maria de maneira especial." Porque o amor que eu tenho pela Gabriela, minha outra filha, de 12 anos, eu amo ela, mas eu espero que ela também me ame. Eu cuido dela, mas eu também espero, no fundo, que um dia ela cuide de mim quando eu estiver velhinho. A Maria não, a Maria é o amor que nada espera, é o amor genuíno.
Quem conhece a minha história pessoal, sabe. A Maria tem 13 anos. Ela não fala, não anda. Ela tem deficiência cognitiva completa. Mas a Maria é o maior presente que Deus podia ter me dado. A Maria, ela me fez lutar por essa causa da pessoa com deficiência e da pessoa com doença rara.
Quando a Maria nasceu, eu e minha esposa tínhamos uma condição financeira para dar uma condição boa de vida para ela. A gente tinha condições de viajar, de pegar opiniões de médicos de outros lugares do mundo. De dar para ela os melhores medicamentos, o melhor tratamento, mas eu me deparei com a realidade falando assim: "Mas e as mães e os pais que não têm a condição financeira que nós temos, como que eles fazem?".
Até então, era um assunto que eu só ouvia falar, mas fui realmente me aprofundar. E passei a conhecer a realidade da pessoa com doença rara no Brasil. E é uma realidade muito triste. Primeiro que as crianças morrem. 30% delas morrem antes dos 5 anos de idade. E morrem antes dos 5 anos de idade não porque elas tem que morrer, morrem porque falta política pública, falta remédio, tratamento, diagnóstico, falta tudo.
E 90% das crianças são cuidadas só pela mãe. São mães solos, o pai geralmente sai de casa. Então isso vira um problema social. Porque a mãe tem que passar o dia cuidando da criança, porque não tem condição de deixar ela em outro lugar e não pode trabalhar. E como não tem um pai em casa, não tem dinheiro. Ela vive geralmente do BPC, benefício de prestação continuada. É um benefício que sequer dá para comprar o leite da criança, que muitas vezes tem que ser um leite especial. É uma situação completamente triste. E é impossível você enquanto cristão olhar para uma situação dessa e não querer transformar a vida delas.
Você falou sobre a expectativa de vida das crianças que recebem diagnósticos de doença rara, com a Maria também foi assim?
Foi assim. No primeiro ultrassom que a gente fez, o morfológico, o médico sugeriu que interrompesse a gravidez. Ele falou que se fosse ele, ele interromperia, porque, nas palavras dele, minha filha, ou não era compatível com a vida, ou teria uma doença rara, ou teria uma deficiência física grave. Mas que ele achava que ela não era compatível com a vida, então eu deveria interromper a gravidez. Eu obviamente falei que não. Sou 100% a favor da vida e defendo a vida em todas as instâncias, em todas as circunstâncias. Eu e minha esposa decidimos continuar a gravidez.
Depois, quando a Maria nasceu eles falavam que ela não ia sobreviver porque ela nasceu com 1,190 kg. Batizei ela no hospital porque eles falavam que ela não ia sobreviver. Ela foi sobrevivendo dia após dia, ficou 33 dias no CTI (centro de tratamento intensivo) e recebeu alta. E o melhor diagnóstico que nós recebemos foi de uma médica amiga nossa, que falou que ela ia viver no máximo 5 anos de idade. E nós decidimos viver cada dia como se um único fosse, até porque único é. E aí começou nossa batalha em prol da vida da Maria, que hoje já tem 13 anos de idade.
E tem a Casa de Maria, né?
Isso. A Casa de Maria é uma associação que cuida das pessoas com doenças raras de maneira totalmente gratuita. A gente acolhe aquelas crianças que não têm condição de fazer um tratamento, de receber uma medicação. Lá na Casa de Maria a gente dá apoio com fisioterapia, terapia ocupacional, nutricionista, fonoaudiólogo… Todas as dimensões de tratamento.
Essas crianças vem de tudo que é lugar. Muitas de Belo Horizonte, outras espalhadas por Minas Gerais. Tem criança que vem do Vale do Jequitinhonha, lá de Pedra Azul, anda 10 horas para chegar até Belo Horizonte.
Eu sou o maior benfeitor, mas tem pessoas que nos ajudam a manter a Casa de Maria. E só quem conhece sabe a beleza que tem lá. São centenas de crianças atendidas semanalmente, vindo de todo o estado de Minas Gerais, algumas inclusive de fora do estado. É um trabalho que eu me orgulho muito e que se Deus quiser vai permanecer por muito tempo.
E qual a importância da ampliação do teste do pezinho?
São milhares de vidas salvas. Posso dar um exemplo para agora. Uma criança nasceu em Divinópolis, a mãe tem 17 anos, situação de vulnerabilidade total na família. A criança nasceu e foi feito o teste do pezinho ampliado. No quinto dia, o sangue chegou ao Nupad (Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico) da UFMG (Universidade Federal de Minas Geraais), via Sedex (Serviço de Encomenda Expressa dos Correios). No oitavo dia, a gente já tinha confirmado que aquela criança tinha atrofia muscular espinhal (AME). Coisa que em Divinópolis não tinha como saber, porque é só com uma triagem neonatal que você vê. A criança nasceu normal, sem problema nenhum. Vimos que ela tinha atrofia muscular espinhal, trouxemos a criança aqui para Belo Horizonte, demos todo o tratamento, a medicação que é devida.
Quando o diagnóstico é precoce, a criança tem a possibilidade de tomar um medicamento via oral para tratar a doença. Quando ela não toma no momento do nascimento, causa sequelas irreversíveis. E só têm dois remédios que paralisam a AME, o Spinraza e o Zolgensma. Um custa R$ 3 milhões, o outro R$ 12 milhões. Mas quando a gente descobre nos primeiros dias de vida, ela pode tomar um comprimido, que é muito mais barato, obviamente, do que esses outros dois medicamentos. Nós demos essa medicação para criança e ela vai ter uma vida normal, sem nenhuma sequela. Uma criança que provavelmente iria falecer, porque a atrofia muscular espinhal é uma das doenças raras que mais mata. A criança vai perdendo a força do músculo até não conseguir mais respirar e morre asfixiada.
Conta sua participação na luta pela ampliação do teste do pezinho em Minas Gerais
Quando eu assumi a Secretaria de Estado da Casa Civil e depois consequentemente a Secretaria de Estado de Governo, o governador me pediu inúmeras coisas que ele queria que eu fizesse como atribuição da minha pasta. E depois dele me falar tudo que ele queria, eu falei: "Não, eu tenho um pedido para fazer para o senhor." Ele: "Qual?". Eu queria também cuidar das políticas públicas para as pessoas com deficiência e doenças raras. Expliquei o motivo, ele já conhece a minha história e ele autorizou.
Então puxei para a minha secretaria essa responsabilidade. Antes era de maneira fragmentada, tinha um pouquinho na pasta de Ação Social, um pouquinho na Educação, um pouquinho na Saúde. Eu unifiquei as políticas públicas e nós fizemos dezenas, centenas de ações durante esse período que eu estive à frente das secretarias. E uma delas foi o teste do pezinho ampliado em parceria, obviamente, com a Secretaria de Saúde, com o secretário Fábio Baccheretti.
Nós fizemos o investimento necessário, foram mais de 60 milhões de reais no investimento para triagem neonatal do teste do pezinho, mas hoje é uma realidade posta em Minas Gerais. Uma criança que nasce em Januária, no Norte de Minas, ou em Extrema, no Sul de Minas, todas elas vão fazer gratuitamente o teste do pezinho ampliado.
Uma frase que está na rede social do senhor: “Faça o que deves e esteja no que fazes”. O que ela representa na sua vida? Por que essa frase?
Essa frase é de um santo, São Josemaria Escrivá, que eu sou devoto, me ajudou muito na minha caminhada espiritual. E ele tem essa frase que eu acho muito bonita, que nos convida a fazer o que deve ser feito, a fazer o certo. Em todas as hipóteses, na nossa rotina, nas coisas simples do dia a dia, faça o certo. Faça, execute. Você tem que trabalhar? Trabalhe. Tem que estudar? Estude. Tem que apresentar o programa? Apresente o programa. Seja a sua melhor versão. E esteja no que faz, ou seja, quando você estiver fazendo alguma coisa, seja a sua melhor versão, faça com excelência, coloque todo o seu coração.
É nisso que se formam grandes homens e grandes mulheres. É nas pequenas atitudes do dia a dia. É no trabalho, é isso que eu acredito. O que vai determinar o tamanho que eu serei nesse mundo é o esforço que eu vou colocar nas atitudes do dia a dia. Eu acredito que no ordinário que a gente encontra com o extraordinário. Essa frase do São Josemaria Escrivá me ajuda nessa caminhada. E eu, assim, como esse santo nos ensina, busco no dia a dia ser uma pessoa melhor. Claro que a gente tropeça, a gente cai, a gente erra, mas eu busco dia a dia ser uma pessoa melhor. Sobretudo na política, que é minha vocação, meu sacerdócio.
Tem alguma coisa na sua trajetória que você olha para trás e faria diferente?
Certamente em alguns momentos eu teria mudado algumas posições minhas, algumas falas minhas. A gente vai aprendendo no dia a dia, e eu não tive ninguém para me ensinar a política dentro de casa. Tive que aprender com as minhas próprias forças, aprender fazendo. E aí certamente, você comete erros. Mas, claro, erros perdoáveis. Erros que me ensinaram a ser uma pessoa melhor e, enfim, vida que segue.
Qual a decisão mais difícil que o senhor já tomou na vida pública?
A vida pública nos exige decisões difíceis quase que cotidianamente. Por exemplo, nesse momento que eu estou vivendo, decidir ser pré-candidato ao Senado é uma decisão difícil. As pessoas quando conversam falam: "Olha, seria muito mais fácil tentar um outro cargo, fazer uma composição". Enfim, mas aquilo que arde no meu coração hoje é representar Minas Gerais no Senado. Então é uma decisão difícil, mas quando se busca fazer aquilo que é certo, a gente não erra. Quando você está bem intencionado, as coisas concorrem para o bem.
Qual conselho você daria para o Marcelo de 25 anos, que foi eleito vereador?
Não desistir. Continuar trilhando mesmo com as pancadas, com as porradas, erguer a cabeça e ir em frente que tem muita água para rolar.
Você tem seis filhos, como eles veem a política dentro de casa?
Meus filhos ainda são muito novos. Eu tenho a Maria, ela tem 13 (anos), depois dela é a Gabriela, com 12, Marcelinho tem 9, Guigui 8. As gêmeas são recém-nascidas. Então eles são muito pequenos. Eles ainda não tem uma compreensão do todo. Mas sabem o que é política, sabem que eu trabalho para resolver o problema que é de todo mundo, sobretudo das pessoas mais carentes, das mais necessitadas. E sempre que eu posso, levo eles comigo em alguma agenda, algum evento, algumas reuniões, para que eles possam ir vendo o trabalho do pai.
E eu acho que eles sabem que na minha ausência, eu estou fazendo algo que realmente acredito. E quero deixar um legado para eles, para Minas e para o Brasil. Então, eles respeitam muito.
O que você espera que os mineiros digam sobre você daqui a 20 anos?
Que o Marcelo trabalhava dia a dia para ser uma pessoa melhor, que ele buscava fazer o que era certo, que ele sabe para quem presta contas. E esse é o mais importante. Eu queria que as pessoas, de fato, olhassem para mim e falassem assim: "Olha, eu posso até divergir dele em algum tema, mas Marcelo sabe para quem presta presta contas. Marcelo é uma pessoa correta e que busca fazer o bem.”
Quem chega ao Senado representa o estado de Minas Gerais inteiro, como o senhor pretende dialogar, por exemplo, com prefeitos, deputados e lideranças que às vezes não pensam politicamente como o senhor?
Uai, como sempre dialogo. Com todo o respeito, de maneira republicana. Ninguém é obrigado a concordar um com outro 100%. E é difícil a gente também discordar de alguém 100%. Então, nós precisamos achar as convergências e precisamos discutir quando há divergência. Na discussão do bem, a discussão sadia, discussão propositiva. Às vezes um convence, né? Em alguns momentos, eu vou convencê-los, eles vão me convencer. E é assim que eu sempre fiz na minha trajetória política.
Na sua visão, qual vai ser o principal desafio como pré-candidato ao Senado?
O maior desafio é chegar até as pessoas. Se eu conseguisse botar 20 milhões de pessoas assentadas em um auditório em silêncio e me dessem a possibilidade de falar uma hora, de contar um pouco da história da minha vida, aquilo que eu já fiz e aquilo que eu me proponho a fazer no Senado, eu tenho certeza que a gente ganhava eleição. A questão é que eu preciso chegar até elas. Então, acho que a minha maior dificuldade vai ser esse desafio, chegar nos 20 milhões de mineiros.
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Convidado desta semana do EM Minas, programa do Estado de Minas com o Portal Uai e a TV Alterosa, o ex-secretário de Governo e da Casa Civil de Minas Gerais Marcelo Aro (PP) contou os planos para a pré-candidatura ao Senado Federal. Se eleito, ele promete uma atuação centrada em três eixos: ampliar a destinação de recursos para o estado; defender os direitos das pessoas com deficiência e doenças raras; e combater o que ele chama de “desmandos do Judiciário”, em crítica à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
A primeira filha de Aro, Maria, nasceu com Síndrome de Cornélia de Lange (CdLS) e mudou sua trajetória pessoal
e política. Hoje com 13 anos, a filha foi a inspiração para que ele assumisse a luta pelas pessoas com doenças raras e deficiências, criando a associação Casa de Maria e defendendo a implantação do teste do pezinho ampliado, que permite diagnosticar logo após o nascimento mais de 50 doenças raras, antecipando tratamentos e evitando o sofrimento das crianças e famílias.
Após ser vereador, deputado federal por dois mandatos e secretário da Casa Civil e de Governo, por que ser pré-candidato ao Senado?
Eu amo política, amo cuidar daquilo que é de interesse coletivo. E eu sinto que Deus me deu muitos dons e talentos que preciso retribuir sendo útil para o próximo. E o que me move na política é saber que por meio das nossas atitudes a gente consegue solucionar problemas coletivos. Então é isso que eu quero fazer no Senado Federal.
Eu já fui vereador, já fui deputado, secretário de estado e agora eu sinto que é necessário dar um passo maior, porque Deus me deu esses talentos, Deus me deu esses dons e eu não posso guardar isso para mim. Eu preciso colocar isso a serviço do próximo. E eu sinto que hoje o Senado Federal precisa de um senador que tenha o olhar que eu tenho para resolver o problema das pessoas. Um senador que esteja conectado com a realidade do povo, que sabe dos problemas e que tem soluções. Hoje, eu conheço a realidade dos quatro cantos do nosso estado. Eu sei qual é a necessidade do povo do Vale do Jequitinhonha, (Vale) do Mucuri. Eu sei o que o povo do Sul de Minas precisa, eu sei quais são as demandas e eu sei que tem dinheiro para isso. E o dinheiro está na União, está no governo federal. E nós precisamos de um senador que tenha habilidade e competência para pegar esse recurso lá na União e trazer aqui para o estado. Eu estou preparado para fazer isso.
O que na sua trajetória política te prepara para o Senado?
Além de jornalista, eu sou advogado e o meu mestrado é em direito constitucional. Passei uma vida estudando. A Constituição, o Estado Democrático de Direito, a teoria geral do Estado e há uma diferença muito grande entre Câmara Federal e Senado Federal. A Câmara Federal, ela representa a população, ela representa todos. Tanto é que Minas tem 53 deputados e vários estados têm menos do que Minas Gerais.Tem estado com nove deputados federais.
Já senador não. Todo o estado, toda unidade federativa do Brasil tem três senadores. Então o senador representa o interesse do estado de origem dele. Esse é o grande diferencial. E eu me preparei para isso. E eu quero representar Minas Gerais. Eu quero fazer Minas Gerais dar certo. E Minas Gerais não vai dar certo se a gente não tiver um senador alinhado com os problemas da nossa população e que saiba dar solução para esses problemas. E é por isso, então, que eu lancei a nossa pré-candidatura para o Senado Federal.
O senhor é o pré-candidato do governador?
Olha, eu acredito que sim, né? É ele que tem que falar sobre isso. Em todas as entrevistas, ele sempre deixou muito claro que me apoia para o Senado Federal. Isso me deixa muito feliz, até porque ele também conta com o meu apoio para o governo. Acho o Mateus muito preparado, muito competente, entende a máquina pública como poucos. E, de fato, eu acredito que nós precisamos de um governador no perfil dele. Um governador que esteja preocupado em realizar e que não faça loucuras.
Minas Gerais já foi muito castigada nos últimos tempos. Infelizmente, nós tivemos governos que não tinham nem um pouco de responsabilidade com o futuro do nosso estado. Então, gastava-se de maneira desproporcional sem pensar no amanhã e hoje nós estamos pagando o pato disso. Então, eu acredito que o governador Matheus Simões tem competências e condições para deixar o estado no lugar que ele precisa.
Nós mineiros gostamos de cobrar resultados concretos. O que na sua trajetória o senhor acredita já ter deixado como legado?
Ficaríamos dias aqui para eu falar de toda a minha trajetória. Como eu disse, fui vereador de Belo Horizonte, fui deputado federal por oito anos, secretário da Casa Civil e secretário de Governo. Vamos falar da última posição que eu tive, por causa do tempo aqui. Como secretário de Governo, tenho entregas nos 853 municípios mineiros. Qualquer município que falar, falo uma entrega nossa, algo que a gente realmente atendeu a população, pois era a demanda principal daquela cidade.
Eu conversei com todos os prefeitos mineiros. Eu escutei, por exemplo, do prefeito de Guarani, ele relatando e chorando para mim que teve um incêndio criminoso que queimou todas as ambulâncias, todos os carros de saúde que tinham na prefeitura. E nós conseguimos enviar todos os veículos 0km para ele para fazer o transporte do paciente que, por exemplo, precisa fazer uma hemodiálise. Nós salvamos vidas.
Eu poderia falar aqui de Sete Lagoas. Quando estava lá na cidade, uma mãe com uma criança de colo virou para mim e falou: "Não tenho onde deixar a minha filha. Falta creche em Sete Lagoas." Fui no prefeito e ele falou: "É o maior problema da história de Sete Lagoas. A gente nunca conseguiu zerar a fila das creches aqui." Eu falei: "Quantas creches precisam para a gente zerar a fila?”. Duas creches. Nós mandamos duas creches para Sete Lagoas.
Ou poderia falar do Norte Minas, lá da Elbe Brandão, [prefeita de] Nova Porteirinha, que tinha um posto de saúde em condições completamente precárias para atender a população. Ela me levou lá e falou assim: "É aqui que meu povo é atendido." E eu falei: "Não, Elbe, nós vamos mudar isso." E vamos construir a primeira unidade básica de saúde de Nova Porteirinha. Isso é transformar vidas.
Mas poderia falar também de uma política pública que a gente colocou em Minas Gerais, que Minas Gerais é o único estado do Brasil a fazer o teste do pezinho ampliado. Em qualquer lugar do Brasil, só detecta seis doenças o teste do pezinho. Em Minas, nós detectamos mais de 60 doenças no teste do pezinho ampliado. Isso significa que estamos salvando milhares de vidas por mês em Minas Gerais. A criança que nasce no Rio não tem teste de pezinho ampliado, a que nasce em São Paulo não tem, mas a que nasce em Minas Gerais tem. Fruto do nosso trabalho. Eu poderia passar o dia falando de tudo aquilo que a gente fez por Minas Gerais e pelo povo mineiro.
Estamos em um momento de muita polarização política. Qual o papel de um senador: criar pontes ou defender um lado político?
A essência de quem é senador é defender o ente federativo que ele representa. E o que é defender o estado? É resolver os problemas que tem no estado dele. E eu quero resolver isso de maneira propositiva. Então, pode ter certeza de que eu, eleito senador, vou participar da comissão de orçamento. Nós vamos fazer emendas no orçamento federal para que a gente traga mais recursos para cá.
É inadmissível pensarmos que, de todos os impostos que os mineiros pagam para Brasília, só volta para Minas Gerais 40%. Sessenta porcento dos impostos que nós pagamos vão para outros estados. Por que isso? Minas não tem necessidade? Claro que tem. Minas tem muitas demandas, mas falta articulação política e trabalho para que a gente pegue esse dinheiro que é de Minas e devolva para o povo mineiro.
O que falta em Minas Gerais para a política avançar na melhoria da vida das pessoas?
Cada lugar tem uma necessidade diferente. E aí, depende da região, depende da cidade, depende da pessoa que nós estamos falando. Se eu te perguntar o que você precisa do estado, você vai ter a sua demanda. Talvez a sua, pela sua realidade social, seja segurança pública. Então, nós precisamos melhorar a segurança pública. Ou não, talvez você fale: "Marcelo, meu filho estuda numa escola estadual que está tá precária, que precisa de mais investimento.” Nós temos que mandar investimento. Isso é resolver o problema das pessoas. Em cada local e para cada pessoa é uma demanda diferente.
O que o eleitor pode cobrar do Marcelo Aro, daqui a oito anos, caso o senhor seja eleito senador?
Em primeiro lugar, coerência. Toda minha trajetória política mostrou coerência. Eu sei o porquê eu quero ser senador e o que eu irei entregar como senador. O que eu estou propondo aqui na pré-campanha e vou propor na campanha, eles podem me cobrar que eu realizarei.
Eu digo que eu tenho três grandes metas como senador da República. Primeiro, eu quero de fato ser um senador municipalista. Ou seja, podem me cobrar de levar recurso para os municípios mineiros mais do que está vindo hoje. Essa vai ser a minha primeira função. E quando eu falo levar mais recursos, eu estou falando em resolver problemas reais. Não estou falando de problema hipotético, de internet. Essa é a minha primeira grande função enquanto senador.
A segunda, eu quero fazer no Brasil o que eu já fiz em Minas Gerais para as pessoas com deficiência e doenças raras: políticas públicas em que elas sejam beneficiadas. Como por exemplo, eu enquanto secretário de Governo, mandei em um ano para as Apaes (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Minas Gerais R$ 150 milhões, o maior orçamento que as Apaes já viram vindo do governo do estado. O maior orçamento até então tinha sido R$ 5 milhões. E agora eu quero que no Brasil nós tenhamos uma rubrica específica para as Apaes. Então que no nosso orçamento esteja lá uma rubrica específica para atender as Apaes de todo o Brasil.
Eu quero implantar o teste do pezinho ampliado em todo o Brasil. O cordão do doente raro em todo o Brasil. O estatuto da pessoa com doença rara em todo o Brasil. E como senador eu vou representar essas pessoas.
Por fim, meu terceiro grande objetivo enquanto senador é colocar um freio no avanço do poder Judiciário sobre Legislativo e Executivo. Ninguém aguenta mais os desmandos do Judiciário. Ninguém aguenta mais abrir o jornal e ver manchete de ministros do Supremo Tribunal Federal recebendo contratos milionários. Isso ninguém, seja de esquerda, seja de direita, ninguém admite isso, ninguém concorda com isso. E quem tem responsabilidade constitucional de colocar um freio nisso que está acontecendo? O Senado Federal. E eu estou preparado para fazer esse enfrentamento.
O nascimento da Mariazinha mudou a sua trajetória política e suas lutas de vida?
A chegada da Maria é um divisor de águas na minha vida. Tem o Marcelo antes da Maria e o Marcelo depois da Maria. Maria que me ensinou o que é o amor verdadeiro, o amor gratuito. O amor que nada espera. Eu costumo falar para as pessoas, falo inclusive para os meus filhos: "O papai ama a todos, mas a Maria de maneira especial." Porque o amor que eu tenho pela Gabriela, minha outra filha, de 12 anos, eu amo ela, mas eu espero que ela também me ame. Eu cuido dela, mas eu também espero, no fundo, que um dia ela cuide de mim quando eu estiver velhinho. A Maria não, a Maria é o amor que nada espera, é o amor genuíno.
Quem conhece a minha história pessoal, sabe. A Maria tem 13 anos. Ela não fala, não anda. Ela tem deficiência cognitiva completa. Mas a Maria é o maior presente que Deus podia ter me dado. A Maria, ela me fez lutar por essa causa da pessoa com deficiência e da pessoa com doença rara.
Quando a Maria nasceu, eu e minha esposa tínhamos uma condição financeira para dar uma condição boa de vida para ela. A gente tinha condições de viajar, de pegar opiniões de médicos de outros lugares do mundo. De dar para ela os melhores medicamentos, o melhor tratamento, mas eu me deparei com a realidade falando assim: "Mas e as mães e os pais que não têm a condição financeira que nós temos, como que eles fazem?".
Até então, era um assunto que eu só ouvia falar, mas fui realmente me aprofundar. E passei a conhecer a realidade da pessoa com doença rara no Brasil. E é uma realidade muito triste. Primeiro que as crianças morrem. 30% delas morrem antes dos 5 anos de idade. E morrem antes dos 5 anos de idade não porque elas tem que morrer, morrem porque falta política pública, falta remédio, tratamento, diagnóstico, falta tudo.
E 90% das crianças são cuidadas só pela mãe. São mães solos, o pai geralmente sai de casa. Então isso vira um problema social. Porque a mãe tem que passar o dia cuidando da criança, porque não tem condição de deixar ela em outro lugar e não pode trabalhar. E como não tem um pai em casa, não tem dinheiro. Ela vive geralmente do BPC, benefício de prestação continuada. É um benefício que sequer dá para comprar o leite da criança, que muitas vezes tem que ser um leite especial. É uma situação completamente triste. E é impossível você enquanto cristão olhar para uma situação dessa e não querer transformar a vida delas.
Você falou sobre a expectativa de vida das crianças que recebem diagnósticos de doença rara, com a Maria também foi assim?
Foi assim. No primeiro ultrassom que a gente fez, o morfológico, o médico sugeriu que interrompesse a gravidez. Ele falou que se fosse ele, ele interromperia, porque, nas palavras dele, minha filha, ou não era compatível com a vida, ou teria uma doença rara, ou teria uma deficiência física grave. Mas que ele achava que ela não era compatível com a vida, então eu deveria interromper a gravidez. Eu obviamente falei que não. Sou 100% a favor da vida e defendo a vida em todas as instâncias, em todas as circunstâncias. Eu e minha esposa decidimos continuar a gravidez.
Depois, quando a Maria nasceu eles falavam que ela não ia sobreviver porque ela nasceu com 1,190 kg. Batizei ela no hospital porque eles falavam que ela não ia sobreviver. Ela foi sobrevivendo dia após dia, ficou 33 dias no CTI (centro de tratamento intensivo) e recebeu alta. E o melhor diagnóstico que nós recebemos foi de uma médica amiga nossa, que falou que ela ia viver no máximo 5 anos de idade. E nós decidimos viver cada dia como se um único fosse, até porque único é. E aí começou nossa batalha em prol da vida da Maria, que hoje já tem 13 anos de idade.
E tem a Casa de Maria, né?
Isso. A Casa de Maria é uma associação que cuida das pessoas com doenças raras de maneira totalmente gratuita. A gente acolhe aquelas crianças que não têm condição de fazer um tratamento, de receber uma medicação. Lá na Casa de Maria a gente dá apoio com fisioterapia, terapia ocupacional, nutricionista, fonoaudiólogo… Todas as dimensões de tratamento.
Essas crianças vem de tudo que é lugar. Muitas de Belo Horizonte, outras espalhadas por Minas Gerais. Tem criança que vem do Vale do Jequitinhonha, lá de Pedra Azul, anda 10 horas para chegar até Belo Horizonte.
Eu sou o maior benfeitor, mas tem pessoas que nos ajudam a manter a Casa de Maria. E só quem conhece sabe a beleza que tem lá. São centenas de crianças atendidas semanalmente, vindo de todo o estado de Minas Gerais, algumas inclusive de fora do estado. É um trabalho que eu me orgulho muito e que se Deus quiser vai permanecer por muito tempo.
E qual a importância da ampliação do teste do pezinho?
São milhares de vidas salvas. Posso dar um exemplo para agora. Uma criança nasceu em Divinópolis, a mãe tem 17 anos, situação de vulnerabilidade total na família. A criança nasceu e foi feito o teste do pezinho ampliado. No quinto dia, o sangue chegou ao Nupad (Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico) da UFMG (Universidade Federal de Minas Geraais), via Sedex (Serviço de Encomenda Expressa dos Correios). No oitavo dia, a gente já tinha confirmado que aquela criança tinha atrofia muscular espinhal (AME). Coisa que em Divinópolis não tinha como saber, porque é só com uma triagem neonatal que você vê. A criança nasceu normal, sem problema nenhum. Vimos que ela tinha atrofia muscular espinhal, trouxemos a criança aqui para Belo Horizonte, demos todo o tratamento, a medicação que é devida.
Quando o diagnóstico é precoce, a criança tem a possibilidade de tomar um medicamento via oral para tratar a doença. Quando ela não toma no momento do nascimento, causa sequelas irreversíveis. E só têm dois remédios que paralisam a AME, o Spinraza e o Zolgensma. Um custa R$ 3 milhões, o outro R$ 12 milhões. Mas quando a gente descobre nos primeiros dias de vida, ela pode tomar um comprimido, que é muito mais barato, obviamente, do que esses outros dois medicamentos. Nós demos essa medicação para criança e ela vai ter uma vida normal, sem nenhuma sequela. Uma criança que provavelmente iria falecer, porque a atrofia muscular espinhal é uma das doenças raras que mais mata. A criança vai perdendo a força do músculo até não conseguir mais respirar e morre asfixiada.
Conta sua participação na luta pela ampliação do teste do pezinho em Minas Gerais
Quando eu assumi a Secretaria de Estado da Casa Civil e depois consequentemente a Secretaria de Estado de Governo, o governador me pediu inúmeras coisas que ele queria que eu fizesse como atribuição da minha pasta. E depois dele me falar tudo que ele queria, eu falei: "Não, eu tenho um pedido para fazer para o senhor." Ele: "Qual?". Eu queria também cuidar das políticas públicas para as pessoas com deficiência e doenças raras. Expliquei o motivo, ele já conhece a minha história e ele autorizou.
Então puxei para a minha secretaria essa responsabilidade. Antes era de maneira fragmentada, tinha um pouquinho na pasta de Ação Social, um pouquinho na Educação, um pouquinho na Saúde. Eu unifiquei as políticas públicas e nós fizemos dezenas, centenas de ações durante esse período que eu estive à frente das secretarias. E uma delas foi o teste do pezinho ampliado em parceria, obviamente, com a Secretaria de Saúde, com o secretário Fábio Baccheretti.
Nós fizemos o investimento necessário, foram mais de 60 milhões de reais no investimento para triagem neonatal do teste do pezinho, mas hoje é uma realidade posta em Minas Gerais. Uma criança que nasce em Januária, no Norte de Minas, ou em Extrema, no Sul de Minas, todas elas vão fazer gratuitamente o teste do pezinho ampliado.
Uma frase que está na rede social do senhor: “Faça o que deves e esteja no que fazes”. O que ela representa na sua vida? Por que essa frase?
Essa frase é de um santo, São Josemaria Escrivá, que eu sou devoto, me ajudou muito na minha caminhada espiritual. E ele tem essa frase que eu acho muito bonita, que nos convida a fazer o que deve ser feito, a fazer o certo. Em todas as hipóteses, na nossa rotina, nas coisas simples do dia a dia, faça o certo. Faça, execute. Você tem que trabalhar? Trabalhe. Tem que estudar? Estude. Tem que apresentar o programa? Apresente o programa. Seja a sua melhor versão. E esteja no que faz, ou seja, quando você estiver fazendo alguma coisa, seja a sua melhor versão, faça com excelência, coloque todo o seu coração.
É nisso que se formam grandes homens e grandes mulheres. É nas pequenas atitudes do dia a dia. É no trabalho, é isso que eu acredito. O que vai determinar o tamanho que eu serei nesse mundo é o esforço que eu vou colocar nas atitudes do dia a dia. Eu acredito que no ordinário que a gente encontra com o extraordinário. Essa frase do São Josemaria Escrivá me ajuda nessa caminhada. E eu, assim, como esse santo nos ensina, busco no dia a dia ser uma pessoa melhor. Claro que a gente tropeça, a gente cai, a gente erra, mas eu busco dia a dia ser uma pessoa melhor. Sobretudo na política, que é minha vocação, meu sacerdócio.
Tem alguma coisa na sua trajetória que você olha para trás e faria diferente?
Certamente em alguns momentos eu teria mudado algumas posições minhas, algumas falas minhas. A gente vai aprendendo no dia a dia, e eu não tive ninguém para me ensinar a política dentro de casa. Tive que aprender com as minhas próprias forças, aprender fazendo. E aí certamente, você comete erros. Mas, claro, erros perdoáveis. Erros que me ensinaram a ser uma pessoa melhor e, enfim, vida que segue.
Qual a decisão mais difícil que o senhor já tomou na vida pública?
A vida pública nos exige decisões difíceis quase que cotidianamente. Por exemplo, nesse momento que eu estou vivendo, decidir ser pré-candidato ao Senado é uma decisão difícil. As pessoas quando conversam falam: "Olha, seria muito mais fácil tentar um outro cargo, fazer uma composição". Enfim, mas aquilo que arde no meu coração hoje é representar Minas Gerais no Senado. Então é uma decisão difícil, mas quando se busca fazer aquilo que é certo, a gente não erra. Quando você está bem intencionado, as coisas concorrem para o bem.
Qual conselho você daria para o Marcelo de 25 anos, que foi eleito vereador?
Não desistir. Continuar trilhando mesmo com as pancadas, com as porradas, erguer a cabeça e ir em frente que tem muita água para rolar.
Você tem seis filhos, como eles veem a política dentro de casa?
Meus filhos ainda são muito novos. Eu tenho a Maria, ela tem 13 (anos), depois dela é a Gabriela, com 12, Marcelinho tem 9, Guigui 8. As gêmeas são recém-nascidas. Então eles são muito pequenos. Eles ainda não tem uma compreensão do todo. Mas sabem o que é política, sabem que eu trabalho para resolver o problema que é de todo mundo, sobretudo das pessoas mais carentes, das mais necessitadas. E sempre que eu posso, levo eles comigo em alguma agenda, algum evento, algumas reuniões, para que eles possam ir vendo o trabalho do pai.
E eu acho que eles sabem que na minha ausência, eu estou fazendo algo que realmente acredito. E quero deixar um legado para eles, para Minas e para o Brasil. Então, eles respeitam muito.
O que você espera que os mineiros digam sobre você daqui a 20 anos?
Que o Marcelo trabalhava dia a dia para ser uma pessoa melhor, que ele buscava fazer o que era certo, que ele sabe para quem presta contas. E esse é o mais importante. Eu queria que as pessoas, de fato, olhassem para mim e falassem assim: "Olha, eu posso até divergir dele em algum tema, mas Marcelo sabe para quem presta presta contas. Marcelo é uma pessoa correta e que busca fazer o bem.”
Quem chega ao Senado representa o estado de Minas Gerais inteiro, como o senhor pretende dialogar, por exemplo, com prefeitos, deputados e lideranças que às vezes não pensam politicamente como o senhor?
Uai, como sempre dialogo. Com todo o respeito, de maneira republicana. Ninguém é obrigado a concordar um com outro 100%. E é difícil a gente também discordar de alguém 100%. Então, nós precisamos achar as convergências e precisamos discutir quando há divergência. Na discussão do bem, a discussão sadia, discussão propositiva. Às vezes um convence, né? Em alguns momentos, eu vou convencê-los, eles vão me convencer. E é assim que eu sempre fiz na minha trajetória política.
Na sua visão, qual vai ser o principal desafio como pré-candidato ao Senado?
O maior desafio é chegar até as pessoas. Se eu conseguisse botar 20 milhões de pessoas assentadas em um auditório em silêncio e me dessem a possibilidade de falar uma hora, de contar um pouco da história da minha vida, aquilo que eu já fiz e aquilo que eu me proponho a fazer no Senado, eu tenho certeza que a gente ganhava eleição. A questão é que eu preciso chegar até elas. Então, acho que a minha maior dificuldade vai ser esse desafio, chegar nos 20 milhões de mineiros.