A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros ameaça empregos, contratos e investimentos da indústria mineira. Os segmentos calçadista e de máquinas elétricas estão entre os mais afetados, enquanto a indústria têxtil prevê menor efeito direto, mas destaca perdas no cenário nacional. É o que alerta novo comunicado divulgado nesta sexta-feira (17) pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). A cobrança, anunciada pelo governo norte-americano na quarta (15), entra em vigor no dia 22.

A medida amplia os custos de acesso ao mercado dos Estados Unidos e reduz a competitividade dos produtos brasileiros. Entre os itens alcançados estão calçados, máquinas elétricas e agrícolas, vestuário, equipamentos ligados à mineração, papel, aço, etanol, açúcar orgânico, ferramentas de jardinagem, produtos agrícolas e manufaturados em geral.

Ferro-gusa, café e carne, que haviam gerado apreensão após a divulgação de um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, ficaram fora da lista de produtos submetidos à tarifa adicional.

Risco para empregos em Nova Serrana
Um dos principais impactos em Minas deve ocorrer em Nova Serrana, no Centro-Oeste, reconhecida como um dos maiores polos calçadistas do país. Algumas fábricas locais destinam até  80% das vendas ao mercado norte-americano.

Segundo o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Rodrigo Martins, a cobrança pode comprometer a continuidade de empresas e reduzir a produção.

Segundo a Fiemg, o setor já enfrenta retração do varejo, endividamento das famílias, perda do poder de compra e aumento dos custos trabalhistas e operacionais. Para os representantes das empresas, a nova tarifa acrescenta pressão a esse cenário.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde as exportações de calçados para os Estados Unidos têm menor peso, a preocupação é com o aumento da concorrência interna. Produtos que deixarem de ser vendidos ao mercado norte-americano poderão ser redirecionados ao Brasil, ampliando a oferta e pressionando preços e margens das empresas mineiras.

Setor de máquinas elétricas teme perda de contratos
A indústria mineira de máquinas elétricas também teme prejuízos, especialmente entre os fabricantes de transformadores e reguladores de tensão. Os equipamentos são utilizados na expansão de parques energéticos e na infraestrutura necessária para data centers, Inteligência Artificial e serviços digitais.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado de Minas Gerais (Sinaees-MG), Tasso Galhano, o maior impacto deve atingir novos contratos e projetos de expansão. “A tarifa tira a competitividade do produto brasileiro, coloca em xeque grandes investimentos feitos na indústria mineira e traz insegurança para o comprador norte-americano”, afirmou.

Segundo a Fiemg, as empresas possuem pedidos programados até 2030, o que reduz os efeitos financeiros imediatos. A preocupação, entretanto, recai sobre negócios futuros e sobre a possibilidade de unidades produtivas serem transferidas para outros países.

Efeito menor no setor têxtil mineiro
Na indústria têxtil de Minas, a baixa participação das empresas nas exportações para os Estados Unidos deve limitar os efeitos diretos. No cenário nacional, porém, a estimativa apresentada pelo setor é de perda de 5 mil a 6 mil empregos, além de quebra de contratos e redução da produção, principalmente em São Paulo e Santa Catarina.

Moda praia, vestidos e saias estão entre os produtos mais dependentes do mercado norte-americano. Representantes das indústrias defendem a retomada das negociações entre os governos brasileiro e dos Estados Unidos para tentar reduzir a cobrança e preservar a competitividade dos produtos nacionais.