EDUCAÇÃO

De braços cruzados há 37 dias, os professores da rede municipal de educação de Belo Horizonte decidiram ontem manter a greve por tempo indeterminado. A decisão é uma reação ao que a categoria chama de “postura de enfrentamento” por parte da Prefeitura de Belo Horizonte.

Professores apontam corte de ponto dos grevistas e recusa da PBH em permitir a reposição das aulas após o fim do movimento como pontos centrais do impasse. 

“Essa postura agrava ainda mais o conflito e prejudica toda a comunidade escolar”, diz o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH), em nota.

Além disso, a categoria não abre mão do fim das contratações de profissionais via Organização da Sociedade Civil (OSCs), o que o Executivo municipal já havia descartado mais de uma vez anteriormente. 

Após nova assembleia realizada ontem, os servidores fizeram uma vigília em frente à Secretaria Municipal de Planejamento (SMPL), no centro da capital. Segundo o Sind-Rede, uma comissão de profissionais teria sido impedida de acessar o prédio e foi cercada pela Guarda Civil, o que intensificou o protesto.

“O que a gente espera é que a Prefeitura entenda que educação pública não é caso de violência, é caso de negociação. A gente precisa resolver os assuntos pendentes para que a greve possa se encerrar”, disse o Sind REDE-BH. 

Os grevistas afirmam ainda que “a negativa em assegurar a reposição das atividades compromete o direito dos estudantes à educação, previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), e pode prolongar desnecessariamente a paralisação”.

O Hoje Em Dia procurou a Prefeitura para comentar o assunto, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. 

Contratação de terceirizados gera conflito

A mobilização começou com professores concursados da rede municipal cobrando recomposição salarial e melhorias nas condições de trabalho. Segundo o sindicato dos docentes, há sobrecarga, falta de profissionais e ausência de transparência sobre vagas disponíveis nas escolas.

O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), já afirmou que não atenderá a reivindicação sobre as contratações terceirizadas. Segundo a PBH, foi apresentada proposta de reajuste geral de 4,11% para todos os servidores efetivos, retroativa a 1º de maio deste ano em reunião com representantes do funcionalismo. “Somado ao reajuste de 2,40% concedido em janeiro de 2026, o índice total chega a 6,61%”. 

Contrapropostas da PBH têm avaliação negativa

Para o Sind-Rede, as contrapropostas da PBH até o momento não resolvem as demandas protocoladas há meses junto à administração municipal. O sindicato argumenta que os 2,4% pagos em janeiro são fruto de uma conquista da greve passada, de 2025, quitados com atraso para cobrir perdas históricas do governo anterior.

Além disso, a categoria aponta outras questões enfrentadas na educação municipal, como a substituição do turno único no modelo integral da Educação Infantil por turno e contraturno. Para o sindicato, a mudança “abrindo caminho para a substituição de professores por monitores, repetindo a lógica que já precariza o Ensino Fundamental”.

Na última semana, após a greve completar um mês, a PBH divulgou uma nota lamentando a manutenção da greve. “Já foram realizadas várias reuniões com a categoria na tentativa de encerrar a paralisação que tantos transtornos causam para pais e alunos”, dizia o comunicado.