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Parte do processo para que a mudança partidária seja concluída já foi feita, com a mudança no comando do diretório estadual da sigla em Minas. Em articulação que teve atuação de Pacheco, o partido deve confirmar o deputado estadual Rodrigo de Castro, aliado do senador, na presidência da legenda no estado, em detrimento ao deputado federal Marcelo de Freitas.
Sem citar a situação partidária de Pacheco, Lula foi direto no recado. “Em Minas Gerais, eu posso dizer para você agora, se eu conheço a alma mineira, nós vamos ganhar as eleições de Minas Gerais outra vez. E eu quero dizer aqui em alto e bom som, eu ainda não desisti de você, Pacheco. Você sabe que nós vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o futuro governador de Minas Gerais. Eu estou muito certo disso, estou muito crente disso”, disse o presidente, em entrevista à jornalista Daniela Lima, no UOL News.
A conversa citada por Lula não tem data ainda para ser realizada. No entanto, aliados de Pacheco e interlocutores do PT citam que o bate-papo, que vai definir o futuro político do senador, deve ocorrer após o Carnaval. O período coincide com a previsão de filiação de Pacheco ao União Brasil. A reportagem questionou a assessoria de Rodrigo Pacheco sobre as declarações de Lula, mas nenhum posicionamento foi enviado até a publicação. O espaço segue aberto.
Trinca na relação
A oito meses das eleições o PT trabalha nos bastidores para construir uma candidatura no estado, mas enfrenta impasses internos e externos. Rodrigo Pacheco, apontado por Lula como um nome capaz de unificar o campo democrático, tem resistido à ideia de disputar o governo mineiro. O relacionamento entre Lula e Pacheco passou por um momento de desgaste no fim do ano passado.
Após uma série de agendas com Lula em Minas, o senador foi preterido na disputa por uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), que acabou ficando com o advogado-geral da União, Jorge Messias. Após esse episódio, chegou a dizer que abandonaria a vida pública. Nesse ínterim, Messias busca apoio no Senado para ter seu nome aprovado para a Corte.
O aceno de Lula a Pacheco ocorre um dia após o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, ter dito que o PT apoiará o ex-prefeito de BH, Alexandre Kalil (PDT) na corrida ao governo de Minas. A declaração foi feita nas redes sociais, após reunião com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Após o episódio, o próprio Edinho rechaçou, em nota, o que foi dito por Lupi.
A possibilidade também foi afastada por Kalil. "Eleição é um saco: no meu palanque só sobe quem EU quiser", escreveu Kalil em seu perfil no X, em resposta a Lupi.
Futuro político em xeque
Com o mandato de senador encerrando no final do ano, Rodrigo Pacheco tem à mesa o desejo do presidente Lula (PT) em tê-lo à frente do palanque petista em Minas Gerais na campanha ao governo de Minas. Todavia, a saída da vida pública segue no radar do senador, conforme interlocutores, independente de uma mudança de partido. Conforme mostrou O TEMPO, aliados do senador apontam que ele aguarda, na conversa com Lula, um projeto sólido do presidente.
A leitura é de que, em uma eventual vitória, o senador precisaria de um forte apoio do governo federal para governar Minas Gerais. A situação fiscal do estado é um ponto de preocupação e há um temor de que um eventual mandato possa ficar engessado. Vale lembrar que Minas Gerais tem uma dívida de R$ 205 bilhões, conforme o último boletim da Receita Estadual. Só à União, o estado deve mais de R$ 182 bilhões, valor que já está sendo equacionado por meio da adesão no final do ano passado ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) - iniciativa que teve forte atuação de Pacheco.
“Pegar um estado nessa condição é difícil. Até agora, o Lula só disse a ele: ‘eu preciso que você seja candidato’. Mas isso não convence. Hoje quem precisa do Rodrigo é o Lula, e não o contrário”, resumiu um aliado reservadamente. Dentro do chamado projeto que Pacheco aguarda de Lula, segundo integrantes do grupo político do senador, há ainda a necessidade de um projeto político para uma eventual derrota na disputa ao Palácio Tiradentes.
Pacheco tem o desejo de assumir uma cadeira no STF, mas uma indicação ministerial em um eventual segundo mandato de Lula também é bem avaliada. “Se ele não tiver uma sinalização, qual a razão para ajudar o Lula?”, questionou o aliado ao lembrar o apoio e exposição de Pacheco a Lula antes da indicação de Jorge Messias ao STF. No entanto, em uma eventual candidatura apoiada por Lula, a entrada no União é vista como a melhor alternativa partidária ao senador por garantir “plataforma segura, tempo de televisão, recursos e estrutura partidária”.
União Brasil
A eventual filiação de Pacheco ao União Brasil faz parte de uma movimentação política de diferentes reflexos. O primeiro impacto é no fortalecimento da bancada do partido no Senado. Em outro aspecto, a ida de Pacheco à legenda pode esvaziar o palanque de Mateus Simões (PSD) na campanha ao governo do estado. Federado ao PP, o União tinha acordo alinhado para fechar questão em torno do vice-governador, mas as negociações foram feitas pelo então presidente Marcelo de Freitas.
Com Rodrigo de Castro no comando, em articulação que teve a atuação de Pacheco, o partido deve refazer a rota mirando as eleições de 2026. Caso esse cenário se confirme, trataria-se de um troco em Simões, que articulou filiação ao PSD em 2025, em movimento que deixou Pacheco escanteado na sigla em uma eventual corrida ao governo de Minas.
Na segunda-feira, conforme mostrou O TEMPO, o presidente nacional do União, Antônio Rueda, esteve em BH e, dentre as agendas, almoçou com Castro na região Centro-Sul de Belo Horizonte. A conversa tratou diretamente sobre as mudanças em Minas. Ele também se reuniu com o prefeito de Belo Horizonte, Àlvaro Damião, e o secretário de governo da PBH, Guilherme Daltro.
A troca de cadeiras, inclusive, tem sido avaliada como uma ‘guinada à direita’ pelo deputado federal Marcelo de Freitas, que acabou escanteado e pode chegar no Partido Liberal. “Estamos em conversas. O PL é sim uma opção. Especialmente se o União Brasil em Minas Gerais fizer uma guinada à esquerda”, disse em conversa com a reportagem, um dia após se reunir com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
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Parte do processo para que a mudança partidária seja concluída já foi feita, com a mudança no comando do diretório estadual da sigla em Minas. Em articulação que teve atuação de Pacheco, o partido deve confirmar o deputado estadual Rodrigo de Castro, aliado do senador, na presidência da legenda no estado, em detrimento ao deputado federal Marcelo de Freitas.
Sem citar a situação partidária de Pacheco, Lula foi direto no recado. “Em Minas Gerais, eu posso dizer para você agora, se eu conheço a alma mineira, nós vamos ganhar as eleições de Minas Gerais outra vez. E eu quero dizer aqui em alto e bom som, eu ainda não desisti de você, Pacheco. Você sabe que nós vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o futuro governador de Minas Gerais. Eu estou muito certo disso, estou muito crente disso”, disse o presidente, em entrevista à jornalista Daniela Lima, no UOL News.
A conversa citada por Lula não tem data ainda para ser realizada. No entanto, aliados de Pacheco e interlocutores do PT citam que o bate-papo, que vai definir o futuro político do senador, deve ocorrer após o Carnaval. O período coincide com a previsão de filiação de Pacheco ao União Brasil. A reportagem questionou a assessoria de Rodrigo Pacheco sobre as declarações de Lula, mas nenhum posicionamento foi enviado até a publicação. O espaço segue aberto.
Trinca na relação
A oito meses das eleições o PT trabalha nos bastidores para construir uma candidatura no estado, mas enfrenta impasses internos e externos. Rodrigo Pacheco, apontado por Lula como um nome capaz de unificar o campo democrático, tem resistido à ideia de disputar o governo mineiro. O relacionamento entre Lula e Pacheco passou por um momento de desgaste no fim do ano passado.
Após uma série de agendas com Lula em Minas, o senador foi preterido na disputa por uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), que acabou ficando com o advogado-geral da União, Jorge Messias. Após esse episódio, chegou a dizer que abandonaria a vida pública. Nesse ínterim, Messias busca apoio no Senado para ter seu nome aprovado para a Corte.
O aceno de Lula a Pacheco ocorre um dia após o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, ter dito que o PT apoiará o ex-prefeito de BH, Alexandre Kalil (PDT) na corrida ao governo de Minas. A declaração foi feita nas redes sociais, após reunião com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Após o episódio, o próprio Edinho rechaçou, em nota, o que foi dito por Lupi.
A possibilidade também foi afastada por Kalil. "Eleição é um saco: no meu palanque só sobe quem EU quiser", escreveu Kalil em seu perfil no X, em resposta a Lupi.
Futuro político em xeque
Com o mandato de senador encerrando no final do ano, Rodrigo Pacheco tem à mesa o desejo do presidente Lula (PT) em tê-lo à frente do palanque petista em Minas Gerais na campanha ao governo de Minas. Todavia, a saída da vida pública segue no radar do senador, conforme interlocutores, independente de uma mudança de partido. Conforme mostrou O TEMPO, aliados do senador apontam que ele aguarda, na conversa com Lula, um projeto sólido do presidente.
A leitura é de que, em uma eventual vitória, o senador precisaria de um forte apoio do governo federal para governar Minas Gerais. A situação fiscal do estado é um ponto de preocupação e há um temor de que um eventual mandato possa ficar engessado. Vale lembrar que Minas Gerais tem uma dívida de R$ 205 bilhões, conforme o último boletim da Receita Estadual. Só à União, o estado deve mais de R$ 182 bilhões, valor que já está sendo equacionado por meio da adesão no final do ano passado ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) - iniciativa que teve forte atuação de Pacheco.
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Pacheco tem o desejo de assumir uma cadeira no STF, mas uma indicação ministerial em um eventual segundo mandato de Lula também é bem avaliada. “Se ele não tiver uma sinalização, qual a razão para ajudar o Lula?”, questionou o aliado ao lembrar o apoio e exposição de Pacheco a Lula antes da indicação de Jorge Messias ao STF. No entanto, em uma eventual candidatura apoiada por Lula, a entrada no União é vista como a melhor alternativa partidária ao senador por garantir “plataforma segura, tempo de televisão, recursos e estrutura partidária”.
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