Manifestantes se reuniram na manhã deste domingo (22/3) em frente à Prefeitura de Belo Horizonte para cobrar o cumprimento da lei que proíbe a circulação de carroças na capital. A norma entrou em vigor no dia 22 de janeiro deste ano, mas, segundo protetores dos animais, ainda não está sendo aplicada na prática.
Em janeiro, a Justiça suspendeu a aplicação de multas aos carroceiros flagrados exercendo a atividade. Apesar disso, ativistas argumentam que a decisão não impede a implementação da lei e criticam a postura da administração municipal.
“O que parece é que a Prefeitura está utilizando a decisão judicial como justificativa para não cumprir a legislação. Mesmo sem a aplicação de multa, é possível realizar o recolhimento das carroças com base no Código de Trânsito Brasileiro, garantindo a proteção dos animais e da população”, afirmou Daniela Souza, ativista da causa animal.
Durante a manifestação, os participantes carregaram faixas e cruzes com fotos de animais que morreram durante o trabalho de tração, além de entoarem palavras de ordem em defesa dos equídeos e pelo cumprimento da lei. Pessoas que passavam pela Feira Hippie também acompanharam o ato, e algumas chegaram a aplaudir os manifestantes.
“Concordo totalmente com essa manifestação. Achei que essa situação de maus-tratos já havia acabado, mas, pelo visto, é mais uma lei que não sai do papel”, disse a aposentada Dalva Silva.
Segundo os organizadores, novas mobilizações devem ocorrer até que a legislação seja integralmente cumprida. “A sociedade civil se mobilizou muito para a aprovação da lei e não iremos parar até que o último cavalo esteja livre da exploração das carroças”, afirmou Caio Barros, do movimento BH Sem Tração Animal.
Em nota, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente esclareceu que a substituição da tração animal por alternativas motorizadas é uma política pública do município. "Foi publicado o decreto municipal 19.487/2026, que estabelece diretrizes e institui benefícios para esta transição, com o objetivo de assegurar a manutenção da renda dos trabalhadores envolvidos e o bem-estar animal", informou.
Segundo a PBH, atualmente, a operacionalização desses benefícios está em fase de ajustes. Tão logo concluídas essas etapas, os carroceiros devidamente cadastrados no programa serão contemplados com as medidas previstas, conforme os critérios estabelecidos na regulamentação vigente.
"A circulação de veículos de tração animal está proibida por lei, no entanto, decisão judicial suspendeu a aplicação da legislação. A Prefeitura já recorreu e aguarda a decisão", explicou.
O município afirma ainda que tem promovido ações de fiscalização com caráter orientativo sobre o processo de transição em blitze educativas, reforçando a importância do bem-estar dos equídeos, do cumprimento das regras de circulação e do manejo adequado de resíduos.







