COPA DO MUNDO

Dallas – Uma atuação de manual com direito a “olé” na reta final. A Espanha sabia que era necessário controlar a França para avançar à final da Copa do Mundo de 2026. E foi além na tarde desta terça-feira (14/7). O time de Luis de la Fuente envolveu os responsáveis pelo “melhor futebol” do Mundial até a fase anterior, venceu o jogo válido pela semifinal com autoridade e comemorou a vaga na decisão com o triunfo por 2 a 0 no AT&T Stadium, em Arlington, no Texas.

O placar foi construído com os gols de Mikel Oyarzabal, de pênalti, ainda no primeiro tempo, e Pedro Porro, já na etapa final, em grande jogada. No entanto, o grande destaque do desempenho exemplar da Espanha foi, mais uma vez, o jogo coletivo. Uma defesa intransponível, um ataque efetivo e um meio-campo que impressiona.

Contra uma equipe em grande forma como a Seleção Francesa, a Espanha não deu brechas. A Fúria não se colocou em riscos em nenhum momento e viu o rival em apuros. Durante o segundo tempo, principalmente após os gols de Pedro Porro e Lamine Yamal – que foi anulado por impedimento -, foi possível ver uma França inédita nessa Copa do Mundo: assustada, nervosa e com uma coleção de erros.

E as falhas da equipe que foi finalista das Copas do Mundo de 2018 e 2022 influenciaram diretamente os gols. Em meio ao controle espanhol, Lucas Digne vacilou e cometeu pênalti no primeiro gol. Na segunda bola na rede, o lateral “cochilou” junto de Lacroix, e a Espanha aproveitou para dar sequência ao sonho do bicampeonato.

O curioso é que, enquanto a França esteve nas últimas duas decisões, a única vez em que a Fúria havia chegado a final tinha sido em 2010, quando bateu a Holanda por 1 a 0 na prorrogação e levantou a taça pela primeira vez.

Próximos jogos de França e Espanha

Com um dia a mais de descanso, a equipe espanhola se preparará no restante desta semana para a final, a qual ocorrerá no domingo (19/7), às 16h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. O adversário será Argentina ou Inglaterra, que decidem a outra semifinal na quarta-feira (15/7), às 16h (de Brasília), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta.

Já a França entrará em campo um dia antes, sábado (18/7), às 18h (de Brasília), em Miami, diante do perdedor na disputa do terceiro lugar. Essa queda da favorita na semifinal se dá pelo bom desempenho dos espanhóis, claro, mas também por um jogo ruim dos protagonistas. Pela primeira vez na carreira, Kylian Mbappé ficou fora de uma Copa. Enquanto isso, Lamine Yamal estará no grande palco.

Como foi o jogo entre França e Espanha?

Vantagem espanhola criada sem correr riscos

A semifinal da Copa do Mundo começou tensa – como sempre é esperado. Os dois times trocaram muitos passes na intermediária, a França fez duas faltas fortes – com Rabiot e Olise -, e a Espanha, mesmo com mais posse, pouco atacou nos minutos iniciais. A primeira trama que animou o estádio em Dallas foi aos 15, quando, após a equipe francesa roubar a bola, Dembélé deu lindo passe para conectar contra-ataque com Mbappé, que até tentou ganhar da defesa, mas foi travado e perdeu a chance.

Só que tudo mudou no minuto 19. Em cruzamento sem grandes pretensões de Cucurrella, Lucas Digne tentou um cabeceio e falhou. Na sequência, ainda de “cabeça baixa”, pensou em afastar o perigo da área, mas lá estava Lamine Yamal. O jovem de 19 anos havia controlado a bola e levou um chute do lateral da França. Sem hesitar, o árbitro Ivan Barton assinalou pênalti, que foi muito bem cobrado por Mikel Oyarzabal. Maignan até pulou para o lado esquerdo corretamente, porém não evitou o quinto gol do espanhol na Copa do Mundo: 1 a 0.

Logo após uma falha no lado esquerdo da defesa, a França teve um novo problema no setor, desta vez físico: Saliba teve que ser substituído devido a dores e deu lugar a Lacroix. Só que a substituição e nem o gol aparentavam esquentar o jogo, que até teve finalizações de Barcola e Pedro Porro sem direção. Os gritos de “quase” do público só voltaram a ecoar aos 37, quando Lamine Yamal fez grande tabela com Dani Olmo, tocou para Fabián Ruíz, e o meia até tentou, mas foi bloqueado pela defesa rival.

Amarrado na boa marcação espanhola, assim como todo o time francês, Kylian Mbappé só voltou a aparecer com mais perigo – e em posição legal – no minuto 41, quando recebeu passe e tentou ganhar na velocidade. A questão é que Unai Simón antecipou corretamente e afastou a bola. Em resumo, foi um primeiro tempo em que a Espanha conseguiu marcar e criar bem, merecendo a vantagem criada sem correr riscos.

Mais domínio em uma atuação impressionante

Com a necessidade de entrar definitivamente no confronto, a França voltou do intervalo com Koné na vaga de Rabiot e mexeu novamente logo no início, para a entrada do ovacionado Doué no lugar de Barcola. No entanto, nada mudou. O domínio espanhol continuou, e o prêmio foi concedido rapidamente.

No minuto 11, Pedro Porro recebeu na direita, tabelou com Dani Olmo e aproveitou que a defesa da França vacilou mais uma vez pelo lado esquerdo. O lateral-direito do Tottenham invadiu a área com liberdade e bateu na saída de Maignan para ampliar a vantagem: 2 a 0. A grande atuação espanhola até resultou em um terceiro gol, três minutos depois, mas Lamine Yamal recebeu a bola em impedimento antes de finalizar com precisão e teve o gol anulado.

Depois disso, Kylian Mbappé tentou chamar o protagonismo. O artilheiro da França finalizou duas vezes com perigo nos minutos 18 e 21, mas Unai Simón e Cucurella, respectivamente, impediram que a bola fosse ao gol. Já a Espanha seguia controlando. Com mudanças, o time levou perigo aos 32, com Ferran Torres de cabeça.

No minuto 35, a França teve a melhor chance da partida, já que Mbappé foi lançado, dividiu com o goleiro Unai Simón, e a bola ficou com Désiré Doué. A questão é que o atacante do PSG hesitou, demorou a chutar e ainda bateu mal, acertando o arqueiro espanhol, que já estava dentro da área. O artilheiro francês apareceu aos 43 em uma cobrança de falta, mas nem sequer acertou o alvo. Definitivamente, era um dia espanhol. E a vaga foi garantida com muito êxito.

França 0 x 2 Espanha

França: Maignan; Koundé, Upamecano, Saliba (Lacroix 29 do 1º) e Digne (Theo Hernandez 27 do 2º); Tchouaméni, Rabiot (Koné, intervalo) e Olise (Cherki 27 do 2º); Dembélé, Mbappé e Barcola (Doué 11 do 2º)
Técnico: Didier Deschamps

Espanha: Unai Simón; Pedro Porro ( Llorente 38 do 2º), Cubarsí, Laporte e Cucurella; Rodri, Fabián Ruiz (Pedri 32 do 2º) e Dani Olmo (Merino 32 do 2º); Yamal, Oyarzabal (Ferran Torres 29 do 2º) e Baena (Nico Williams 38 do 2º)
Técnico: Luis de la Fuente

Semifinais da Copa do Mundo de 2026
Estádio: de Dallas
Gols: Oyarzabal 22 do 1º; Pedro Porro 12 do 2º
Árbitro: Ivan Barton (SAL)
Assistentes: David Moran (SAL) e Antonio Pupiro (HON)
VAR: Tomasz Kwiatkowski (POL)
Cartão amarelo: Rabiot, Cucurella, Mbappé
Publico: 70.176 pessoas