ELEIÇÕES
 
Após fechar a aliança com o PT, o pré-candidato ao governo do Estado Alexandre Kalil (PSD) busca apoio de outras siglas. No momento, o MDB e o União Brasil são os alvos preferenciais. Entre os motivos estão a falta de candidaturas próprias, o tempo de televisão e os recursos do Fundo Eleitoral.

Ambas as legendas já foram cortejadas pelo governador Romeu Zema (Novo) para apoiar a sua candidatura à reeleição. O União Brasil pode, inclusive, indicar o nome do vice de Zema. O mais cotado seria o deputado federal Bilac Pinto. No entanto, nos últimos dias, o nome dele teria perdido força. Cenário que pode mudar, caso as negociações com Kalil avancem.

Para Bilac, manter as conversas com Zema e Kalil é natural nesta fase, considerada a inicial das pré-campanhas e a dois meses do início das convenções.


Nem mesmo a aliança formal entre Kalil e o ex-presidente Lula (PT) em Minas seria um empecilho decisivo. “Nós temos diferenças do ponto de vista ideológico, mas nada que não possa ser superado”, disse Bilac.


Segundo ele, a escolha do União Brasil por alianças com os principais pré-candidatos deve ser definida apenas em meados de junho. Até lá, o partido deve continuar adotando a linha de manter o diálogo e não fechar as portas para nenhuma das siglas. 


“Tenho conversado com Igor Eto (secretário de Governo de Zema), Mateus Simões (Novo), Paulo Abi-Ackel (PSDB) e com Alexandre Silveira (PSD), que representa o campo do lado do Kalil”, diz o deputado federal, que é secretário geral do União Brasil em Minas. 

Bilac nega que tenha perdido espaço na “disputa” pela vaga de vice na chapa de Zema e afirma que as conversas com Eto, responsável pela articulação política no Novo, continuam, mas que não descarta aproximação com Kalil, que já esteve com o deputado federal Marcelo Freitas (União Brasil). “Estamos avaliando efetivamente, o diálogo com o Eto e Zema já acontece há um tempo, não obstante mantemos diálogo com todas aquelas pessoas que fazem parte do cenário eleitoral em Minas”, afirma.

Segundo o deputado, as conversas sobre coligações devem amadurecer a partir da segunda quinzena de junho, e Zema deve trabalhar para aglutinar votos no Estado. “A chapa de Kalil está completamente fechada já. O governador Romeu Zema precisa fazer boas escolhas para aglutinar votos na escolha das pessoas que vão compor a chapa. Há um risco de, se as chapas não forem bem montadas, perder as eleições”, avalia Bilac. 


No início do ano, o União Brasil se preparava para lançar candidato próprio ao governo de Minas. Porém, após Zema acenar que escolheria como vice o deputado federal Bilac Pinto (União), a sigla acabou desistindo.


No entanto, pessoas que acompanham o processo da escolha, apontam que o favoritismo para formação da chapa atualmente é do deputado federal Marcelo Aro (PP). Outro nome ainda no páreo para vice é o ex-secretário Mateus Simões (Novo).


O deputado estadual Arnaldo Silva (União) disse a O TEMPO que não foi informado de conversas do partido com o Kalil. “Pessoalmente, defendo caminhar com o governador. Eu vejo o União com mais afinidade com o Zema do que com a candidatura de Kalil, mas essa é uma opinião própria. Acredito que haverá uma reunião para que isso possa ser conversado entre todos os integrantes do partido”, afirmou.

O União Brasil é o resultado da fusão entre o DEM e o PSL. Em Minas Gerais, o DEM era presidido por Bilac Pinto. Apesar das conversas com Zema, o deputado federal é do mesmo grupo político do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), que também era filiado ao DEM, e do senador Alexandre Silveira (PSD), candidato à reeleição na chapa de Kalil.

O União Brasil é alvo de cobiça dos pré-candidatos ao governo principalmente por causa da propaganda eleitoral na TV e no rádio. A legislação eleitoral divide o tempo da seguinte forma: 10% de forma igualitária entre todas as siglas e 90% proporcionalmente ao tamanho das bancadas. Deste último percentual, o União terá, sozinho, cerca de 15%. O partido tem 81 dos 512 deputados federais.

MDB. A reportagem procurou o presidente do MDB em Minas, Newton Cardoso Jr., para comentar as negociações com o PSD. O parlamentar atendeu à ligação e pediu que as perguntas fossem enviadas por mensagem. No entanto, após ver as perguntas, não respondeu.

Em dezembro, o MDB filiou, com pompa e circunstância, o senador Carlos Viana, então no PSD, para ser o candidato da sigla ao governo de Minas. Quatro meses depois, Viana deixou o MDB e foi para o PL para ser o candidato do presidente Jair Bolsonaro em Minas.