A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB lançou na Quarta-feira de Cinzas, 18/02, a Campanha da Fraternidade de 2026 com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós”. A Campanha quer iluminar, à luz do Evangelho, a realidade de milhões de brasileiros que ainda não têm acesso a uma casa adequada. A escolha do tema acolhe sugestão da Pastoral da Moradia e Favelas e reforça o compromisso histórico da Igreja Católica com a defesa dos direitos sociais e da justiça.
A Igreja chama a atenção para a importância de moradia digna e compatível com as necessidades humanas num momento em que o déficit habitacional brasileiro é de 6,2 milhões de unidades e aproximadamente 400 mil pessoas estão literalmente morando nas ruas, tecnicamente sendo denominadas como pessoas em situação de rua.
Vale lembrar também a importância do planejamento e gestão estratégica dos municípios com o respectivo Plano Diretor, inclusive para evitar construções nas encostas e nas beiradas de rios. Que haja pouca distância entre a intenção e os gestos!
A moradia deve ter uma prioridade permanente no plano estratégico da União, Estados e Municípios, principalmente diante da enorme concentração de renda no Brasil. O foco em quem ganha até cinco salários mínimos mensais é fundamental para quem quer resolver esse problema que persiste há décadas.
Outro aspecto importante a ser lembrado é a falta que um efetivo planejamento estratégico faz para os 5.570 municípios brasileiros com os seus diferentes tamanhos e populações ocupando áreas urbanas e rurais. Quantos desses municípios possuem realmente um plano diretor dinâmico para nortear de maneira integrada os rumos que os espaços urbanos e rurais devem tomar?
Ainda agora estamos diante da tragédia com as fortes e intensas chuvas ocorridas na desmatada Zona da Mata em Minas Gerais, nos municípios de Juiz de Fora Ubá e Matias Barbosa. Inúmeros mortos, desabrigados e desalojados diante de tanta água e deslizamentos de terra num estado que não tem previsão orçamentária suficiente para a mitigação e empreendimentos para a prevenção de danos decorrentes de enchentes e alagamentos. O município de Juiz de Fora, por exemplo, possui 20% de sua população morando em áreas de risco. Acredito que eles estão lá por necessidade, não por boniteza.
E como fica a gestão pública enquanto o tempo passa e os problemas crônicos se repetem? O que e como fazer para que a União, estados e municípios se preparem e se adaptem para sobreviver diante dos eventos climáticos extremos advindos do aquecimento global que estufa a terra? Chuvas intensas e rápidas, ventos fortíssimos que chegam rapidamente a 100 km por hora, enchentes, alagamentos, deslizamentos de terras é o que temos para o momento real na terra redonda.
E você, caro leitor, o que pensa de tudo isso à luz dos fatos e dados disponíveis?






