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string(8368) "SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O anúncio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de que visitará o ex-presidente Jair Bolsonaro na próxima semana foi o desfecho de uma sequência de incidentes que alimentou discussões acaloradas entre bolsonaristas.
Tarcísio voltou a reafirmar, pela segunda vez em duas semanas, que não quer disputar a Presidência no lugar de Flávio Bolsonaro (PL), indicado pelo ex-presidente para o cargo. Ele tinha sofrido uma série de críticas nos últimos dias por faltar a uma visita que tinha sido marcada para quinta (22). O governador decidiu desmarcar o encontro, citando compromissos em São Paulo, mas, em sua agenda oficial, constava apenas o item "despachos internos". À tarde, ele promoveu uma troca no secretariado, mudando a Casa Civil estadual.
A decisão de não visitar Bolsonaro na data marcarda foi analisada por aliados como uma tentativa de impor um limite aos filhos do ex-presidente.
Um auxiliar de Tarcísio disse que o governador vinha acumulando desgastes com Flávio e atribuindo a auxiliares do senador a criação de boatos relacionados a uma eventual campanha presidencial -que ele nega- e até rumores de que planeja deixar a política.
Ao longo desta quinta (22), enquanto bolsonaristas criticavam Tarcísio por cancelar o encontro com o ex-presidente na prisão, parte do grupo agiu para acalmar os ânimos.
"Tarcísio de Freitas, é um aliado importante, forte e leal. Conheço-o pessoalmente e afirmo, sem hesitação: trata-se de um homem de bem, comprometido com o projeto nacional liderado por Jair Bolsonaro", escreveu em rede social Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica de Bolsonaro que tem auxiliado Flávio a buscar aliados no mercado financeiro.
Como mostrou a Folha, Tarcísio cancelou a visita após se irritar com a declaração do filho do ex-presidente de que o encontro seria para o governador ouvir que sua candidatura presidencial estava "descartada". O senador se lançou ao Planalto em dezembro com apoio do pai.
O encontro com Bolsonaro foi remarcado para a próxima quinta-feira (29), e Tarcísio escreveu em rede social que é "grato e leal" ao ex-mandatário.
Entre apoiadores mais radicais do ex-presidente, a atitude de Tarcísio de adiar a visita e passar o dia no Palácio dos Bandeirantes foi vista como afronta, o que acabou explicitando a tensão entre o clã Bolsonaro e o governador.
Nesse grupo, também ganhou força a leitura de que Tarcísio, ao contrário do que diz publicamente, trabalha não pela reeleição e, sim para disputar o Palácio do Planalto. A avaliação é que, por isso, ele teria evitado a conversa com o ex-presidente, que poderia cobrar um compromisso mais claro com a candidatura de Flávio.
Interlocutores do governador negam essa versão. Eles afirmam que o cancelamento da visita não afeta o plano de concorrer à reeleição e que Tarcísio não faz nenhum movimento para viabilizar uma candidatura presidencial.
Um aliado próximo disse que o governador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro conversaram por telefone ainda na noite de quarta-feira (21), quando Tarcísio afirmou haver uma questão de agenda e que seria preciso mudar a data da visita.
Quem defende o nome de Flávio afirma que Tarcísio enviou o recado de que não aceitará pressão e quis evitar o constrangimento de ser cobrado pelo ex-presidente a fazer campanha pelo filho. Como resultado, vem sendo classificado como orgulhoso.
Deputados bolsonaristas, porém, receberam o recado de segurar críticas ao governador, seguindo a orientação de Flávio de buscar a união dos nomes da direita.
A disputa na direita se intensificou nos últimos dias entre defensores de que Flávio seja o presidenciável do campo, como indicou Bolsonaro, e aqueles que mantêm a preferência pela candidatura presidencial de Tarcísio. O episódio da transferência do ex-presidente para a Papudinha, na semana passada, e a articulação em torno de uma eventual prisão domiciliar impulsionaram a dupla Tarcísio-Michelle em detrimento dos filhos de Bolsonaro.
Em vídeo publicado na quarta (21), o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) falou sobre uma suposta tentativa de derrubar a candidatura do irmão.
"A campanha do Flávio está a todo vapor e não será derrubada. Se isso, por ventura, chegasse a se verificar, qual o sentimento que você teria no seu coração? Que pessoas trabalharam para chantagear Bolsonaro e, numa negociata espúria, inescrupulosa, suja e vil, tiveram êxito", disse.
Aliados e auxiliares de Tarcísio, por outro lado, minimizam o gesto de distanciamento do governador, que, desde a eleição em 2022, tem mantido uma posição dúbia em relação ao bolsonarismo e buscado certa independência.
Eles não escondem que houve um recado por parte de Tarcísio, mas afirmam que ele apenas buscou reagir a ataques que tem recebido e mostrar que não vai aceitar ser tutelado ou pressionado, que tem voz própria e espaço como governador de São Paulo.
Um interlocutor do governador diz que ele conseguiu comunicar que não se trata de uma divergência em relação a Bolsonaro, por quem disse ter solidariedade e gratidão, e sim de uma ação para evitar uma emboscada dos filhos do ex-presidente.
Ainda de acordo com esses aliados, a atitude de Tarcísio foi correta e não deve gerar prejuízo eleitoral, enquanto o entorno de Flávio avalia que o governador pode, sim, perder votos ao se afastar do ex-presidente.
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Tarcísio voltou a reafirmar, pela segunda vez em duas semanas, que não quer disputar a Presidência no lugar de Flávio Bolsonaro (PL), indicado pelo ex-presidente para o cargo. Ele tinha sofrido uma série de críticas nos últimos dias por faltar a uma visita que tinha sido marcada para quinta (22). O governador decidiu desmarcar o encontro, citando compromissos em São Paulo, mas, em sua agenda oficial, constava apenas o item "despachos internos". À tarde, ele promoveu uma troca no secretariado, mudando a Casa Civil estadual.
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"Tarcísio de Freitas, é um aliado importante, forte e leal. Conheço-o pessoalmente e afirmo, sem hesitação: trata-se de um homem de bem, comprometido com o projeto nacional liderado por Jair Bolsonaro", escreveu em rede social Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica de Bolsonaro que tem auxiliado Flávio a buscar aliados no mercado financeiro.
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