Estudos clínicos

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou neste sábado (10), em Belo Horizonte, o início dos testes em humanos da primeira vacina do mundo contra a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax. Desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o imunizante recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para avançar aos estudos clínicos.

O anúncio foi feito durante visita de Padilha ao Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da UFMG, onde são realizadas as pesquisas. A tecnologia é 100% nacional, e o Ministério da Saúde prevê um investimento de R$ 12 milhões para financiar os ensaios clínicos das fases I, II e III.

Durante a visita, o ministro destacou a importância do desenvolvimento da vacina diante das mudanças climáticas e do aumento da temperatura média global, fatores que podem favorecer a expansão da malária para regiões onde a doença não é mais registrada.

“A malária ainda é um problema importante, não só para o Brasil, mas para o mundo como um todo”, afirmou Padilha. Ele também ressaltou a redução no número de mortes pela doença no país.

“Pela primeira vez, a gente tem menos de 50 óbitos no país pela malária. Tivemos uma redução de mais de 60% dos óbitos no povo Yanomami, que concentrava a maior parte da malária em terra indígena no país”, declarou.

Batizado de Vivaxin, o imunizante terá sua segurança avaliada na primeira etapa dos estudos clínicos. A fase I contará com 48 participantes, com idades entre 18 e 59 anos, sem histórico de infecção pelo parasita. Os pesquisadores vão analisar possíveis reações à aplicação e a capacidade de estimular uma resposta imunológica.

O acompanhamento clínico terá duração de 360 dias. Atualmente, as duas vacinas contra a malária recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) são direcionadas ao Plasmodium falciparum, predominante na África. Já o P. vivax é mais comum nas Américas e na Ásia.

Acordo prevê terapia genética contra hemofilia

Durante a agenda em Belo Horizonte, também foi firmado um acordo entre a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), a FarmaVax, unidade de inovação em fármacos e vacinas da UFMG, e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep).

Com investimento de R$ 5 milhões e duração prevista de 12 meses, o projeto prevê o desenvolvimento de terapias genéticas para as hemofilias A e B, utilizando nanopartículas para a entrega do material genético. Do total, R$ 2,6 milhões serão aportados pela Hemobrás, R$ 1,6 milhão pela Embrapii e R$ 694 mil pela UFMG/FarmaVax.

*Estagiária sob supervisão de Gledson Leão