CRISE NO PL

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que se diz autoexilado nos Estados Unidos, afirmou que chamou a polícia para um jornalista que “rodeava sua casa” e abordava a vizinhança para fazer perguntas sobre ele. Atualmente, ele mora em Arlington, nos arredores de Dallas, no estado estadunidense do Texas.

Em vídeo postado nas redes sociais, o "filho 03" do ex-presidente Jair Bolsonaro disse que a esposa, Heloísa Bolsonaro, ligou assustada avisando que um funcionário do site 'The Intercept Brasil' estava perto da casa deles. Segundo Eduardo, o homem chegou a ser atendido pela filha do casal, Georgia, e continuou rondando a propriedade.

Assim que chegou ao local, o ex-deputado afirmou que descobriu que o jornalista estava fazendo perguntas para a vizinhança. Por achar a movimentação estranha, ele resolveu chamar a polícia do Texas, estado americano onde está morando.

"Nós chamamos a polícia, porque eu não sabia do que se tratava, aqui no Texas vocês sabem que muitas pessoas têm arma dentro de casa, normalmente as pessoas que você recebe na sua casa são pessoas que você conhece, tá?", afirmou Eduardo.

Eduardo Bolsonaro nega gestão em filme bancado por Vorcaro
Logo depois, ele tentou amenizar o tom sobre o uso de armas na região, garantindo que não estava ameaçando o profissional.

"Não estou fazendo ameaça a ninguém não, estou falando que é uma situação que é totalmente grave, que foge da rotina", justificou o ex-parlamentar.

Na última semana, o Intercept divulgou mensagens e um áudio do senador Flávio Bolsonaro, irmão de Eduardo, cobrando uma transferência de R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master investigado por fraudes financeiras, para financiar a produção de “Dark Horse”, filme biográfico do ex-presidente com orçamento além de produções hollywoodianas.

Após a divulgação das mensagens, Flávio Bolsonaro confirmou ter recebido o dinheiro de Vorcaro, mas negou ter sido beneficiado diretamente com os valores milionários. Segundo ele, “o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, sem envolvimento de dinheiro público ou utilização da Lei Rouanet. A produtora do filme, porém, negou que recebeu o dinheiro.

Do dinheiro acordado, o empresário pagou R$ 61 milhões à produção, que conta com grandes nomes da produção hollywoodiana, como o ator Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em “A Paixão de Cristo”, no papel de Jair Bolsonaro. O orçamento utilizado no filme, até o momento, foi de R$ 65 milhões. Com isso, o montante transferido pelo empresário representa cerca de 92% do orçamento atual da produção.

Outra polêmica foi a visita de Flávio à casa do empresário um dia depois que ele foi solto da prisão, em novembro de 2025, quando o investigado usava tornozeleira eletrônica e não poderia sair da cidade de São Paulo. Na ocasião, o senador saiu de Brasília em 29 de novembro, foi a São Paulo, e voltou ainda no dia 29. O pré-candidato alegou, em entrevista coletiva, que o encontro se deu exclusivamente para colocar um ponto final no contrato entre Vorcaro e a produção do “Dark Horse”. 

A viagem foi reembolsada pelo Senado e foi criticada por apoiadores, inclusive o comentarista de direita Rodrigo Constantino, que defendeu que “Flávio Bolsonaro está fazendo de tudo para perder de Lula”.

Investigações da Polícia Federal (PF) indicam que a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, foi a fonte de recursos para o filme. Outra linha de investigação suspeita que o dinheiro investido pode ter custeado a estadia de Eduardo nos Estados Unidos.