ELEIÇÕES 2026

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) disse ter recebido uma oferta em dinheiro para desistir de disputar o governo de Minas Gerais nas eleições deste ano. Em discurso no Plenário do Senado na terça-feira (7/7), o parlamentar ainda insinuou que pode adiar mais uma vez a decisão e deixar o anúncio final para 5 de agosto, data final das convenções partidárias.

Cleitinho relatou estar sendo pressionado para recuar na pré-candidatura e relatou o encontro com um político de Divinópolis, que insistiu para vê-lo pessoalmente na semana passada, mas não teve o nome revelado.

"Eu estava tomando um caldo de feijão ali no São José. Ele chegou lá, buzinou para mim: 'Entra aqui no carro'. Ligou o som numa altura danada e estava assim para mim: 'Cleitinho, um pessoal aí mandou te dar um recado'. Eu falei: 'Que recado?'. 'Pelo amor de Deus, Cleitinho...'. 'Por que esse som está alto desse jeito?'. 'Não, eu estou com medo de te contar uma coisa'. 'O que é?'. 'Eles estão te oferecendo dinheiro para ver se você desiste'. 'Você manda um recado: eu não vou desistir'", contou.

E emendou negando ceder à ameaça: “Olhem o medo que eu estou: é zero! A minha política foi feita de propósitos. Se eu cheguei até aqui agora foi Deus que me colocou aqui. Não foi grupo político, não foi partido, não foi dinheiro, não foi empresário, foi o povo que me colocou aqui”.

Cleitinho ainda disse que nunca esteve “à venda”. “Se o Espírito Santo tocar meu coração e mandar eu vir [sair candidato ao governo], é o Espírito Santo e Deus que estão mandando eu vir. Vocês não vão me parar, podem ter certeza disso. Eu não tenho medo de vocês”.

Adiar a decisão?

Anteriormente, Cleitinho havia declarado que daria uma posição final após a Copa do Mundo, que tem a final marcada para 19 de julho. Entretanto, agora parece disposto a prorrogar o prazo, testando a paciência de lideranças do PL, que querem tê-lo como palanque mineiro para a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Líder nas pesquisas de intenção de voto, emendou: “Por que eu vou anunciar agora? Quem está com 2%, 3%, 4% que lute. Olha as pesquisas como estão. Por que eu tenho que decidir agora se o povo não quer saber nada de política agora? Apesar de o povo estar triste pela questão do Brasil, a Copa do Mundo ainda continua. Deixem para... Não tem as convenções que vão vir?”.

Cleitinho, então, provocou quem cobra por uma definição, deixando claro que pode deixá-la para os instantes finais. As convenções partidárias estão marcadas para 20 de julho a 5 de agosto, e os registros de candidaturas têm de ser apresentados à Justiça Eleitoral no máximo até 15 de agosto.

“Eu estou pensando em deixar esse povo ainda mais doido em Minas Gerais. Se o último dia da convenção for 5 de agosto, falar assim: ‘5 de agosto eu decido’. Para deixar esse povo mais louco. Porque eu sei que vocês não estão loucos para defender o povo não, bando de canalhas. Eu sei que vocês estão loucos é para botar a mão no bolso, para encher o bolso de dinheiro, bando de vagabundos”, discursou.

As falas vêm após o presidente estadual do Republicanos, o deputado federal Euclydes Pettersen, sustentar que Cleitinho vai disputar a eleição e adiantar a preferência por uma chapa pura, com Luís Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), como vice.

Se eleito governador, ele prometeu não se intimidar nem mesmo com poderosos. “Vocês estão achando que, se eu entrar lá dentro, eu vou baixar a cabeça para mineradoras, para fulano e para beltrano? Pois vocês me aguardem. Não adianta achar que vocês mandam lá em Minas Gerais, porque eu não tenho medo de coronel não. Não mandem mais recado para mim não, bando de vagabundos, bando de canalhas”.

Enquanto o senador não apresenta uma posição final, o PL trabalha com a alternativa de construir uma candidatura própria ao governo de Minas Gerais, com o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli ou o presidente licenciado da Fiemg Flávio Roscoe como opções. A prioridade é consolidar o palanque de Flávio no estado, mas, sem Cleitinho, as pesquisas indicam um cenário totalmente indefinido na disputa pelo governo, e o Partido Liberal pode acabar faturando Minas Gerais.