VOLTA DOS HERÓIS

A equipe de 31 bombeiros mineiros que atuou na missão humanitária pelo terremoto que devastou a Venezuela aterrissou em Belo Horizonte no fim da manhã deste sábado (11/7) depois de 14 dias de missão e 23 pessoas salvas dos escombros.

Os militares participaram de buscas a soterrados em Caraballeda, no estado de La Guaira, região severamente atingida por dois terremotos ocorridos em 24 de junho.

O desastre causou cerca de 3,8 mil mortes (mas o governo venezuelano estima ser possível que esse número ultrapasse 4 mil) e deixou um rastro de destruição urbana, exigindo a intervenção de forças especializadas brasileiras em um cenário de escombros e alto risco estrutural.

A mobilização para o retorno começou na noite de quinta-feira, 9 de julho, após as autoridades de resgate constatarem que a probabilidade de encontrar novos sobreviventes sob as ruínas tornou-se mínima.

Ao todo, a força-tarefa brasileira foi composta por 71 profissionais, integrando efetivos de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, que atuaram em conjunto para localizar vítimas e oferecer assistência imediata à população afetada pelo evento sísmico.

Durante as duas semanas de operação em Caraballeda, os socorristas realizaram um trabalho minucioso de varredura. Foram empregados equipamentos de alta tecnologia, como detectores de vida e aparelhos sísmicos, capazes de realizar escaneamentos precisos do terreno.

A estratégia de busca contou ainda com o apoio essencial dos cães farejadores Logan e Áquila, que desempenharam papel determinante na identificação tanto de sobreviventes quanto de mortos em áreas de difícil acesso.

O empenho dos profissionais resultou na retirada de 23 pessoas dos escombros. A complexidade do trabalho exigiu preparo técnico e psicológico constante diante do cenário de devastação e do elevado estresse operacional.

“As chances de encontrar novos sobreviventes reduziu drasticamente”, informou o CBMMG, justificando o encerramento das atividades de busca e o início do processo de desmobilização e retorno ao território nacional.

Qual o procedimento após a aterrissagem?

Ao chegarem a Minas Gerais, os militares são submetidos a uma rigorosa inspeção médica na Seção de Assistência à Saúde (SAS), localizada na Academia de Bombeiros Militar.

O protocolo, que faz parte do planejamento de saúde ocupacional da corporação, inclui um checklist clínico para verificar possíveis contaminações ou infecções adquiridas durante a missão, além do encaminhamento imediato para exames laboratoriais detalhados.

Além do monitoramento físico, o acompanhamento psicológico é um pilar central desta etapa de retorno.

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O objetivo é oferecer suporte especializado para lidar com o impacto emocional resultante da exposição a cenários de grande escala de perdas humanas.

Este acompanhamento visa assegurar uma reintegração segura dos bombeiros às suas atividades cotidianas e ao convívio com seus familiares, garantindo que nenhum integrante da tropa permaneça sem a devida assistência.

Ações no desastre natural

Atuação integrada: o trabalho conjunto entre estados e países otimiza recursos humanos e técnicos

Tecnologia de ponta: o uso de detectores de vida e geofones permite identificar sinais vitais sob escombros

Binômios de busca: o emprego de cães farejadores é fundamental para localizar vítimas em áreas de difícil acesso

Saúde ocupacional: o monitoramento médico e psicológico pós-missão garante a preservação da saúde dos socorristas

Gestão de riscos: o reconhecimento prévio das áreas de risco é vital para a segurança da própria equipe de resgate

Etapas da missão de resgate

Mobilização: ativação de forças-tarefa especializadas logo após o evento sísmico

Varredura inicial: reconhecimento da área de desastre e estabelecimento de setores de busca

Operações táticas: execução de busca ativa com uso de tecnologia, cães e salvamento técnico

Desmobilização: interrupção das buscas ao atingir a probabilidade mínima de encontrar sobreviventes

Retorno e acompanhamento: regresso ao local de origem seguido de inspeção sanitária e suporte emocional.