por Convidado - * Sérgio Marchetti

Dia desses assisti a um filme de faroeste. Na verdade, é uma série em sua quarta temporada. Mesmo sendo o western um gênero originário e ambientado no Velho Oeste dos Estados Unidos, o fato do cenário ser em outro país não diminuiu a expectativa de que houvesse mais criatividade. Confesso que a trama não me agradou. Esses tipos de filmes, em expressiva maioria, começam com algum bandido poderoso que mata quem discorda dele, rouba bastante e, com o fruto da desonestidade, se estabelece no poder. Dessa forma domina a cidade, comete injustiças e crimes. Mas, ao final, recebe a merecida e esperada punição.

Nesta película a que me refiro, como nos demais da categoria, a exploração do ouro e de outras riquezas naturais era uma atividade praticada por aventureiros que, vez por outra, conseguiam enriquecer. Os conchavos com os chefes de garimpo e percentual sobre o tráfico eram alguns dos crimes presentes na trama. O cenário era o mesmo de outras produções do gênero, assim como em The Harder They Fall (2021) / Vingança & Castigo, no qual um bandido poderoso é libertado da prisão, reconstrói sua quadrilha, compra terras, muito gado, se elege prefeito, e, por assim dizer, tem o banco e a cidade nas mãos. Nomeia políticos, o delegado e o xerife.

Compra o jornal local, o juiz e até o padre. Todos só agiam em consonância com sua vontade e ordens. E, assim como nas fitas do lendário Wyatt Earp, o uso de armas, pelos cidadãos, fora proibido. Somente o pessoal dele podia usar. E quem não obedecesse seria preso.

Como podem constatar, caros leitores, nada de novo. Nem me recordo exatamente do título da série. Em minha cabeça misturam nomes como: “A saga do maior ladrão do oeste”, “Eu sou a lei e a ordem”, “O retorno do malfeitor”, ou algo parecido.

No enredo, a exemplo de outros filmes da categoria, o juiz tinha superpoderes: prendia, julgava e condenava de acordo com sua vontade, independentemente das leis. Ele era a lei daquele povoado. A determinação da sentença, via de regra, cumpria uma parcialidade mais transparente do que uma vitrine de shopping e, assim, punia apenas aqueles que não aceitavam sua tirania. Os julgamentos eram realizados pela própria choldra. As sentenças puniam inocentes com total rigor e inocentavam bandidos, tudo, com indescritível cinismo de afirmar que, sendo os paladinos da justiça e guardiões imparciais da verdade, cumpriam a lei e defendiam a equidade de direitos.

A gazeta local, a serviço do poder, noticiava somente o que lhes era conveniente ou manipulavam a notícia. Nas páginas do jornaleco, o prefeito, em sua infinita bondade, dava “vales-compras” para ajudar às famílias que estavam com dificuldades.

Em filme de “mocinhos e bandidos”, não poderia deixar de existir um banco (para ser assaltado), o saloon, as prostitutas, os jogos e cantoras, muito bem pagas pelo clã, puxando o Cancan.

Mas, como toda tirania, ao contrário do que pregavam, a criminalidade crescia, as diligências eram assaltadas frequentemente e os impostos aumentavam continuamente.

Entretanto, o mundo estava tranquilo e em plena normalidade. “Nada de novo no Front” (“All Quiet on the Western Front”).

Para minha surpresa, contra todas as evidências, a série foi defendida pela crítica e parte do público está torcendo pela quinta temporada.

Gosto estranho!!!


Sérgio Marchetti

* Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br