A cada capítulo, o roteiro da Argentina nesta Copa do Mundo reserva emoções mais intensas. À flor da pele desde o início do mata-mata, a atual campeã parecia querer recusar grandes sensações neste sábado (11/7), no Arrowhead, em Kansas City. Abriu o placar, “cozinhou” o jogo… Mas há coisas das quais não se pode escapar. Mais uma vez, com drama, ganhou e se classificou: 3 a 1 na prorrogação, após empate por 1 a 1 nos 90 minutos, e classificação garantida para as semifinais. O sonho do tetra segue vivo. E passa por uma velha conhecida: a Inglaterra será a próxima rival.

Logo aos dez minutos do primeiro tempo, Alexis Mac Allister abriu o placar. Os suíços buscaram a igualdade na etapa final, com Dan Ndoye, mas tiveram Breel Embolo expulso logo depois, por conta de uma simulação, por intermédio do VAR. A tensão só se aliviou no segundo tempo da prorrogação, com Julián Álvarez – num gol antológico – e Lautaro Martínez. Festa dos argentinos, que lotaram mais uma vez o estádio nos Estados Unidos.

França x Espanha – terça-feira (14/7), às 16h (de Brasília), no AT&T Stadium, em Dallas (Estados Unidos);
Inglaterra x Argentina – quarta-feira (15/7), às 16h (de Brasília), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta (Estados Unidos).

O jogo
 
A Argentina abriu o placar logo aos dez minutos do primeiro tempo. Após cobrança de escanteio do atacante Lionel Messi, o meio-campista Alexis Mac Allister cabeceou e encobriu o goleiro Gregor Kobel: 1 a 0. O gol mudou totalmente o que teoricamente seria a dinâmica natural do jogo.

Em vantagem, os argentinos recusaram a emoção. Afinal, estavam calejados. Os confrontos cheios de tensão e reviravoltas contra Cabo Verde e Egito nos mata-matas anteriores fizeram a atual campeã do mundo ficar por um fio. Desta vez, a ideia claramente era outra: tentar evitar qualquer tipo de risco.

Assim, mesmo com uma clara vantagem técnica, a Argentina decidiu “cozinhar” o jogo e muitas vezes deu a bola para a Suíça. O problema é que os suíços pareciam não saber o que fazer com ela: finalizaram apenas três vezes no primeiro tempo, só uma em direção ao gol, para uma defesa tranquila do goleiro Dibu Martínez.

A verdade é que o primeiro tempo foi lento, faltoso e com pouca emoção – graças à Argentina versão Copa Libertadores.

Segundo tempo
O segundo tempo voltou sem mudanças nos times e nem na dinâmica da partida. Vez ou outra, a Suíça parecia que poderia levar perigo, mas não conseguia concluir – seja por boas intervenções dos zagueiros Cuti Romero e Lisandro Martínez, seja por erros em tomadas de decisão.

Mas, de tanto rondar a área, os suíços começaram a levar perigo. A primeira grande intervenção de Dibu Martínez foi só aos 19, quando saltou para espalmar um cabeceio. No minuto seguinte, foi no chão e defendeu um chute de fora da área. Logo depois, aos 22, Ndoye tabelou pela esquerda e bateu na saída do goleiro para empatar o jogo.

A festa suíça, porém, durou pouco. Aos 24, o árbitro português João Pinheiro assinalou falta de Leandro Paredes em Embolo e apresentou o amarelo ao argentino. Contudo, o VAR percebeu um “erro de identidade”, interveio e percebeu que o suíço havia simulado a infração. Com isso, foi ele quem recebeu a advertência. Como já tinha levado cartão no final do primeiro tempo, foi expulso e deixou o campo chorando, muito abalado com a situação.

Daí para frente, o ambiente do estádio aumentou a favor da Argentina, e a Suíça recuou. A Alviceleste tentou pressionar e desperdiçou chances, inclusive uma evidente com Messi e outra com Mac Allister. O time que havia tentado recusar a emoção desde o primeiro tempo se viu perseguida por ela. Prorrogação.

Prorrogação
Após a expulsão, o técnico Lionel Scaloni tentou de tudo e fez várias alterações. Entraram nomes como Nico González, Lautaro Martínez e Thiago Almada. Apagado, Messi saiu do centro e tentou buscar o jogo mais recuado e, por vezes, aberto pela direita – a exemplo do que havia feito diante do Egito. Mas os suíços resistiam bravamente e levaram o empate ao intervalo da prorrogação.

No segundo tempo, Scaloni arriscou mais uma vez e colocou outro centroavante: Flaco López assumiu a vaga do volante Leandro Paredes. E foi dele a jogada que resultou em um gol antológico para definir o classificado. Aos sete minutos, o palmeirense construiu pela esquerda e tocou para Julián Álvarez fazer o mais difícil. O atacante do Atlético de Madrid cortou para dentro e colocou no ângulo esquerdo de Kobel, que pouco podia fazer. Nos instantes finais, Lautaro Martínez ainda aproveitou contra-ataque para marcar o terceiro e garantir a Argentina na semi.

ARGENTINA 3 X 1 SUÍÇA
Argentina
Emiliano Martínez; Nahuel Molina (Gonzalo Montiel, aos 40′ do 2ºT), Cristian Romero (Nicolás Otamendi, no intervalo da prorrogação), Lisandro Martínez e Nicolás Tagliafico (Nico González, aos 33′ do 2ºT); Leandro Paredes (Flaco López, aos 5′ do 2ºTP), Rodrigo De Paul (Lautaro Martínez, aos 40′ do 2ºT), Enzo Fernández (Thiago Almada, no intervalo para a prorrogação) e Alexis Mac Allister; Lionel Messi e Julián Álvarez. Técnico: Lionel Scaloni.

Suíça
Gregor Kobel; Denis Zakaria (Ardon Jashari, aos 6′ do 1ºTP), Nico Elvedi, Manuel Akanji e Ricardo Rodríguez (Eray Cömert, aos 50′ do 2ºT); Remo Freuler, Granit Xhaka, Djibril Sow (Silvan Widmer, aos 41′ do 2ºT), Fabian Rieder (Miro Muheim, aos 41′ do 2ºT) e Dan Ndoye (Zeki Amdouni, aos 41′ do 2ºT); Breel Embolo. Técnico: Murat Yakın.

Motivo: quartas de final da Copa do Mundo;
Data e horário: sábado, 11 de julho de 2026, às 22h (de Brasília, às 20h locais);
Local: Arrowhead Stadium, em Kansas City, nos Estados Unidos;
Gols: Alexis Mac Allister, aos 10′ do 1ºT, Julián Álvarez, aos 7′, e Lautaro Martínez, aos 16′ do 2ºTP (Argentina); Dan Ndoye, aos 22′ do 2ºT (Suíça);
Cartões amarelos: Thiago Almada, aos 7′ do 1ºTP, Lautaro Martínez, aos 8′ do 1ºTP, e Flaco López, aos 9′ do 2ºTP (Argentina); Breel Embolo, aos 44′ do 1ºT, e aos 27′ do 2ºT (Suíça);
Cartão vermelho: Breel Embolo, aos 27′ do 2ºT (Suíça)
Público: 69.045 torcedores;
Árbitro: João Pinheiro (Portugal);
Assistentes: Bruno Jesus (Portugal) e Luciano Maia (Portugal);
Quarto árbitro: Drew Fischer (Canadá).