Está tudo junto e misturado. Flávio Bolsonaro se declarou ‘irmão’ do banqueiro Daniel Vorcaro, o chefe da ‘máfia fantasiada de banco’. A descoberta de um dossiê, montado a mando de Vorcaro, contra o CEO do banco Itaú, Milton Maluhy, demonstra o quanto esses irmãos podem ser nocivos aos interesses da classe dominante brasileira. A armação contra o banqueiro se soma à defesa de tarifas contra empresas brasileiras e promessas de desmonte do Pix, feitas por Flávio, dentro de um plano maior de desestabilização e enfraquecimento do País. Executadas nessa mesma direção, as ações pretéritas de Vorcaro e as atuais de Flávio interagem e se completam. 

Está claro para pessoas de todas as classes, do alto a baixo da pirâmide social, que o modelo que tem em Flávio o chefe político, e o padrão financeiro de Vorcaro como referência, leva ao caos. O ataque pessoal contra o líder do maior banco privado do País corresponde a uma afronta a todo o sistema financeiro nacional. Qualquer outro banqueiro que atrapalhasse os planos de Vorcaro, como o próprio declarou, sofreria o mesmo tratamento. A descoberta da escaramuça contra Maluhy e o Itaú ressalta o desprezo diante da ética e da lei, a mesma postura adotada por Flávio em sua atividade política de vida inteira.No topo da pirâmide, não há mais condições para a elite empresarial e financeira do País conceder qualquer tipo de apoio a Flávio como candidato a presidente da

República. A emblemática facada pelas costas desferida por Vorcaro contra Maluhy, na imagem que pode ser feita pelo dossiê que também mirou a esposa do banqueiro, é prática mafiosa, como registrou a Polícia Federal. As revelações de agora apontam na direção que poderia acontecer, em escala nacional, em caso de vitória do candidato da extrema-direita nas eleições de outubro. 

Pelos flancos, a estratégia incluía a participação de influência, em diferentes arranjos, em plataformas de comunicação. Entre marcas tradicionais e mais jovens, Isto é e Brazil Journal estão citadas na investigação da PF. Vorcaro, assim como os Bolsonaro fazem até hoje, dava prioridade à contra-informação. Em paralelo, articulou uma rede de influencers para atacar a reputação do Banco Central. Além do golpe financeiro consumado na quebra do banco Master, esteve em curso, portanto, uma tentativa de implosão dos principais pilares do mercado financeiro nacional. O Itaú pelo lado privado, e o BC no epicentro do sistema público. A quem interessa que esse tipo de projeto criminoso prospere dentro do Brasil?   

No campo político, um dos principais partidos que representam a classe dominante, o União Brasil, decidiu romper com a candidatura de Flávio. Impactado pela quebra do braço mafioso do bolsonarismo no Rio de Janeiro, com as prisões sucessivas na antiga cúpula do governo estadual e em organizações criminosas, o partido anunciou o rompimento com o PL dos Bolsonaro. Nos demais estados brasileiros, candidatos a todos os cargos repelem a associação de seus nomes ao filho de Jair. Está faltando a elite empresarial e financeira entender, em definitivo, que seu lugar não é ali.