RUMO A CANONIZAÇÃO

A Arquidiocese de Montes Claros (Norte de Minas) instaurou neste domingo (5/7) o processo diocesano para a beatificação da Madre Maria Angélica da Eucaristia, reconhecida como Serva de Deus. A abertura oficial do processo foi marcada por uma missa na Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida, comandada pelo arcebispo, dom José Carlos de Souza Campos. Com o início do procedimento, agora são 13 mineiros candidatos à santificação. O estado tem quatro beatos, etapa anterior à canonização.

Madre Angélica da Eucaristia nasceu em Grão Mogol, no Norte de Minas, em 23 dezembro de 1931, com o nome de batismo de Sophia Maria Esteves de Mello. Ela morreu em 2 de junho de 2018, aos 86 anos, vítima de um acidente automobilístico, quando deslocava-se para uma atividade de evangelização.

Ela ingressou na vida religiosa no Carmelo Nossa Senhora Aparecida, em Belo Horizonte, no dia 12 de dezembro de 1950. A candidata à beata foi fundadora do Convento do Carmelo Mãe da Igreja e Paulo VI (Convento das Carmelitas), de Montes Claros, em 1977. Também fundou um convento das carmelitas em Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, em 2000.

A abertura do processo de beatificação , o chamado “nihil obstat”, foi autorizada pela Santa Fé e oficializada pelo Papa Leão XIV em 19 de março passado, considerando que Madre Angélica “destacou-se ao longo de sua vida como uma mulher de profunda fé, amor incondicional à Igreja, dedicação absoluta à vida religiosa e amor ao próximo”,

A missa realizada na Catedral Metropolitana, na manhã deste domingo (5/7), foi acompanhada por padres, centenas de fieis e pelas monjas, que vivem na clausura no Convento das Carmelitas na cidade. Durante a celebração, o frei Patrício Sciadini, que conviveu com Madre Angélica por mais de 15 anos, falou sobre as virtudes da candidata à beatificação. “A madre Angélica nos ensinou a vencer as barreiras do egoísmo”, disse Sciadini, que, atualmente, mora no Egito.

Ao final da missa, foi instaurado o “Tribunal para a Causa do Processo de Beatificação’, responsável por conduzir os procedimentos, seguindo as regras do direito canônico. Os integrantes do tribunal assinaram um termo, oficializando o compromisso de obediência ao sigilo das informações levantadas durante o processo.

O arcebispo metropolitano dom José Carlos Souza Campos explicou que o tribunal eclesiástico instalado terá como missão conduzir o “inquérito sobre a vida, a história e a fama de santidade de Mara Angélica.

“A tarefa do Tribunal é exatamente recolher depoimentos e testemunhos, de modo que isso seja estudado com profundidade, até que no momento futuro, de fato, se perceba que nesta vida, nesta história, Deus agiu com poder e fez com que esse membro da Igreja, Madre Angélica, de fato, tenha feito, como acreditamos, um caminho de santidade, de comunhão com Ele”, descreveu o arcebispo. “O Tribunal é para isso: para construirmos com seriedade, com verdade essa história, para perceber nela a ação de Deus que fez com que essa mulher se tornasse santa!”, completou.

Segundo o arcebispo, a partir de agora, o tribunal vai ouvir as pessoas que conheceram e conviveram com a religiosa. “Será verificado se as pessoas têm alguma coisa dela, uma carta, um escrito, um texto, se elas têm, de fato elementos para apresentar que nos ajudem a dizer que esta mulher é santa porque viveu isto, porque fez isto, porque escreveu isto, porque viveu profundamente em comunhão com Deus”.

Dom José Carlos explicou ainda que o tribunal instalado não tem prazo estabelecido para concluir o inquérito. Pelas normas católicas, depois da beatificação, será iniciado uma outra etapa, de santificação, o que envolve testemunho e comprovação de milagres. A canonização pode demorar décadas, sem prazos definidos.

Conheça os processos em andamento de religiosos e leigos 

Padre Libério

Em 14 de 2025, padre Libério Rodrigues Moreira (1884-1980) foi reconhecido, pelo Vaticano, como Venerável. Natural de Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ele tem uma legião de devotos na Região Centro-Oeste de Minas. Morreu em Divinópolis e se encontra sepultado em Leandro Ferreira. Legiões de peregrinos visitam o túmulo dele em busca de graças por sua intercessão.

Nossa Mãe

Madre Tereza Margarida do Coração de Maria, batizada como Maria Luiza, natural de Borda da Mata, no Sul de Minas. Em Três Pontas, fundou o Carmelo São José, onde viveu enclausurada de 1962 a 2005 até a sua morte. 

Irmã Benigna

A Serva de Deus Benigna Victima de Jesus, a irmã Benigna, nasceu em 16 de agosto de 1907, em Diamantina. Tornou-se religiosa da Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade, aos 28 anos. Morreu em 16 de outubro de 1981.

Monsenhor Alderigi

Alderigi Maria Torriani nasceu em Jacutinga, no Sul de Minas. Morou na Itália durante a infância. Como padre assumiu a Paróquia de Santa Rita de Caldas, também no Sul do estado. O processo de beatificação começou em fevereiro de 2001.

Madre Maria Imaculada, a “Mãezinha”

Maria Giselda Vilela, Mãezinha, nasceu em Maria da Fé, no Sul de Minas. Aos 13 anos teve um tumor na virilha. Morreu em janeiro de 1988, depois de seguir na vida cristã. O processo de beatificação começou em 2006.

Dom Viçoso

O servo de Deus Antônio Ferreira Viçoso (1787-1875) ingressou no noviciado da Congregação da Missão, em Lisboa, em 25 de julho de 1811, sendo ordenado padre lazarista em 7 de março de 1818. Veio de Portugal para fundar missões na então província de Mato Grosso e acabou por tornando-se diretor do Colégio do Caraça, em Minas.

Dom Luciano Mendes de Almeida

A abertura do processo de beatificação de dom Luciano Mendes de Almeida, nascido no Rio de Janeiro e arcebispo de Mariana por 18 anos, foi anunciado em agosto de 2011. Ele morreu em 27 de agosto de 2006. 

Monsenhor Horta
Monsenhor José Silvério Horta nasceu em Mariana em 20 de junho de 1859 e morreu em 30 de março de 1933. Servo de Deus, seu processo se encontra na fase diocesana de estudos há seis anos.

Padre Júlio Maria de Lombaerde

Em janeiro de 2014, o Vaticano autorizou a abertura do processo de beatificação do religioso belga que viveu 16 anos em Minas e que tem o título de Servo de Deus. Ele dedicou parte da vida à criação de escolas, hospitais, asilos e congregações. Entre 1928 e 1944, morou em Manhumirim, na Zona de Mata.

Floripes Dornelas de Jesus (Lola)

Leiga, nascida em 1913, em Mercês, na Zona da Mata, morreu em 9 de abril de 1999. O processo de virtude foi aberto em 2004.

Monsenhor Domingos Evangelista Pinheiro

Natural de Caeté, na Região Metropolitana de BH, monsenhor Domingos Evangelista Pinheiro (1843-1924) passou a vida servindo a Deus e ajudando as pessoas. De acordo com a Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade, por ele fundada, “sua existência foi admirável e sua pureza de costumes, os benefícios de suas obras apostólicas e a confiança na providência Divina diante dos sofrimentos, características predominantes”.

Cônego Lafayete

Lafayette da Costa Coelho (1886-1961), o Cônego Lafayete, chamado de “santo cônego”, nasceu no Serro, no Vale do Jequitinhonha, em 10 de novembro de 1886. Estudou no Seminário de Diamantina, na mesma região, iniciando a vida sacerdotal. Conforme pesquisas, o ministério sacerdotal do cônego foi fortemente voltado para a evangelização.

Madre Angélica da Eucaristia - Nascida como Sophia Maria Esteves de Mello, em 23 de dezembro de 1931, na cidade de Grão Mogol, Norte de Minas, destacou-se ao longo de sua vida como uma mulher de profunda fé, amor incondicional à Igreja, dedicação absoluta à vida religiosa e amor ao próximo. Em 1977, fundou o Convento Carmelo Maria Mãe da Igreja e Papa Paulo VI, em Montes Claros. No ano 2000, criou o Convento Carmelo de Coronel Fabriciano, no Vale do Aço. Morreu, aos 86 anos, de acidente de carro, na zona rural de Montes Claros, durante trabalho de evangelização.

Minas já tem quatro beatos – etapa anterior à canonização, que significa se tornar santo da Igreja Católica. São eles mártir Isabel Cristina, o holandês beato Padre Eustáquio, atuante durante muitos anos em Minas e sepultado em Belo Horizonte, o beato Padre Victor, que atrai peregrinos a Três Pontas, no Sul do estado, e a beata Nhá Chica, alvo de romarias em Baependi, na mesma região.