O governador Mateus Simões (PSD) informou, na noite desta terça-feira (7/7), a nomeação do novo reitor da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG). Trata-se do professor Vinícius D’Avila, que liderou a chapa vencedora na votação conduzida pelo colégio eleitoral da instituição.  

A nomeação do novo reitor se dá após uma fala polêmica do governador sobre o futuro comando da UEMG. Em abril, Simões disse, em vídeo nas redes sociais, que só nomearia um novo reitor que assumisse o “compromisso de não atrapalhar a destinação adequada” - no caso a venda - de um prédio da UEMG em Frutal, no Triângulo Mineiro. 

A edificação, argumentou Simões à época, custou R$ 200 milhões aos cofres públicos, mas teria virado alvo de um esquema de corrupção. “Como a escolha do novo reitor cabe ao governador do Estado, faço um pedido público aos candidatos: só vou nomear quem assumir o compromisso de não atrapalhar a destinação adequada desse imóvel. Respeito a autonomia universitária e ela vai ser preservada. Mas autonomia não pode significar omissão diante do desperdício de dinheiro que faz falta na ponta”, disse à época. 

Ao nomear o novo reitor nesta terça, Simões não falou sobre o assunto diretamente. No entanto, disse que a questão será discutida com a nova diretoria. “A chapa assumiu o compromisso de avançar no diálogo e na construção conjunta com o Governo de Minas, respeitando a autonomia universitária e buscando soluções para os desafios da instituição”, escreveu o governador nas redes sociais. 

“Seguiremos trabalhando em parceria para fortalecer a UEMG, valorizar a educação superior pública e garantir que a universidade continue cumprindo seu papel no desenvolvimento de Minas Gerais”, acrescentou Mateus Simões. 

Polêmica

Em abril, logo após a declaração do governador, o Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco (APUBH) e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) emitiram nota criticando a fala do chefe do Executivo mineiro. 

“Estamos juntos com o ANDES-SN no repúdio a essa ameaça do governador e reafirmamos a defesa da autonomia universitária e de que o processo de escolha do reitorado comece e termine dentro da instituição, sem qualquer intervenção do governante de plantão. Que essa conquista seja estendida às instituições de ensino superior estaduais, municipais e distrital”, disse a nota da APUBH. 

O posicionamento, conforme o sindicato, representou uma ameaça de Simões e indicou uma disposição de intervir no processo de escolha da nova reitoria da UEMG. “No sentido de que o(a) escolhido(a) seja cúmplice do processo de desmonte da UEMG e de desrespeito da autonomia universitária”, complementou a nota sindical.