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O projeto libera a construção de edifícios de grande porte, os chamados “espigões”, em áreas consideradas tradicionais da capital mineira, onde nasceram importantes expressões da cultura popular da cidade. Para moradores e participantes do bloco, a proposta ameaça a memória, a paisagem urbana e a permanência das comunidades locais.
Moradora do bairro Concórdia, a professora Maria Goretti Teixeira, de 38 anos, defendeu mais atenção do poder público às regiões afetadas. “Temos muitos prédios antigos que têm valor arquitetônico para a cidade. Não podem ser colocados abaixo”, afirmou.
Segundo os organizadores do bloco, os moradores desses bairros não foram ouvidos em uma audiência pública sobre a proposta. O vendedor ambulante Joanes Cardoso, de 27 anos, que tem familiares na região, destacou o vínculo afetivo com o território. “Minha família é da região, e esses bairros têm um valor sentimental para nós”, disse.
A chuva que atingiu a capital durante toda a manhã deste domingo deu uma trégua no meio da tarde, permitindo que os foliões ocupassem a praça. Maquiados, enfeitados e vestidos com roupas de banho, eles estenderam suas cangas e aproveitaram a “praia” improvisada, em um clima que mistura irreverência e manifestação política.
Para a estudante Clarisse Lana, de 34 anos, frequentadora do bloco desde 2014, a Praia da Estação simboliza o início do Carnaval de Belo Horizonte. “O Praia inaugura, de certa forma, o Carnaval de BH. É uma questão do direito à cidade, com vários perfis ocupando o mesmo espaço”, afirmou.
A jornalista Aline Frazão, de 38 anos, grávida de sete meses, reclamou da falta de apoio do poder público ao evento. “Não tem estrutura, não tem banheiro químico”, criticou.
Já o engenheiro de software Oliver Dettenborn, de 28 anos, natural de Chapecó (SC), frequenta o bloco desde que se mudou para Belo Horizonte, em 2022. Para ele, o diferencial do Carnaval da capital mineira está justamente no caráter político das manifestações. “A proposta dialoga muito com a ocupação do espaço público e mostra que o Carnaval vai além da diversão. É um momento de manifestação política, o que diferencia BH de outros carnavais”, concluiu.
Debate e tramitação
A audiência pública para o Projeto de Lei (PL) 574/2025 já tem data prevista. Ela está agendada para 9 de fevereiro de 2026, às 10h, no Plenário Camil Caram da Câmara Municipal.
Essa decisão foi tomada durante uma reunião conjunta das Comissões de Orçamento e Finanças Públicas; Direitos Humanos, Habitação, Igualdade Racial e Defesa do Consumidor; e Meio Ambiente, Defesa dos Animais e Política Urbana, realizada em 23 de dezembro de 2025.
Na ocasião, os vereadores aprovaram a realização da audiência, com o objetivo de apresentar o projeto à sociedade interessada, incluindo moradores, associações, comerciantes, engenheiros, urbanistas, o Conselho Municipal de Política Urbana (Compur) e outros especialistas.
O projeto, de autoria do Executivo, já recebeu parecer favorável da Comissão de Legislação e Justiça (em dezembro de 2025), que atestou sua constitucionalidade, legalidade e regimentalidade. Atualmente, ele segue em análise nas comissões de mérito. Após as comissões, o projeto precisará de aprovação por dois terços dos vereadores (28 votos) em Plenário para avançar.
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Moradora do bairro Concórdia, a professora Maria Goretti Teixeira, de 38 anos, defendeu mais atenção do poder público às regiões afetadas. “Temos muitos prédios antigos que têm valor arquitetônico para a cidade. Não podem ser colocados abaixo”, afirmou.
Segundo os organizadores do bloco, os moradores desses bairros não foram ouvidos em uma audiência pública sobre a proposta. O vendedor ambulante Joanes Cardoso, de 27 anos, que tem familiares na região, destacou o vínculo afetivo com o território. “Minha família é da região, e esses bairros têm um valor sentimental para nós”, disse.
A chuva que atingiu a capital durante toda a manhã deste domingo deu uma trégua no meio da tarde, permitindo que os foliões ocupassem a praça. Maquiados, enfeitados e vestidos com roupas de banho, eles estenderam suas cangas e aproveitaram a “praia” improvisada, em um clima que mistura irreverência e manifestação política.
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A jornalista Aline Frazão, de 38 anos, grávida de sete meses, reclamou da falta de apoio do poder público ao evento. “Não tem estrutura, não tem banheiro químico”, criticou.
Já o engenheiro de software Oliver Dettenborn, de 28 anos, natural de Chapecó (SC), frequenta o bloco desde que se mudou para Belo Horizonte, em 2022. Para ele, o diferencial do Carnaval da capital mineira está justamente no caráter político das manifestações. “A proposta dialoga muito com a ocupação do espaço público e mostra que o Carnaval vai além da diversão. É um momento de manifestação política, o que diferencia BH de outros carnavais”, concluiu.
Debate e tramitação
A audiência pública para o Projeto de Lei (PL) 574/2025 já tem data prevista. Ela está agendada para 9 de fevereiro de 2026, às 10h, no Plenário Camil Caram da Câmara Municipal.
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