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Agredidos, roubados e abandonados dentro da própria casa por pessoas que deveriam protegê-los. Esse é o cenário por trás das quase 1,5 mil denúncias de violência contra idosos registradas em Minas Gerais apenas nos primeiros cinco meses deste ano. Para as autoridades, porém, a realidade pode ser ainda mais grave: grande parte das vítimas sequer reconhece que está sofrendo violência.
Entre 1º de janeiro e 9 de junho de 2026, o Disque Denúncia Unificado (DDU-181) recebeu 1.479 denúncias anônimas relacionadas a crimes e violações contra pessoas idosas. Foram 1.189 registros em Minas Gerais e outros 290 em Belo Horizonte. Os casos envolvem principalmente maus-tratos, golpes financeiros, furtos e abandono.
A preocupação levou órgãos de segurança, Justiça e assistência social a intensificarem ações de fiscalização, orientação e combate aos crimes por meio da Operação Virtude, realizada durante o "Junho Violeta", campanha nacional de conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa.
Violência invisível
O dado que mais preocupa as autoridades não está nas estatísticas, mas sim fora delas. Segundo a delegada Juliana Califf, chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, ao Idoso, à Pessoa com Deficiência e Vítimas de Intolerâncias, a violência contra idosos é amplamente subnotificada porque muitas vítimas não percebem que estão sofrendo abusos.
"Esse é o principal motivo da subnotificação. Muitas vezes o idoso não sabe que está vivendo aquela situação de violência. Ele acha que aquilo é normal", afirma. A Polícia Civil acredita que o número real de vítimas seja pelo menos 100% maior do que o registrado oficialmente.
Além da dificuldade em identificar os abusos, muitos idosos evitam denunciar por dependerem justamente de quem os agride. "Frequentemente é alguém do convívio familiar, alguém que deveria estar protegendo esse idoso", destaca a delegada.
Filhos, parentes e cuidadores entre os suspeitos
Ainda de acordo com a Polícia Civil, os crimes mais comuns são praticados por pessoas próximas à vítima, como filhos, enteados, parentes e até cuidadores. Os casos mais recorrentes envolvem maus-tratos físicos e psicológicos, apropriação de aposentadorias e benefícios, golpes financeiros, ameaças, furtos e negligência.
Dependendo da gravidade dos fatos e da quantidade de crimes praticados, as penas podem ultrapassar 40 anos de prisão.
Fiscalizações fecham instituições
As investigações também alcançaram instituições de longa permanência para idosos. Somente nesta semana, quatro casas foram fiscalizadas em Belo Horizonte. Uma delas foi interditada e outra parcialmente interditada após a identificação de irregularidades.
Conforme a delegada Juliana Califf, todas as instituições vistoriadas abrigavam mais idosos do que a capacidade permitida.
A promotora de Justiça Érica de Fátima Matosinhos Ribeiro informou que cerca de 100 instituições já foram mapeadas para fiscalização em Minas Gerais. Apenas em Belo Horizonte existem aproximadamente 300 casas de acolhimento.
Desse total, cerca de 30 foram classificadas como prioritárias por apresentarem problemas graves, como falta de alvarás, ausência de vistoria do Corpo de Bombeiros, funcionamento clandestino, deficiência na alimentação dos idosos, precariedade estrutural e falta de acessibilidade.
Como identificar que um idoso está sendo vítima
As autoridades alertam que alguns sinais podem indicar situações de violência:
- Medo excessivo de familiares ou cuidadores;
- Mudanças bruscas de comportamento;
- Falta de higiene ou alimentação adequada;
- Lesões frequentes sem explicação convincente;
- Controle total do dinheiro e dos documentos por terceiros;
- Pressão para empréstimos, transferências ou assinaturas;
- Isolamento social;
- Relatos constantes de humilhações e ameaças.
Segundo especialistas, nenhum desses comportamentos deve ser considerado normal, mesmo quando ocorre dentro do ambiente familiar.
Além das ações de fiscalização e investigação, a Operação Virtude também aposta na prevenção. A coordenadora da Defensoria Especializada da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência de Belo Horizonte, Fernanda Fernandes, informou que mais de 8 mil pessoas receberam orientações e encaminhamentos da instituição entre maio de 2025 e maio deste ano.
O trabalho inclui oficinas, palestras, mediação de conflitos familiares e orientação jurídica voltada à população idosa.
Como denunciar
Casos de violência contra idosos podem ser denunciados anonimamente pelo telefone 181. As denúncias também podem ser feitas diretamente à Polícia Civil, ao Ministério Público, à Defensoria Pública, aos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e às unidades de saúde. As autoridades reforçam que familiares, vizinhos e amigos também podem denunciar situações suspeitas.
Para os órgãos envolvidos na Operação Virtude, o silêncio continua sendo um dos maiores aliados da violência contra idosos, e romper esse ciclo é o primeiro passo para proteger uma população cada vez mais numerosa e vulnerável.
*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck
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Entre 1º de janeiro e 9 de junho de 2026, o Disque Denúncia Unificado (DDU-181) recebeu 1.479 denúncias anônimas relacionadas a crimes e violações contra pessoas idosas. Foram 1.189 registros em Minas Gerais e outros 290 em Belo Horizonte. Os casos envolvem principalmente maus-tratos, golpes financeiros, furtos e abandono.
A preocupação levou órgãos de segurança, Justiça e assistência social a intensificarem ações de fiscalização, orientação e combate aos crimes por meio da Operação Virtude, realizada durante o "Junho Violeta", campanha nacional de conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa.
Violência invisível
O dado que mais preocupa as autoridades não está nas estatísticas, mas sim fora delas. Segundo a delegada Juliana Califf, chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, ao Idoso, à Pessoa com Deficiência e Vítimas de Intolerâncias, a violência contra idosos é amplamente subnotificada porque muitas vítimas não percebem que estão sofrendo abusos.
"Esse é o principal motivo da subnotificação. Muitas vezes o idoso não sabe que está vivendo aquela situação de violência. Ele acha que aquilo é normal", afirma. A Polícia Civil acredita que o número real de vítimas seja pelo menos 100% maior do que o registrado oficialmente.
Além da dificuldade em identificar os abusos, muitos idosos evitam denunciar por dependerem justamente de quem os agride. "Frequentemente é alguém do convívio familiar, alguém que deveria estar protegendo esse idoso", destaca a delegada.
Filhos, parentes e cuidadores entre os suspeitos
Ainda de acordo com a Polícia Civil, os crimes mais comuns são praticados por pessoas próximas à vítima, como filhos, enteados, parentes e até cuidadores. Os casos mais recorrentes envolvem maus-tratos físicos e psicológicos, apropriação de aposentadorias e benefícios, golpes financeiros, ameaças, furtos e negligência.
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Fiscalizações fecham instituições
As investigações também alcançaram instituições de longa permanência para idosos. Somente nesta semana, quatro casas foram fiscalizadas em Belo Horizonte. Uma delas foi interditada e outra parcialmente interditada após a identificação de irregularidades.
Conforme a delegada Juliana Califf, todas as instituições vistoriadas abrigavam mais idosos do que a capacidade permitida.
A promotora de Justiça Érica de Fátima Matosinhos Ribeiro informou que cerca de 100 instituições já foram mapeadas para fiscalização em Minas Gerais. Apenas em Belo Horizonte existem aproximadamente 300 casas de acolhimento.
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Como identificar que um idoso está sendo vítima
As autoridades alertam que alguns sinais podem indicar situações de violência:
- Medo excessivo de familiares ou cuidadores;
- Mudanças bruscas de comportamento;
- Falta de higiene ou alimentação adequada;
- Lesões frequentes sem explicação convincente;
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Segundo especialistas, nenhum desses comportamentos deve ser considerado normal, mesmo quando ocorre dentro do ambiente familiar.
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Casos de violência contra idosos podem ser denunciados anonimamente pelo telefone 181. As denúncias também podem ser feitas diretamente à Polícia Civil, ao Ministério Público, à Defensoria Pública, aos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e às unidades de saúde. As autoridades reforçam que familiares, vizinhos e amigos também podem denunciar situações suspeitas.
Para os órgãos envolvidos na Operação Virtude, o silêncio continua sendo um dos maiores aliados da violência contra idosos, e romper esse ciclo é o primeiro passo para proteger uma população cada vez mais numerosa e vulnerável.
*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck